Torneios Medievais (Justas) – Guerreiro de São Miguel e São Jorge


Torneios Medievais (Justas)

Ao sagrar-se cavaleiro, o jovem guerreiro de São Miguel e São Jorge conquistava o direito de participar de justas e torneios, ou seja, daquelas competições que, entre os séculos X e XVII, constituíram os espetáculos mais luxuosos e apreciados pelo público.

O Torneio

O torneio era convocado solenemente por um arauto que, semanas antes, anunciava a intenção de um rei ou grande senhor feudal de conclamar para a festa os melhores cavaleiros do território. Os cavaleiros participantes erguiam seus pavilhões em torno de uma vasta esplanada em frente ao castelo (ou em seu jardim), chamada liça.



O escudo com o brasão do cavaleiro era pendurado a uma lança: isso tinha por objetivo declarar a identidade do participante e também permitir que outros acusassem – se fosse o caso – o cavaleiro que eventualmente tivesse cometido uma infâmia Quando tal acontecia, os juízes do torneio declaravam que o cavaleiro tinha uma mácula”, o que o desqualificava para a competição.

Quando a falta era muito grave, como nos casos de felonia (traição), o cavaleiro podia até ser expulso da ordem. Normalmente, o torneio estendia-se por vários dias. Eram dias de festa. registrando-se, além do público espectador, a presença de mercadores, adivinhos, prestidigitadores, mímicos, acrobatas, vagabundos e curiosos de todo tipo. Havia várias provas e todos os vencedores ganhavam prêmios.

Pelo regulamento, os cavaleiros batiam-se com armas ‘corteses”, ou seja, tornadas inofensivas (ou quase), sem ponta ou corte. A prova mais espetacular era ajusta, na qual dois contendores se enfrentavam a cavalo e depois apé, diretamente um contra o outro. Para desafiar um rival bastava apenas tocar com a ponta da lança o escudo pendurado em seu pavilhão. O desafio tinha que ser respondido.



As donzelas e os cavaleiros…

Uma vez na arena, os competidores davam uma volta completa pelo campo vestidos com a armadura completa, mostrando-se orgulhosos e galantes para com as damas presentes no palanque de honra.

Quase sempre, os cavaleiros levavam preso em volta do braço, sobre a lança ou em volta do pescoço, um véu ou lenço com as cores da dama em honra da qual declaravam. estar se batendo. Ao sinal dos juízes, os dois se lançavam a galope um contra o outro: o choque das lanças contra os escudos e armaduras era violento. Se nenhum dos dois fosse desmontado, o encontro se repetia.

Duelo no chão…

Mas se um dos cavaleiros fosse lançado ao solo, o outro também apeava do cavalo, e o duelo continuava no chão, com a espada e a dava. O perdedor tinha obrigação de declarar-se lealmente vencido. Caso contrário, os juízes encarregavam-se de declará-lo fora de combate. Ao vencedor cabia o prêmio que estava em jogo, além das armas, cavalos e a própria pessoa do vencido.

Derrota

De fato, este passava a ser considerado prisioneiro e só podia recuperar sua liberdade após pagar um alto resgate. O ponto máximo da festa era o torneio propriamente dito: um combate coletivo, em grupos, como se fosse uma verdadeira batalha, no qual se lutava com armas sem ponta. Mas o ardor dos cavaleiros era tal que freqüentemente a festa terminava mal. Num torneio realizado em 1240, na cidade alemã de Neuss, o combate degenerou a tal ponto que houve sessenta mortos.

Qual era a finalidade dos torneios medievais?

Ajudavam a manter o treinamento do cavaleiro e lhe permitiam manifestar sua bravura fora da guerra.