Treze Colônias da América do Norte e a Independência


treze colonias

Ingleses, franceses, holandeses, escoceses, irlandeses e alemães; esses grupos juntos formaram as Treze Colônias da América do Norte, que podem ser divididas em três grupos: colônias do Norte ou Nova Inglaterra, colônias do centro e colônias do Sul.

Mais que uma certidão de nascimento, a Declaração da Independência dos Estados Unidos representou o atestado de maioridade de um país que começara a ser construído nas primeiras décadas do século XVII. Já havia ingleses na América – e também trabalhadores africanos – antes que o Mayflower aportasse em Massachuseus em 1620, trazendo famílias de puritanos que fugiam às perseguições religiosas na Inglaterra.



E logo chegaram outras levas de imigrantes, de todas as nacionalidades, em busca de trabalho, riqueza e liberdade. J. H. Crèvecoeur, um colono “americano” de origem francesa, assim resumiu a história de todos os que chegavam ao Novo Mundo: Neste grande asilo americano, foram sobretudo os pobres da Europa que ( … ) se reuniram. Vieram pressionados por uma série de dificuldades.

A Lei do Chá determinava que os norte-americanos só poderiam consumir o chá inglês.

E aqui tudo tendia a regenerá-los: novas leis, um novo modo de viver, um novo sistema social. Aqui se tornaram homens. Em seus países não faziam parte de nenhuma categoria civil, a não ser da relação dos pobres; aqui têm o grau de cidadãos. Graças a que invisível poder se deu esta ( … ) transformação? Graças à operosidade. Seu país agora é aquele que dá terra, pão, proteção e dignidade.



‘Onde há pão, ali é a pátria’, é o ditado de todo imigrante”.

Como resultado dessa busca de trabalho e dignidade, em meados do século XVIII os colonos “americanos” eram cerca de 1 milhão. Toda essa gente se distribuía de modo desigual por diversas colônias que. após a formação da Geórgia (1733). chegaram a treze. Se- riam representadas por igual nú- mero de estrelas na primeira bandeira dos EUA.

 

O Norte e o Sul – Treze Colonias

Ao desembarcar nas treze colônias, muitos imigrantes viam-se reduzidos à condição de servos. Mas era uma situação temporária: sem dinheiro para a passagem, comprometiam-se a trabalhar por algum tempo para quem pagasse as 3 ou 5 libras da travessia. Decorrido o prazo de servidão, tornavam-se cidadãos em pleno gozo de seus direitos. Para as crianças, a servidão estendia-se até a maioridade.

Em contrapartida, quem utilizava os seus serviços devia ensinar-lhes rudimentos de leitura e escrita, e um ofício. Desse modo, as treze colónias, e em especial as do Norte, asseguravam mão-de-obra para as indústrias têxteis, fundições, estaleiros navais e lojas de suas florescentes comunidades.

Esses setores populares urbanos forneceriam os principais contingentes dos improvisados batalhões do Exército americano, durante os sete anos da Guerra da Independência. No Sul, a economia baseava-se nos cultivos destinados à exportação, sobretudo cana-de-açúcar, tabaco e algodão. Recorreu-se também à ‘servidão branca” – logo substituída pela escravidão africana. Desde o início, portanto, as colônias do Norte e do Sul constituíram sociedades diferenciadas.

RUMO À INDEPENDÊNCIA

O inglês Adam Smith (1723-1790), um dos fundadore? da moderna ciência econômica, escrevia em 1776 a sua Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações, mais conhecido como a Riqueza das Nações Nessa obra — ponto de partida da escola clássica inglesa de economia política — ele examina o fenômeno da prosperidade e importância crescentes das treze colônias.

Qual o segredo de tamanho sucesso? Certamente — respondia Smith — o Novo Mundo era um cofre transbordante de riquezas; não havia dúvida de que os colonos eram trabalhadores eficientes e infatigáveis. Mas havia outra mola propulsora, que era a liberdade dos colonos quanto à administração de seus próprios negócios – salvo no tocante ao comércio exterior — e a igualdade básica entre os habitantes da América.



 

A ofensiva da metrópole

A verdade é que o envolvimento da Grã-Bretanha nas guerras europeias, desde o início do século XVIII, havia exaurido as finanças do país. Por isso o Governo resolveu criar novos impostos, extensivos aos súditos americanos. Como protesto, estes recorreram às tradicionais leis inglesas.

