Quem foi Zumbi dos Palmares


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Ameaça permanente à ordem escravista durante quase todo o século XVII, Palmares, a “Tróia Negra”, sucumbiu em 1694. Mas a história de Zumbi dos Palmares e seus companheiros permanece viva, dando testemunho da luta secular dos escravos negros do Brasil por sua libertação.

Contexto Histórico

Era o começo do século XVII, já havia no Brasil 20 000 escravos negros. Submetidos a desumanas condições de vida, fugiam, sempre que possível, de seus proprietários, unindo-se em seguida para evitar a recaptura. Formavam, desse modo, verdadeiras aldeias nas matas, que ficaram conhecidas como quilombos.



A maioria dos quilombos teve curta duração, não resistindo às investidas das “entradas” – expedições organizadas pelos fazendeiros para a busca dos insubmissos. Um deles, porém, enfrentou dezessete expedições, ao longo de décadas, antes de sucumbir: Palmares.

Crescimento e apogeu

Já em 1600, um grupo de trinta ou quarenta fugitivos abrigara-se na serra da Barriga, em terras do atual Estado de Alagoas. Protegidos pelas densas florestas de palmeiras – donde o nome Palmares—, os negros evitaram as entradas mandadas à sua procura em 1602 e 1608, ao mesmo tempo que realizavam incursões para raptar mulheres.

Na floresta, foram construindo os primeiros mocambos, agrupamentos de choupanas rústicas cobertas de folhas de palmeira. Cada mocambo tinha seu chefe, da nobreza africana; mas isso não impediu que alguns, sem serem nobres, atingissem o posto por seu valor.



Em 1630, o domínio holandês em Pernambuco e a subsequente resistência dos luso brasileiros ao invasor resultaram na desorganização das lavouras; a fuga de escravos se intensificou.

Palmares recebeu tantos fugitivos que sua população chegou a 10 000 habitantes. Senhores de todo o litoral nordeste até a fronteira da Bahia, os holandeses investiram contra o quilombo em 1644 e 1645, mas não tiveram êxito. Palmares defendia-se com sucesso, recorrendo frequentemente a táticas guerrilheiras.

Os holandeses foram expulsos do Brasil em 1654 – e os portugueses hesitaram em tomar a iniciativa dos ataques aos mocambos. Destruir o quilombo tornara-se uma empreitada respeitável. Palmares continuou crescendo. No seu
apogeu, em 1670, ocupava boa parte do atual Estado de Alagoas e a porção oriental de Pernambuco.

Ali viviam cerca de 50 000 habitantes. Sua economia prosperou a tal ponto que mantinha comércio regular com as vilas próximas (Serinhaém, Porto Calvo, Penedo). Em troca de pólvora, armas, tecidos e instrumentos agrícolas, os quilombolas (habitantes dos quilombos) forneciam-lhes produtos agrícolas, pescado e caça.

A decadência

Os senhores de engenho começaram a inquietar-se diante das constantes infiltrações dos quilombolas em seus domínios, promovendo sedições e fugas.

Por outro lado, voltavam seus olhos para as terras férteis de Palmares e para a mão-de-obra gratuita que poderiam fornecer os negros rebeldes, se aprisionados. De 1667 a 1673, formaram-se várias expedições contra o quilombo.

Os negros reagiam a cada investida, atacando as fazendas e incendiando as plantações. Até 1674, travaram-se sangrentas batalhas, mas os resultados foram equilibrados. A partir de 1675, Palmares começa a acumular derrotas.

Dois anos depois, reconhecendo-se em desvantagem, Ganga Zumba, o rei de Palmares, aceita a proposta de paz do governador da capitania de Pernambuco, Pedro de Almeida: Palmares submeter-se-ia à Coroa portuguesa, mas teria liberdade administrativa, sendo elevado à categoria de vila; Ganga Zumba teria o cargo de mestre-de-campo.



Quem foi Zumbi dos Palmares

 

Mas a guerra não acabou.. Dois importantes chefes de mocambo, os irmãos Zumbi e Andala quituche, não concordam com a decisão de Ganga Zumba e propõem-se a libertar todos os escravos. Muitos jovens fogem para os mocambos de Zumbi.

(Segundo alguns relatos, Zumbi dos Palmares era neto de Aqualtune, princesa africana escravizada na primeira metade do século XVII e líder de mocambos em Palmares.)

Em meio à controvérsia, Ganga Zumba é envenenado e Zumbi dos Palmares torna-se rei. Entre 1680 e 1691, a capacidade militar e a coragem pessoal de Zumbi impõem sucessivas derrotas aos atacantes.

Mas em 1692, as investidas dos brancos se intensificam, dirigidas pelo paulista Domingos Jorge Velho – contratado pelo novo governador, Souto Mayor, para destruir o reduto de Zumbi dos Palmares. Enfim sitiados, os quilombolas enfrentam os ataques com bravura.

Porém, são obrigados a recuar cada vez mais para o interior. Em 1694 é destruída sua última fortificação, na serra da Barriga. Zumbi consegue escapar com um pequeno grupo de sobreviventes. Perseguidos, quase todos são presos, mas Zumbi não aparece.

Só um ano depois, traído por um seguidor, foi localizado e mono. Teve a cabeça decepada e exposta em praça pública, para servir de exemplo. A ordem escravista triunfara mas, nas senzalas, a história da resistência de Zumbi dos Palmares passava de geração em geração.

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Imagem- cidadedasartes.org