Roma – Origem, República e história

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Segundo inúmeros estudiosos, a lenda da origem de Roma baseia-se em acontecimentos reais. No decorrer da Idade do Ferro (séculos IX-VIII a.C.) populações de economia agrícola e pastoril haviam se estabelecido na região do Lácio: eram os latinos, sabinos, equos, volscos, lucanos…

Origem

Cada povo organizava-se em grandes famílias (gens), compostas, além dos núcleos familiares propriamente ditos, de amigos e servos que viviam e trabalhavam na área de influência da gens. A autoridade absoluta era exercida pelo chefe da família, ao mesmo tempo guia político, militar e religioso.

O traço de união entre as várias gentes (agregados de famílias descendentes de um mesmo ancestral) era o fato de falarem a mesma língua, lerem os mesmos usos e costumes e prestarem culto às mesmas divindades.

De tempos em tempos, alguns povos do Lácio – latinos, sabinos e lucérios – reuniam-se na cidade de Alba longa para render culto a Júpiter Latiaris, o maior dos deuses do Lácio. Nessas ocasiões reafirmavam-se as alianças de comércio e defesa mútua contra eventuais inimigos comuns.

Limites da autoridade durante a monarquia

Para governar, o rei apoiava-se no Conselho de Anciãos (Senado) e na Assembléia Curiata. Os senadores, vitalícios, eram nomeados pelo rei.

Este, porém, era escolhido por eles, sendo, em última instância, um delegado dos pater-famílias – e a escolha só tinha validade se confirmada pela Assembléia Corista, que reunia os patrícios divididos em trinta cúrias. Sempre que o rei quisesse modificar a lei, conceder perdões ou declarar guerra, precisava do consentimento deles

A República

Não se sabe com certeza se a República foi, de fato, estabelecida após um levante popular que levou à expulsão de Tarquínio, o Soberbo, ou se resultou de um lento processo evolutivo que restringiu progressivamente a autoridade monárquica em favor dos chefes das gentes.

De qualquer forma, com a sua instauração, o poder passou às mãos dos patrícios, que substituíram o rei por dois cônsules eleitos anualmente. Sua função abrangia o comando do exército e a supervisão das atividades judiciárias. Em latim, republica significa “coisa de todos”, mas a República romana pertencia a pouquíssimos cidadãos.

Além de possuir a totalidade das terras e monopolizar a vida religiosa, a aristocracia detinha o poder político; o Senado era a autoridade permanente, encarregada de controlar os magistrados, ocupantes temporários de cargos executivos.

Os patrícios dominavam também a Assembléia Cunata, que perdeu gradativamente suas prerrogativas para a Assembléia Centuriata.

Mas esta era dominada também pelos patrícios e quites. Cada centúria equivalia a um voto; os mais ricos, podendo equipar 98 centilrias, dispunham de mais votos que todas as outras classes, cujo total perfazia 95 centúrias. Mesmo nas assembleias da plebe, a fora dos patrícios excita-se através dos seus clientes, que votavam a seu favor.

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A Cidade do Rio

Ignora-se se foi realmente Rômulo que traçou o pomoerium (perímetro sagrado) da cidade, O fato é que a lendária fundação de Roma corresponde ao surgimento do Septimontium, uma federação de tribos latinas, sabinas e lucérías que habitavam as sete colinas de Roma.

Não se sabe também se o rapto das sabinas é lenda ou verdade, mas os ucessores de Rôniulo no governo da cidade foram, alternadamente, um sabino e um latino.

Segundo a tradição, Rômulo teria dado às gentes de Roma uma constituição político-militar que subdividia as tribos dos Titii (sabinos), Ramnes (latinos) e Luceres (tucérios) em dez cúrias cada uma, ao mesmo tempo que instituía um Senado de cem membros.

As divisões atendiam a objetivos militares: cada tite devia fornecer ao exército 1 000 soldados e 100 cavaleiros (100 soldados e 10 cavaleiros para cada cúria).

Comprovou-se, de fato – independentemente de ter sido Rômulo o autor da idéia -, que o Septiznontiuin, consideravelmente fortalecido do ponto de vista militar, obteve vitórias significativas sobre Veios e Fidenes, cidades etruscas das vizinhanças.

Esse desafio à Etrúria custou-lhes, porém, a ocupação. De 616 a 509 a.C. os etruscos dominaram a cidade e, conforme uma corrente histórica, foram eles que a batizaram, chamando-a de Ruinon, “a cidade do rio”.

A dominação etrusca

Coube aos etruscos a tarefa de transformar um modesto centro agropastoril numa cidade-Estado cercada de muralhas, com uma florescente atividade manufatureira e intenso comércio.

Segundo a lenda, o primeiro rei de Roma de origem etrusca foi Tarquínio Prisco, que obteve o poder com o apoio dos lucérios, tribo até então sem alguns dos privilégios dos latinos e sabinos.

Ao subir ao trono, Tarquínio recompensou-os com o acesso ao Senado, que lhes era vedado. Aos pater-familias de estirpe latina e sabina juntaram-se esses conscripti (agregados), totalizando o número fixo de trezentos senadores.

Tarquínio Prisco deu início à construção de importante obras públicas, como a Cloaca Máxima, sistema de esgotos que desembocava no rio Tibre, e o Circo Máximo. Tarqulnio foi sucedido por Sérvio Túlio, que cercou a área urbana de Roma com uma sólida colina de muros.

Ressentindo-se da medida, os grandes proprietários de terras conspiraram para depô-lo, Isso o levou a aliar-se a elementos ricos, fora da classe patrícia (os aristocratas), e a reorganizar o exército e o corpo eleitoral para fortalecer a sua posição.

Promoveu o censo dos habitantes e das propriedades, classificando os cidadãos em cinco classes. Para contrabalançar o poder dos aristocratas, criou também a classe dos equites (cavaleiros), homens que podiam equipar-se com armas e um cavalo (equus) e servir na cavalaria.

Sérvio Túlio foi assassinado e sucedido por Tarquínio, o Soberbo, que, violento e despótico, provocou descontentamento em todas as classes. Em 510 a.C., diz tradição, Tarquilínio foi expulso de Roma, e proclamou-se a República

SETE LONGOS REINADOS

De acordo com a tradição, o segundo rei de Roma foi o sabino Numa Pompílio, que fortaleceu a unidade das tribos e assegurou quarenta anos de paz ao povo.

Sob o reinado do latino Tulo Hostílio, Roma empreendeu uma política expansionista, o que é confirmado por uma série de fatos historicamente comprovados. A cidade de Alba Longa, antigo centro do Lácio, foi conquistada e destruída.

A seu sucessor, o sabino Mico Márcio, é atribuída a realização de obras públicas como o aqueduto Acqua Márcia e a fundação da colônia de Ostia, junto ao mar Tirreno, que abriu caminho para a expansão comercial de Roma.

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Imagem- romaitalia.com.br          historicodigital.com

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