Renascimento Cultural e Científico – Características do que é


renascimento

 

Nesse artigo você saberá tudo sobre o Renascimento, essa importante etapa da História da humanidade. Confira os tópicos abaixo.



O que foi o Renascimento

O Renascimento foi um contexto cultural que marcou a profunda transição dos valores e das tradições medievais. Vários acontecimentos marcaram essa etapa da História: o declínio do sistema feudal e o crescimento do comércio, e a invenção ou a aplicação de tais potencialmente poderosas inovações como o papel, a impressão , A bússola do marinheiro e a pólvora. Para os estudiosos e pensadores do dia, no entanto,

Uma revolução cultural

Por volta do século XIII, os indivíduos mais apreciados passaram a ser os que conheciam línguas estrangeiras e se fechavam nas bibliotecas e nos laboratórios científicos. Esses homens pesquisavam os mistérios da natureza e descobriam leis imutáveis. Manipulavam a técnica, projetando e construindo artefatos prodigiosos.

E, ao mesmo tempo, podiam comover-se diante de um quadro, escutando determinada música ou simplesmente lendo uma poesia. Naturalmente, nos bastidores da grande reviravolta estavam príncipes e soberanos que acolhiam e sustentavam os sábios modestos em sua corte, e muitas vezes os convidavam para educar seus filhos.



Formados por essa nova casta, os filhos dos poderosos adotavam os gostos e as atitudes de seus mestres. Essa revolução marcou a passagem do fim da Idade Média e o renascer da Europa moderna: o Renascimento, movimento estético e cultural que teve início na Itália entre os séculos XIV e XV.

O que determinou o Renascimento foi a descoberta do humanitas, palavra latina que deu origem ao termo humanismo.

 

O primeiro passo

Muitos padres eram encarregados de lecionar nas escolas paroquiais, organizadas pela Igreja, e nas universidades, que se multiplicavam pela Europa. Foi então que começaram a ser divulgadas as obras de autores Contemporâneos e também as antigas, conservadas nas bibliotecas dos mosteiros.

O efeito provocado foi de total estupor. Admirados, os homens começaram a refletir. Como aqueles escritores pagãos, dizendo tantas coisas importantes, podiam ser considerados suspeitos pela Igreja? Platão, por exemplo, com um raciocínio impecável, demonstrara a existência da alma, uma alma imortal desejando retornar ao Deus que a criara. Parecia referir-se a uma alma cristã, mas o filosofo havia morrido 350 anos antes de Cristo nascer. Era difícil crer que tanta riqueza humana estivesse contra Deus.

O mais provável era que Deus tivesse concedido a esses grandes espíritos pagãos o dom de ensinar a verdade aos homens; ou tivesse indicado os instrumentos (como o raciocínio filosófico, por exemplo) que iriam mais tarde auxiliar os estudiosos a compreender melhor o próprio cristianismo.

O fato é que os eruditos católicos que se ocupavam do ensino tinham uma preocupação: derrotar todos os possíveis adversários da Igreja. Para isso se utilizavam cada vez mais de argumentos e métodos de raciocínio dos antigos, como o fez Santo Tomás de Aquino (1225-1274), autor de uma obra teológica monumental, de raciocínio estruturado sobre os argumentos do grego e pagão Aristóteles.

Rompem-se as barreiras

monalisa - renascimento cultural



O pensamento antigo desembocava, assim, sem nenhuma dificuldade, no pensamento medieval. As barreiras tinham-se rompido. O ensinamento dos antigos mestres gregos e latinos rapidamente se difundiu da teologia para os campos da filosofia, ciências, literatura e arte.

E então aquilo que Cícero denominou humanitas invadiu a Europa. No entanto, para a sociedade que emergia da Idade Média tratava-se de um novo humanismo. Nascido nas cidades e comunas que, na época, lutavam por sua autonomia, o Humanismo renascentista repudiou a ordem e a hierarquia impostas pela Igreja, e pelo feudalismo, nas quais o homem ocupava um lugar insignificante e inalterável.

Em contraposição, os novos humanistas, formados à sombra do mercantilismo e da autonomia das cidades-Estado italianas, iriam exaltar a dignidade do homem, proclamando que sua liberdade podia e devia ser exercida em relação à natureza e à sociedade.

AS TRANSFORMAÇÕES MATERIAIS DO RENASCIMENTO

A luz do Renascimento difundiu-se das cidades italianas para as cidades francesas e destas para as do sul da Alemanha, para a região da Flandres e, enfim, para o resto da Europa. A nova cultura se espalhava seguindo a rota do dinheiro. O seu nascimento na Itália não se devera a uma genialidade maior do povo da península, mas porque ali se observaram as condições mais propícias para desencadear o movimento.

 

 

Por que o renascimento começou na Itália?

No século XIV a Europa era um continente em plena expansão econômica. Foram, porém, as cidades italianas, favorecidas pela posição geográfica, as primeiras a tirar vantagem das transformações observadas no final da Idade Média. As cidades italianas foram as principais beneficiárias do restabelecimento comercial com o Oriente.

