Revolução inglesa e guerra Civil – Causas e Conclusões

Revolução inglesa

Nesse artigo você saberá tudo sobre a Revolução inglesa. Sem deixar descendentes diretos, morreu em 1603 a rainha Elizabeth 1. Seu parente mais próximo, o rei Jaime VI da Escócia, assumiu o trono inglês com o nome de Jaime I. Pedante e obstinado, com pretensões à autoridade divina, o novo  soberano atraiu a oposição de todo o povo, dos lordes aos burgueses, dos proprietários rurais aos camponeses. Seu reinado marca o início de um conturbado período da história inglesa, o qual chamamos de revoluções inglesas.

O que foram as Revoluções inglesas?

As revoluções foram lideradas pela burguesia europeia, que por meio de uma guerra civil e da atuação do Parlamento, tinha como meta retirar o poder absoluto do Estado (Estado absolutista) da Inglaterra, e reformar sua política e direitos civis. As consequências foram o surgimento da Monarquia Parlamentarista em 1688 e o surgimento de maiores direitos civis que foram ampliados, como, por exemplo, o direito ao habeas corpus.

 

O Cenário das revoluções inglesas

Jaime 1 desagradava aos ingleses não apenas por ser rei da Escócia ou por professar um protestantismo moderado, não muito distante do tradicional catolicismo: antes de tudo, ele desprezava instituições muito caras aos ingleses. Basta dizer que, num país onde existia um poder legislativo (o Parlamento) funcionando há mais de quatrocentos anos, Jaime afirmou em sua fala inaugural: “Antes de existirem os Estados, existiam os reis…

Os súditos devem obedecer ao rei como obedecem a Deus”. Primeiro governante da dinastia Stuart, Jaime não se contentava em exercer o poder absoluto de fato, como seus antecessores Tudor. Ao contrário, empenhou-se em exercê-lo também de direito, substituindo os ideais expressos pela Magna Carta, o grande documento das liberdades inglesas instituído ainda na Idade Média, pela doutrina francesa do direito divino dos reis.

A nova sociedade

Elizabeth fora suficientemente cautelosa para não exprimir opiniões como as de seu primo e sucessor, sobretudo diante de um Parlamento que detinha nas mãos os cordões da bolsa e das finanças reais, podendo aprovar ou vetar grande parte das leis que estabeleciam novos impostos.

Tratara sempre o Parlamento com o clássico “punho de ferro sob luvas de pelica”. Ainda assim, era difícil obter aprovação para todos os projetos que dependessem de tributos extraordinários. A fórmula para superar o problema já fora encontrada pelo pai de Elizabeth, Henrique VIII, e por seu avô, Henrique VII: consistia em limitar os poderes dos nobres, ricos proprietários rurais, e buscar uma aliança com a alta burguesia.

Essa aliança resultaria num poderoso impulso à transformação econômica e social da Inglaterra. Enquanto os senhores administravam suas propriedades apoiados no sistema feudal, a rainha favorecia aqueles que investiam na implantação de manufaturas ou na criação de ovelhas destinadas à produção de lá, matéria-prima para a nascente indústria têxtil.

Essa política estimulou também a exploração das minas de ferro e carvão recém-descobertas, a instalação de unidades siderúrgicas e mecânicas e a montagem de estaleiros navais. Em poucos anos a Inglaterra não dependia mais do exterior para obter produtos manufaturados e podia até se dar ao luxo de exportá-los. Sua Marinha tomouse a mais forte do mundo.

O poder burguês

A rainha não tinha medo de “sujar as mãos”. Além de conceder direitos – sobre os quais cobrava porcentagem –
às sociedades que desejassem comerciar e implantar colônias no Novo Mundo, protegia os corsários que agiam sob bandeira inglesa; confiava a quem quer que lhe pagasse o privilégio de certos direitos de monopólio: a exclusividade do comércio do vinho no País de Gales, por exemplo, ou o fornecimento de sal em Londres. Resultado: alguns nobres e muitos burgueses ganharam não só fortunas, mas muita influência política. Eram os novos potentados, cujo poder se estendeu até o Parlamento.

A questão religiosa A religião do atado era a anglicana, ramo moderado do protestantismo. Um grande número de ingleses, porém, havia se convertido ao calvinismo. Radicalizando-se ainda mais, muitos deles constituíram uma seita que ficou conhecida como puritanismo, devido à sua proposta de “purificar” a Igreja anglicana de todos os traços do catolicismo.

