Santos Dumont – Quem foi? O que é o 14 bis? Inventos

Santos-Dumont

Para muitos brasileiros jovens e de família rica, a Paris da Belie Epoque era sinônimo de prazer e vida boêmia. Para Santos Dumont, era um ambiente de estímulo à pesquisa, que lhe permitiu realizar uma antiga aspiração da humanidade.

O Brasil em Paris

Alberto Santos Dumont nasceu em 1873 numa fazenda na cidade mineira de Paimira (atual Santos Dumopt), em Minas Gerais. Seu pai, de origem francesa, era engenheiro e cafeicultor; pelo lado matemo pertencia a uma das mais importantes famílias de Ouro Preto.

Aos 17 anos o rapaz acompanhou a família numa viagem a Paris – e apaixonou-se pela Cidade-Luz. Mas não eram os teatros ou a vida boêmia que o fascinavam: eram os balões dirigíveis, dotados de lemes, com que alguns pioneiros ensaiavam a conquista dos ares; e também os leves motores a combustão inter na, já utilizados nos automóveis e de potencialidades apenas vislumbradas.

De volta ao Brasil, Santos Dumont solicitou permissão para fixar-se em Paris. Seu pai fez mais do que concordar: emancipou-o (aos 18 anos incompletos) e transferiu para ele boa parte de sua fortuna.

Em 1892, já se encontrava em Paris. Foram seis anos de pesquisas até que Santos Dumont projetasse seu primeiro balão, de 6 m de diâmetro, formato esférico, invólucro de seda japonesa envernizada, com capacidade para 113 m 3 de gás, pesando 14 kg; a rede, que em outros balões pesava até 50 kg, nesse tinha 1 800 g. Segundo Santos Dumont, foi “o menor, o mais lindo, o único que teve nome – Brasil”. Subiria aos céus de Paris a 4 de julho de 1898.

Rumo ao “Bailacleuse”

Da noite para o dia, o inventor e o Brasil foram “descobertos” pela opinião pública. Seu chapéu “Panamá” desabado sobre a testa virou moda, sempre exagerado nas caricaturas que os jornais publicavam. Paralelamente, Santos Dumont iniciou uma nova linha de pesquisas, procurando combinar um balão e um motor a explosão.

Surgiram então os balões enumerados da série Santos Dumoni, em forma de charuto ou de cilindro. No ano de 1900, o milionário francês Deutsch de Ia Meurthe lançou um desafio aos construtores de dirigíveis: quem conseguisse partir do campo de Saint Cloud, fazer a volta à torre Eiffel e regressar ao ponto de partida em trinta minutos, sem tocar a terra, faria jus a um prêmio de 100 000 francos.

Pilotando o seu mais recente balão – o n.° 6 – Santos Dumont levantou voo em disputa do-prêmio. Antes do fim do prazo permitido, estava de volta. Dos 100.000 francos, distribuiu a metade entre seus mecânicos e auxiliares. A outra metade do prêmio foi entregue à polícia parisiense, para ser distribuída entre operários desempregados.

E o autor da façanha ficou apenas com a satisfação de ter demonstrado, diante de uma assistência oficial, que, no primeiro ano do novo século, o dirigível já era um veículo perfeitamente manejável e seguro. A série numérica prosseguiu com o n.” 7, delgado e esguio, projetado exclusivamente para corridas, capaz de fazer 80 km por hora.

Mas nunca chegou a competir, pois não apareceram concorrentes para enfrentá-lo. Já o n.” 8 não chegou a existir: Santos Dumont tinha prevenção contra esse número e o omitiu.

O n.’ 9, porém, foi tão famoso quanto o Brasil; denominado Ball adeuse, era ágil, leve, de fácil manejo – tornou-se o meio de transporte particular de Santos Dumont, com o qual o inventor se deslocava pela capital, visitando os amigos, detendo-se nos cafés parisienses e chegando a conduzir passageiros. Foi com o Ball adeuse que a jovem cubana Aída de Acosta tomou-se a primeira mulher do mundo a voar.

santos-dumont-14-bis

O 14 e o 1114-Bis”

Em 1905, logo após a construção do n.” 14, seu balão mais aperfeiçoado, Santos Dumont lançou-se ao desafio de fazer voar, por seus próprios meios um objeto “mais pesado que o ar”. Projetou então um aeroplano de motor a gasolina, que era elevado aos ares pelo balão n.’ 14 – e que, por esse motivo, recebeu a denominação de 14-Bis.

Depois, o 14-Bis foi “atrelado” a um burrico, sendo puxado e lançado aos ares como se fosse um gigantesco papagaio de papel; seguiram-se, afinal, as experiências de voo autônomo, até que em 1906, no aeroclube de Paris, diante de milhares de pessoas, o 14-Bis elevou-se do solo exclusivamente pelo impulso transmitido por seu motor.

A concessão dos prêmios Aeroclube 0 500 francos) e Archdeacon (3 000) saudou o início oficial da era da aviação. Em 1914, o soar dos canhões de todas as potências marcou o fim da BeIle Epoque: as recentes conquistas da ciência, inclusive o avião, transformaram-se em meios de morte.

Santos Dumont chegou a lançar um apelo para que fosse proibida a guerra aérea: as potências beligerantes o ignoraram. Para Santos Dumont, era o início de um permanente estado de angústia, agravado cada vez que ocorria um desastre aéreo.

Quando viu o seu invento ser utilizado como arma de guerra na Revolução Constitucionalista de 1932, para que brasileiros bombardeassem brasileiros, o pai da aviação se suicidou.

Gostou do nosso artigo sobre Santos Dumont? Compartilhe!

Imagem-  veja.abril.com.br              cabangu.com.br

Add a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *