Realismo: Características, Contexto Histórico e O que é

realismo

Na metade do século XIX, afirmou-se na França uma nova estética que, repudiando os princípios do romantismo, dedicava-se apenas à realidade objetiva. Não foi a primeira vez, na arte ocidental, que se abordou a expressão do Realismo.

Contexto Histórico

Podemos encontrar exemplos próximos e distantes nos retratos esculpidos na Roma antiga (período republicano) e nos pintores holandeses do século XVII. Mas essas expressões artísticas orientavam-se basicamente pela prática, sem qualquer indício de formulação teórica.

A novidade do realismo consiste, além do repúdio aos padrões estéticos e técnicas dos estilos anteriores, na recusa de seus valores, com a anteposição da realidade à beleza.

As primeiras manifestações realistas apareceram na literatura, com Stendhal (O Veríndio e o Negro. 1831). Balzac (A Comédia Humana, 1842), Flaubert (Madinne Bovarv, 1857) e outros.

Impelidos pelo novo espírito humanitário que se seguiu à revolução de fevereiro de 1848. na França, os realistas afirmavam que não é justo aprisionar o homem em categorias sociais a que corresponderiam dignidades diferentes.

E concebiam sua arte como inseparável dessa noção de justiça social. A portada igualdade de direitos, entreaberta pelo impulso romântico, foi escancarada com o realismo.

Nessa época começava a surgir, por trás da burguesia, uma nova classe social: o proletariado. a massa de trabalhadores braçais, operários e camponeses – o “quarto Estado”, que também inspirou outro importante escritor francês do realismo.

Emile Zola. Com o realismo, os artistas fizeram-se paladinos dos direitos do homem, de todos os homens. tornando-se, pela primeira vez, porta-vozes do povo.

Os Percursores do Realismo na Arte

Um importante precursor do realismo nas artes plásticas foi Francisco Goya (1746-1828), o grande artista espanhol que, embora por longo tempo o pintor da realeza, nunca esqueceu de sua origem popular.

Em sua obra da maturidade, sobretudo nas águas fortes, as figuras impressionantes sempre demonstram uma viva e inquietante realidade.

Em seu instigante óleo Três- de Maio de 1818 Cioya procura documentar com objetividade uni dos episódios mais trágicos da história da Espanha: o fuzilamento noturno de populares que participaram de uma insurreição.

Nesse quadro não há ênfase, acento discursivo: o artista não procurou fazer uma pintura “bonita”: as formas e cores são resolvidas com simplicidade, procurando representar a realidade brutal. Realidade que, quanto mais crua, resulta mais eloquente.

Ouço precursor da pintura realista, porém menos polêmico, foi o paisagista inglês John Constable (1776-1837). Sem preocupar-se com a História.

Constable preferia inspira-se no grande livro da natureza, da qual Procurava traduzir todos os aspectos de forma amável.

A natureza vista por Constable nunca é apresentada de maneira selvagem; a presença da figura humana é sempre discreta e respeitosa.

Os Realistas

Gustave Courbct (1819-1877) é o pintor realista por excelência, que sempre lutou de forma polêmica contra a pintura subjetiva do romantismo. Afirmava que “um objeto abstrato, não visível, não tem espaço no zampo da pintura”, e que a expressividade la matéria ,é a única coisa que conta.

Em seus quadros, a densidade da mistura de A Lavadeira, de Honoré Daumier. 1863 (Musée d’Orsav. Paris)
cores procura traduzir a concretude dos objetos representados. Mais do que uma mera contemplação, a pintura de Courbet constitui uma apropriação voraz da realidade.

Sua obra causou escândalo e, no início, era considerada vulgar e de pouco valor artístico. Os Quebradores de Pedras mostra trabalhadores braçais em uma atividade hoje desaparecida, cujo aspecto não é pitoresco e muito menos agradável.

Honoré Daumier (1808-1879), filho de um vidraceiro e poeta, começou muito jovem a desenhar para revistas satíricas.

Suas gravuras (litografias) lembram a pintura de Goya. denunciando, de modo bastante agressivo, a repressão política sob os reinados de Luís Filipe e Napoleão III. Suas sátiras mordazes foram publicadas em A caricatura, revista dirigida pelo republicano Charles Philipon.

Espírito profundamente democrático, Daumier é um cidadão que procura compreenderas dificuldades dos trabalhadores oprimidos e humilhados.

Sua solidariedade inspirou-lhe uma série de quadros em que a gente do povo leva uma vida miserável e injusta, mas sempre tem forças para não desistir: os oprimidos de Daumier transmitem uma heróica força moral.

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Imagem- noticias.universia.com.br

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