Crítico implacável dos ritos papistas e do sistema episcopal, que ainda vigoravam na Igreja britânica, o puritanismo logo obteve o apoio da pequena nobreza, da burguesia e de amplas camadas populares. O conflito entre Coma e puritanos cresceria sob os Stuart a ponto de abalar os fundamentos do poder.

 

A política de Jaime 1

Ocupante do trono desde 1603, Jaime 1 não hesitou em aumentar suas rendas; instituindo novos impostos sem a aprovação do Parlamento. Este reagiu em 1611, negando-lhe subsídios. A resposta do rei foi a dissolução do Parlamento, que, salvo algumas semanas em 1614, não seria convocado até 1621. Coerente em sua miopia política, o rei tampouco levava em conta os interesses econômicos de alguns dos mais poderosos cidadãos.

Dessa forma, contrariou os comerciantes, que ambicionavam destruir o império colonial espanhol, estabelecendo a paz com o rei da Espanha; negou-se a apoiar uma nova legislação tributária que interessava à burguesia industrial e mercantil; desenterrou velhas leis já esquecidas, e ressuscitou privilégios feudais absurdos.

Com relação à questão religiosa, Jaime 1 também se mostrou inábil. Considerava os puritanos traidores virtuais, já que, recusando a autoridade dos bispos nomeados pela Coroa, estariam recusando a autoridade do próprio rei.

 

A GUERRA CIVIL

Jaime 1 morreu em 1625, deixando como herdeiro seu filho Carlos 1, ferrenho defensor do “direito divino” do rei. Carlos 1 logo entrou em conflito com os puritanos e os líderes parlamentares. Envolvido em uma guerra com a França, tão logo ascendeu ao trono, viu-se constrangido a recorrer ao Parlamento para revigorar a caixa real. Não conseguindo obter mais que as verbas costumeiras, passou a forçar empréstimos internos, punindo os que se recusavam a colaborar até mesmo com a prisão.

Revoluções inglesas

Petição dos Direitos

A tirania de Carlos 1 resultou na famosa Petição dos Direitos, assinada pelo rei sob pressão do Parlamento, em 1628. Esse documento era comparável à Magna Carta como instrumento de defesa dos direitos dos cidadãos: além de declarar ilegais todos os impostos não aprovados pelo Parlamento, proibia as prisões arbitrárias e a aplicação da lei marcial em tempo de paz.

Carlos reagiu à maneira de seu pai dissolvendo o Parlamento (1629), que só voltaria a ser convocado em 1640. No intervalo, passou a usar de meios irregulares para obter dinheiro. De todos, o mais impopular foi o restabelecimento de um antigo imposto, o ship money – contribuições navais -, antes cobrado às cidades costeiras e agora estendido a todo o país.

 

A segunda guerra civil

Favorecido pelas discórdias entre seus adversários, Carlos 1 conseguiu escapar da prisão e reiniciou a guerra civil em 1648. Em dezembro, enquanto o Parlamento tentava negociar com o rei, os independentes, comandados por Cromwell, tomaram Londres.

Os moderados uniram-se então às forças reais. Era o pretexto que faltava para os independentes expurgá-los do Parlamento, que, com apenas sessenta membros, passou a ser conhecido como Rump Parliament, isto é, “Parlamento Restante”.

Novamente capturado, Carlos I foi condenado á morte em julgamento sumário e decapitado a 30 de janeiro de 1649. Para impedir que a facção formada pelos realistas, puritanos moderados e anglicanos tentasse colocar no trono o príncipe herdeiro, os independentes proclamaram a República, completando a primeira fase da chamada Revolução Puritana.

O último rei absolutista

As disputas com o monarca acabaram levando o Parlamento a dividir-se em duas facções políticas que se definiram mais claramente a partir dos debates sobre a sucessão de Carlos II: os tories e os n’higs. Os primeiros eram conservadores e partidários do rei, apoiando o nome de Jaime Stuart (irmão de Carlos II) como herdeiro do trono. Já os whigs eram favoráveis à supremacia do Parlamento e faziam sérias restrições ao pretendente, um católico declarado.

Apesar dessa oposição. Jaime assumiu o trono com o título de Jaime II, quando da morte de seu irmão, em 1685. Jaime era um entusiasta do absolutismo, e não se preocupou em reabrir o Parlamento, fechado por Carlos II, em 1682. Apoiando-se no Exército, que foi reorganizado sob seu comando, procurou governar com mão de ferro, favorecendo os católicos e revogando o BilI of Test. Essas medidas levaram o país à beira de uma nova revolução.

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