Proclamação da República: O que foi e Como Foi


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Insurreição popular ou via eleitoral? No Congresso do Partido Republicano ambas as opções foram rejeitadas pela perspectiva de uma solução militar, concretizada a 15 de novembro de 1889. Naquele dia ocorreu a Proclamação da República.

Proclamação da República

Em maio de 1889, o Congresso do Partido Republicano assistiu ao confronto entre duas alas profundamente hostis, a dos “radicais” e dos “moderados”.



A primeira, liderada por Antônio da Silva Jardim, jovem e vibrante tribuno abolicionista, voltava-se contra a perspectiva ameaçadora de um Terceiro Reinado e pregava a necessidade de uma sublevação popular ainda em 1889. cem anos após “o ano excepcional” em que teve início a Revolução Francesa.

— Porque a nação brasileira pede reformas e a monarquia é incapaz de decretá-la: e quando não vem a reforma, que é a revolução governamental, é mister que se faça a Revolução, que é a reforma popular”.

A “solução militarista”

A corrente moderada insistira durante anos na tática eleitoral. com resultados medíocres. Sua proposta basicamente federalista parecia condenada à derrota.



Foi então que o líder moderado Quintino Bocaiúva criou uma nova correlação de forças, obtendo o apoio daqueles que aceitariam qualquer solução republicana, desde que viável a curto prazo.

Abandonando a tática eleitoral, Bocaiúva isolou os partidários da “desordem” – isto é, da intervenção das massas populares – e aproximou os fazendeiros e os setores republicanos do Exército.

Em vez do federalismo das elites rurais, a Proclamação da República nasceria sob o signo da espada, dentro da ”ordem” e da “disciplina”, tal como desejavam os militares, positivistas e republicanos ou não.

A ”solução militarista” colocou-se pouco depois, ao serem recusadas pela Câmara as propostas liberais de reforma sugeridas em junho por Afonso Celso de Assis Figueiredo, visconde de Ouro Preto, presidente do último gabinete do Império.

A recusa acarretou a dissolução da Câmara, prevendo-se a instalação de um novo Parlamento a 20 de novembro. O regime imperial caiu antes disso.

A República, em nome do Exército

Nos primeiros dias de novembro circulavam no Rio de Janeiro inúmeros boatos, todos referentes ao deliberado enfraquecimento do Exército. A Guarda Nacional, dizia-se, receberia armamento pesado, inclusive artilharia Krupp; a transferência de um batalhão para o Amazonas era apresentada como remanejamento sistemático de tropas influenciadas pelas idéias republicanas.

Foi em nome da defesa da corporação armada que o marechal Deodoro da Fonseca, herói da Guerra do Paraguai e um dos mais respeitados lideres da oficialidade, aproximou-se de Rui Barbosa, Quintino Bocaiúva, Campos Sales e outros republicanos civis e se dispôs a dirigir o movimento, a ser deflagrado “até o dia 20”.

A 14 de novembro, o Governo ordenou o afastamento da capital de dois regimentos favoráveis a Proclamação da República. A notícia circulou imediatamente, complementada pelos boatos da prisão de líderes republicanos, civis e militares. A partir desse momento, a crise se precipitou.



A Escola Militar e alguns batalhões rebelaram-se contra a perspectiva de prisão de Deodoro e Benjamim Constam; este último juntou-se à tropa, para não ser preso; Deodoro fez o mesmo, encontrando os soldados já em marcha – e seguiu à frente de seiscentos homens para o Campo de Santana.

Conta-se que Ouro Preto ordenou a Floriano Peixoto que expulsasse “aqueles desordeiros”; este teria respondido que os canhões usados contra paraguaios jamais se voltariam contra brasileiros.

Enquanto o Ministério, impotente, se demitia, Benjamim Constam e José do Patrocínio dirigiram-se à Câmara Municipal, conclamando as Forças Armadas pela Proclamação da República. Partiram a seguir para a casa de Deodoro; o marechal, enfermo e preso ao leito, acatou a solução da Proclamação da República.

Mas só no dia 16 é que o público teve conhecimento do ato de proclamação da República, assinado pelo marechal Deodoro da Fonseca.

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Imagem- historiabrasileira.com