Tráfico Negreiro e o comércio de escravos no Brasil

Tráfico Negreiro

O tráfico negreiro foi um dos acontecimentos mais cruéis da História. Calcula-se que, do século XVI ao XVIII, 100 milhões de africanos tenham sido trazidos como escravos para as Américas. Como resultado, os descendentes de africanos, puros ou mestiços, representam ainda hoje uma alta porcentagem da população das Antilhas, Guianas, Venezuela, Colômbia e Brasil (e também dos EUA). O preço foi o esvaziamento de vastas regiões da África, que ainda se apresentam subpovoadas.

O funcionamento do tráfico negreiro

O tráfico negreiro, isto é, o comércio de escravos negros, dava-se em uma espécie de enorme triângulo. Comerciantes aventureiros sem escrúpulos partiam da Europa em direção à Africa, e sobretudo ao golfo da Guiné, a chamada “corte dos escravos”. Em seus navios transportavam álcool, tabaco, panos coloridos, armas e outras mercadorias de pouco valor.

Nos entrepostos de escravos, trocavam esses artigos por negros – prisioneiros de guerra capturados por chefes de tribos africanas e entregues aos traficantes, ou gente pacífica, homens, mulheres e crianças aprisionados em incursões organizadas por europeus. A seguir, com os porões repletos de escravos, os navios negreiros atravessavam o Atlântico, rumo à América. No Novo Continente, expunham sua mercadoria” à venda e recarregavam os porões com os produtos tropicais – inclusive o tabaco, indispensável para o prosseguimento desse comércio triangular.

A resistência na Exploração dos índios e tráfico negreiro

Qual era a resposta dos oprimidos – índios e, negros – ante a brutal dominação? Entre 1524 e 1529, os indígenas da Guatemala, herdeiros da gloriosa civilização maia, empenharam-se numa verdadeira luta de guerrilhas contra os espanhóis.

Até o final do século XVIII ocorreram freqüentes rebeliões de índios e negros fugitivos (chamados marrones na América espanhola e quilombolas no Brasil), que chegaram a formar comunidades livres, sobretudo entre as montanhas da Jamaica e nos vales brasileiros.

A resistência mais dura foi, no entanto, da população guerreira dos índios araucanos, que viviam nas regiões montanhosas do Chile e nos pampas argentinos e aos quais se juntaram os “guerrilheiros” descendentes dos incas. O início da resistência data de 1536, liderada pelo chefe inca Manco Capac II.

A última campanha foi esmagada em 1783. José Gabriel Tupac Amaru, a principal figura da rebelião, foi capturado, torturado, amarrado a quatro cavalos na praça principal de Cuzco, Peru. A sangrenta repressão das rebeliões e guerrilhas anti espanholas contribuiu, e não pouco, para o extermínio dos indígenas.

Mas pouco depois, no Haiti, explodiria uma rebelião de escravos que chegou a conquistar o poder, dando origem a uma República sob controle dos descendentes de africanos – a primeira República da América Latina.

A miscigenação

Mestiços e crioulos As elites contrárias aos jesuítas não discordavam absolutamente da perda da identidade cultural do índio e de sua conversão ao catolicismo – meios de transformar índios “bravos” em índios ‘mansos”. Opunham-se, isto sim, ao fato de os índios das reduções deixarem de trabalhar nos latifúndios e minas, escravizados ou recebendo salários irrisórios. Mas é evidente que, com o passar do tempo, as coisas teriam de mudar.

A miscigenação de tantas etnias (índios, negros, europeus) deu origem a uma população mestiça, majoritária em todos os países latino-americanos- No fundamental, a elite permaneceu branca, suas fileiras continuamente reforçadas por funcionários europeus que procuravam enriquecer o mais rápido possível.

E havia também os crioulos – como eram denominados os brancos nascidos na América -, donos dos latifúndios. Foi justamente essa camada de grandes proprietários que, no início do século XIX, se pôs à frente das diversas revoluções que acabaram com a dominação colonial ibérica e deram origem aos diversos países latino-americanos.

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