Argumentavam que os impostos eram ilegais pelo fato de contrariarem uma norma da Magna Carta (1215), segundo a qual não se podiam estabelecer novos impostos sem a aprovação do Parlamento. Ora, os impostos haviam sido formalmente aprovados — mas as treze colônias não tinham representantes no Legislativo britânico.

Em suma, tratava-se de saber se essas colônias eram comunidades inglesas do ultramar, com os mesmos direitos dos súditos ingleses, ou, simplesmente, territórios condenados à exploração.

Necessitada de dinheiro, a Inglaterra optou pela segunda hipótese. Manteve os termos do pacto colonial — pelo qual as colônias só podiam exportar para a metrópole, e importar produtos ingleses mesmo que outros países fabricassem artigos similares melhores e mais baratos — e os impostos ilegais.

Além disso, proibiu a implantação, na América do Norte, de indústrias que pudessem fazer concorrência às manufaturas inglesas, especialmente no importantíssimo setor do ferro e do aço.

Vinte anos de crise Essas medidas, de 1750, tornaram-se, nos vinte anos seguintes, ainda majs austeras. A partir de 1763, novos impostos e taxas recaíram sobre diversos produtos. A Lei do Selo, por exemplo, obrigava que todos os documentos, sejam eles legais, comerciais, jornais e até os baralhos tivessem o selo da Metrópole, este selo deveria ser comprado a Inglaterra.

A CONQUISTA DA INDEPENDÊNCIA

Naquele momento, a independência estava longe de ser uma proposta unificadora na sociedade americana. Inúmeros setores das elites permaneciam fiéis à Coroa e muitos líderes ”rebeldes” pretendiam apenas convencer o rei Jorge III da existência de injustiças a serem corrigidas.

Os separatistas eram minoria por ocasião do Primeiro Congresso Continental, reunido cm Filadélfia em 1774, com representantes de todas as colônias. Continuavam minoritários no Segundo Congresso, realizado um ano depois. Todavia, eles acreditavam que a própria intransigência inglesa arrastaria as colônias para a causa da independência. E foi o que aconteceu.

Para intimidar os colonos. Londres enviou uma esquadra e tropas do Exército. A cada dia aumentava a hostilidade da população para com os “casacos-vermelhos”. Os primeiros choques armados ocorreram em abril de 1775, em Concorde Lexington. Em maio, sempre em Filadélfia, o Segundo Congresso decidiu formar um Exército “americano”, cujo comando foi entregue a George Washington, rico proprietário de plantações na Virgínia.

Em junho, os americanos enfrentaram tropas inglesas numa posição fortificada em Bunker Hill, perto de Charlestown e Boston. A pontaria mortífera dos colonos dizimou a temida infantaria inglesa; a disciplina e as baionetas britânicas acabaram, porém, pondo em fuga os rebeldes. Bunker Hill foi, assim, uma vitória inglesa, ainda que cara.

 

A guerra

Proclamar a independência era uma coisa. Conquistá-la de fato, pela força das armas, era algo bem diferente. E. na verdade, parecia que a rebelião ti- nha os dias contados. 0 Exército de Washington desfazia-se a olhos vistos.

Em dezembro de 1776, porém, num golpe de audácia, ele cruzou o rio Delaware gelado e num ataque de surpresa. capturou a guarnição inglesa da localidade de Tremem. A vitória reanimou a causa rebelde, estendendo as hostilidades para o ano de 1777.

E ganhar tempo era um dos objetivos principais dos rebeldes. Era preciso tempo para que as potências rivais da Inglaterra comprovassem que os Estados Unidos podiam ser um aliado sério. Afinal, depois da vitória americana em Saratoga (outubro de 1777), a França e a Espanha aliaram-se aos rebeldes.

A Inglaterra permaneceu na defensiva até 1781, quando lorde Cornwallis, comandante supremo das tropas inglesas na América, foi cercado por terra e por mar no campo de Yorktown. Todas as tentativas de quebrar o bloqueio franco-americano fracassaram, e Cornwallis foi obrigado a render-se.

Era o fim da guerra pela independência dos Estados Unidos da América, a primeira República e, também, a primeira democracia dos tempos modernos. Dois anos depois. sua independência seria reconhecida pela Grã-Bretanha.
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