Revolução Praieira – Motivos, Consequências e Objetivos

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No final de 1848 ocorreu em Pernambuco um dos mais articulados movimentos de resistência às imposições do poder central.

Á Revolução Praieira foi um movimento de lideranças pertencentes às elites, no estilo das revoltas que explodiam em Pernambuco desde 1817; mas foi através do Partido da Praia que as idéias do socialismo europeu irromperam no Brasil.

Nos primeiros anos do Segundo Reinado, Pernambuco foi palco de um vigoroso movimento popular, que consolidou a liderança da ala mais avançada do Partido Liberal – os praieiros – junto às camadas médias e setores populares.

Quando os conservadores foram reconduzidos ao poder, em 1848, os praieiros não aceitaram a perda de suas posições.

Entre outubro de 1848 e os primeiros meses de 1849, essa resistência tomou a forma de um apelo às armas, que culminou na ocupação do Recife pela coluna de Pedro Ivo, o “Capitão da Praia”.

Oligarcas, marinheiros e a Revolução Praieira

O pano de fundo da Revolução Praieira foi a situação econômica, política e social de Pernambuco nos anos 40 do século XIX. A agricultura da província estava nas mãos de um pequeno grupo de proprietários rurais, que cultivavam apenas um décimo do solo e deixavam inculto o restante, recusando-se a vendê-lo.

Por isso eram hostilizados até mesmo por setores que dispunham de recursos, mas não tinham acesso à terra. Paralelamente os trabalhadores livres dirigiam-se às cidades, em busca de emprego.

Mas a principal atividade urbana, o comércio, estava sob controle dos “marinheiros” (portugueses), que empregavam vendedores também estrangeiros, na maioria portugueses. Isto significava, ao todo, 18 000 empregos negados aos brasileiros, o que justificava a intensa agitação antilusitana na província.

A aristocracia rural e os grandes comerciantes portugueses foram duramente golpeados entre 1845 e 1848, durante o governo do liberal Chichorro da Gama.

O ambiente era propício às idéias de justiça social propagadas por jornais como O Guarda Nacional, editado por Vilela Je Castro Tavares, e o Diário Novo, dirigido por Luis Inácio Ribeiro Roma.

Este último era o órgão do “Partido da Praia”, assim chamado por ter sua tipografia situada à rua da Praia. O Partido da Praia era a ramificação pernambucana do Partido Liberal. Opunha-se ferrenhamente ao Partido Conservador, cujos membros – grandes proprietários rurais e capitalistas – eram chamados de “guabirus” (um roedor que furta alimentos e em seguida se esconde).

Nem todos os liberais viam com bons olhos a agitação da Revolução Praieira. Mesmo dentro do Partido da Praia havia divergências entre uma ala radical, chefiada pelos republicanos Borges da Fonseca e Pedro Ivo da Silveira, e uma ala conciliadora, monarquista e legalista, chefiada por Nunes Machado. Mas, nas lutas contra os conservadores, todos os liberais estiveram unidos.

Uma insurreição popular

Em dezembro de 1847 podia-se ouvir pelas ruas do Recife os gritos de “mata, mata marinheiro”, ocorrendo inúmeras cenas de violência contra os negociantes portugueses.

Em junho de 1848, repetiram-se as violências, e os praieiros encaminharam à Assembléia Provincial o pedido de expulsão de todos os portugueses solteiros e a imediata convocação de uma Assembléia Constituinte. Nesta época, Chichorro da Gama já não estava na presidência da província.

Seus sucessores – Vicente Pires da Mota e Antônio da Costa Pinto – não conseguiram impor sua autoridade e conter as agitações. Em 1848, os liberais foram substituídos pelos conservadores no gabinete do Império. Foi nomeado, então, Herculano Ferreira Pena para a presidência de Pernambuco.

Os praieiros levantaram-se em armas em Olinda, Igaraçu e outros pontos da província, derrotando os conservadores em vários combates. Incapaz de sufocar o movimento, Herculano Pena foi substituído por Manuel Vieira Tosta, que chegou ao Recife em dezembro de 1848.

Mas nem mesmo os chefes praieiros eram capazes de impedir o prosseguimento da Revolução Praieira. Foi nesse período que se destacou, entre os insurretos, a liderança de Pedro Ivo.

O “Capitão da Praia”

Filho de militar, neto de um dos heróis da Insurreição Pernambucana de 1817, republicano, o capitão de artilharia Pedro Ivo Veloso da Silveira soube organizar as massas populares na região polarizada pela cidade de Água Preta – pequenos arrendatários, boiadeiros, mascates, mulatos e negros – e derrotou as forças da oligarquia em várias batalhas na Revolução Praieira.

A maior vitória de Pedro Ivo, porém, foi a tomada do Recife, que permaneceu defendida pelos rebeldes das 5 horas da manhã às 9 da noite do dia 2 de fevereiro de 1849.

Após a retirada praieira, Pedro Ivo voltou à luta de guerrilha, vindo a depor as armas dois meses mais tarde, em troca da garantia de anistia honrosa; os “guabirus” ignoraram a promessa e o líder rebelde foi encarcerado no Rio de Janeiro.

O manifesto ao mundo

Foi na Revolução Praieira que, pela primeira vez no Brasil, as influências socialistas modernas se fizeram sentir. O Manifesto ao Mundo, publicado a 1? de janeiro de 1849, revela a influência dos movimentos socialistas europeus e, sobretudo, da insurreição operária de 1848 na França.

Apesar da omissão quanto ao trabalho escravo, entre as medidas propostas constavam o voto livre e universal, a liberdade de imprensa, o trabalho como garantia de vida para o cidadão, a extinção do Poder Moderador e a reforma do Poder Judiciário para garantir os direitos individuais.

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Imagem- blogs.diariodepernambuco.com.br

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