Por muito tempo, os portos de Veneza, Nápoles, Gênova e Pisa monopolizaram o comércio mediterrâneo; por extensão, os mercadores de Florença, Bolonha e cidades lombardas firmavam eixos comerciais entre a Europa do sul e a do norte. Esses fatos geraram notáveis progressos econômicos, proporcionando grande desenvolvimento intelectual e artístico.

Em 1544, por exemplo, o comércio internacional e as manufaturas proporcionaram a Veneza um lucro de 800 000 ducados, comparável ao dos grandes remos da Espanha e da França, e muito superior ao da Inglaterra e de outras ricas cidades italianas como Milão e Florença. Além das condições econômicas propicias, a Itália possuía vigorosa tradição clássica.

Preservava a herança cultural dos antigos romanos e, devido à sua localização, recebera a influência da civilização bizantina. Por outro lado, as rivalidades comerciais entre as diversas cidades acabaram estimulando a produção artística e literária: os “príncipes” italianos encontravam nas letras e nas artes uma forma de manter prestígio, alimentar a vaidade e adquirir mais e mais poder.

Uma revolução econômica: novas rotas marítimas

No entanto, a divisão política da Itália, que tanto colaborara para o Renascimento, acabara sendo uma das causas da decadência da própria Itália. Da metade do século XV em diante, os italianos começaram a perder a sua primazia econômica, enquanto outras regiões tomavam o seu lugar: Flandres e Países Baixos, França, Alemanha centro-meridional, Inglaterra, bem como as cidades do norte da Alemanha e da região báltica, reunidas na Liga Hanseática.

O surgimento de novas rotas marítimas de comércio com o Oriente, a descoberta da América e a conquista de grandes impérios coloniais iriam determinar o início de uma era de prosperidade e a formação de potências colossais: num primeiro momento Portugal e Espanha e, de maneira mais duradoura, grandes Estados nacionais (França e Inglaterra). Ao mesmo tempo, tanto no campo da tecnologia e da ciência, como no mundo dos negócios e na organização dos trabalhadores, preparava-se outro tipo de revolução, que os estudiosos denominam “sistema pré-capitalista”.

Predomínio do dinheiro, artes e criatividade no renascimento

No renascimento ocorreu o predomínio do dinheiro, das artes e da inteligencia e criatividade humana. Nos primeiros séculos da Idade Média, os “poderosos” da Europa eram os nobres e os senhores feudais, ou seja, os grandes proprietários de terras. A terra era o “bem” econômico fundamental daquela época, uma vez que a agricultura representava a principal atividade humana. Nos últimos séculos do período medieval surgiram, porém, dois novos personagens: os mercadores e os banqueiros, isto é, os donos do dinheiro.

Esses também possuíam terras, poder político, palácios, mas a sua força residia no fato de eles disporem de capital (dinheiro, mercadorias, e até títulos, ou seja, promissórias assinadas por uma pessoa de posses, como garantia de pagamento de dividas).

Muito embora as terras também produzissem riquezas, era necessário esperar o amadurecimento dos frutos e fazer as colheitas, a fim de que o capital “investido” entrasse novamente em atividade: compra e venda de outros produtos, aquisição de matérias-primas, fabricação de bens de consumo etc. A grande transformação que se observava a partir do século XV era o dinheiro assumindo a liderança na ordem dos valores, pois só ele podia ser aplicado nas mais variadas atividades lucrativas; enquanto isso a agricultura se tomava cada vez menos importante.

Muda a organização do trabalho

Ouve uma profunda mudança de trabalho no renascimento. Até o século XV a carga de um único navio era suficiente para fazer a fortuna de um comerciante. No fundo, nessa empreitada era necessário mais coragem que capital para comprar um produto em determinado lugar e revendê-lo com vantagem em outro; num outro aspecto, para organizar um comércio de tecidos bastava distribuir a lã entre diversas famílias de camponeses, para ser fiada, tecida e tingida, e então recolher o produto acabado, pagando aos trabalhadores. Esse estado de coisas, porém, foi sofrendo mudanças radicais.

A concorrência internacional, devido à prosperidade econômica de várias regiões na Europa, exigia que os negócios fossem realizados em larga escala. Era preciso dispor de um grande capital para se conseguir não apenas cinco ou seis fardos de lã, mas as cargas de diversos navios; ou para pagar os agentes que compravam as matérias-primas; ou para colocar as mercadorias nas praças de Lisboa e Londres, Paris e Nuremberg.

Como, individualmente, era difícil levantar tal montante de dinheiro, organizava-se uma sociedade, ou seja, constituía-se uma empresa.

Os sócios entravam cada um com uma parte do capital; em seguida esses mesmos sócios ou a diretoria designada empregavam o capital na compra de mercadorias ou na produção de tecidos, armamentos, móveis e outros manufaturados; por fim, concluídos os negócios, calculavam-se os lucros, que eram distribuídos entre os sócios na proporção do capital aplicado.

Não havia mais lugar para o mercador individual, o pequeno artesão, o mestre de oficina com aprendizes; todos esses foram lentamente sendo afastados do mercado pela concorrência das poderosas empresas comerciais