Povos Bárbaros – Quem eram, Invasão aos Impérios e Origem

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Do ponto de vista da História ocidental, o Império Romano constituía, em sua época de apogeu, um centro mundial de civilização.

Mas, fora de suas fronteiras, outros povos criaram culturas originais, alcançando uma desenvolvida organização social. A esses povos, que não falavam latim e não estavam sob o domínio do império, os romanos chamavam “Povos bárbaros“.

A ROMANIZAÇÃO DAS TRIBOS GAULESAS

No século V a.C., tribos gaulesas ocuparam todo o norte da Itália, chegando até Bolonha e atingindo o litoral do Adriático.

Em 390 a.C., seus guerreiros saquearam a cidade de Roma, retirando-se após o pagamento de um resgate. O contato entre gauleses e romanos, na maioria das vezes hostil, terminaria por estender as instituições romanas por toda a Europa ocidental.

Povos Bárbaros- Tribos germânicas

Esses “povos bárbaros” que devastaram a Gália e a Itália, com a mesma eficácia, eram os povos bárbaros, tribos nômades que dominavam a Europa central e oriental.

Os gauleses os temiam muito antes da conquista de César, e os romanos, depois de perderem algumas legiões ao tentar dominar suas florestas sombrias, adotaram uma estratégia defensiva e procuraram contê-los mediante a construção de milhares de quilômetros de fronteiras fortificadas. do Reno ao Danúbio.

A guerra como vocação

Em alemão antigo Ger significa lança e Mana quer dizer homem, bárbaro, portanto, seria “o homem da lança”, “o lanceiro”, “o guerreiro”.

Embora essa interpretação da palavra “germano” seja controvertida, pois muitos estudiosos reivindicam a dominância da origem latina (germanus = irmão), a designação de guerreiros é muito apropriada para os povos que viviam há 2 000 anos junto às fronteiras setentrionais do Império Romano.

Para os povos bárbaros, a guerra era a única ocupação digna de um homem livre. E os guerreiros livres constituíam o segmento mais alto de sua sociedade.

Regularmente, durante o verão, empreendiam incursões pelos territórios vizinhos para realizar saques. No inverno, tempo de paz, as tribos dedicavam-se ao artesanato, ao comércio ou à criação de animais “nobres” como os cavalos.

Agricultura e criação de gado eram tarefas reservadas aos aldi (escravos semilivres), aos leti (membros de outras tribos germânicas dominadas) ou aos escravos propriamente ditos (prisioneiros de guerra de origem não germânica).

Olho por olho, dente por dente

A unidade social que determinava o sistema de parentesco entre os guerreiros livres, os arimani, chamava-se sippe, que quer dizer família, estirpe. Uma ofensa a um dos membros da sippe era assumida por todo o grupo.

“Olho por olho, dente por dente, sangue por sangue” – vingar uma ofensa era dever sagrado. Paralelamente, as sippe funcionavam como unidades de combate.

Durante a batalha, a sippe avançava numa formação em cunha. A ponta da cunha era ocupada pelo guerreiro que fora eleito chefe absoluto pela assembléia de nobres e arimani, investido de plenos poderes enquanto durassem as hostilidades.

A Assembléia dos Guerreiros

Os povos bárbaros nunca constituíram um Estado unificado. Cada sippe era uma unidade independente e dominava um determinado território, permanecendo ali por um tempo variável. O principal organismo de governo era a Thing ou Ding: a Assembléia dos Guerreiros.

Composta pelos nobres e arimani, a assembléia reunia-se periodicamente ao ar livre, à sombra de um grande carvalho ou de alguma outra árvore considerada sagrada.

A assembléia devia tomar todas as decisões de caráter básico: quando se deslocar em busca de um território mais fértil; quando estabelecer relações comerciais com outros povos; de que modo organizar os trabalhos coletivos; como regrar a vida cotidiana.

Funcionava também como tribunal, aplicando as leis tradicionais. Quando se tratava de tomar decisões de maior importância, era convocada a assembléia denominada “Campo de Maio”. Nessas ocasiões eram planejados os futuros empreendimentos militares e eleitos os reis, os chefes militares e os duques, cargos que, com o passar do tempo, se tornaram hereditários.

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A religião dos povos Bárbaros

O rei e os duques desempenhavam também a função de sacerdote. Interpretavam a vontade dos deuses, realizavam sacrifícios de animais e oferendas de primícias (primeiros frutos dos campos e dos bosques), dirigindo anualmente as festas sagradas.

Havia três divindades especialmente veneradas pelos : a deusa-mãe Nerthus (ou Freja, ou Hertha), que simbolizava a fecundidade da terra, dos rebanhos e das mulheres dos guerreiros; Wotan ou 0dim, deus da guerra e senhor dos mortos nas batalhas; e thor ou Donar, deus do trovão, amigo dos homens e dos artesãos em especial (sua arma simbólica era um martelo mágico). Mas havia também divindades menores, “espíritos” das florestas, das árvores, das fontes e de algumas pedras.

Áreas de influência germânica

As populações germânicas tinham origem indo-européia e se estabeleceram no centro-sul da Europa a partir do terceiro milênio antes da era cristã. Ampliando gradativamente os territórios dominados, dividiram-se em três grupos principais.

Os “germanos setentrionais” rumaram em direção da Escandinávia, dando origem aos atuais dinamarqueses, suecos e noruegueses. Os “germanos orientais” migraram para as terras a leste do rio Elba, chegando até o litoral do mar Negro.

Relações com os romanos

No entanto, romanos e germanos não se relacionavam apenas na guerra. Havia uma certa regularidade em suas transações comerciais, quando os germanos trocavam objetos de ferro, peles, couros, animais e escravos por trigo e vinho produzidos no Império Romano.

Suas relações aprofundaram-se quando algumas populações germânicas da fronteira se tornaram confederadas, isto é, aliados militares dos romanos.

Enfim, quando a retidão e a capacidade militar dos guerreiros germanos se tornaram famosas no Império Romano, os imperadores passaram a exigir que sua guarda especial fosse formada exclusivamente por soldados germânicos.

Os Cavaleiros Estepes

A leste do território das tribos germânicas, nas estepes da Rússia meridional – uma região que se estendia do mar Negro às fronteiras do Império Chinês -, viviam numerosíssimos povos nômades.

Da maioria não se conhecem sequer os nomes, e nenhum deles chegou a construir uma unidade política; eram aglomerados de tribos de pastores que se deslocavam em hordas, conduzindo seus rebanhos, utilizando carroças para o transporte e acampando sob barracas de peles.

Notabilizaram-se como guerreiros. Eram exímios arqueiros e dispunham de uma cavalaria extremamente organizada, que lhes possibilitava manobras ágeis e rápidas retiradas. Os hunos foram os mais famosos dos guerreiros das estepes.

O historiador latino Amiano Marcelino faz deles uma descrição impressionante: “São fortes, robustos, com o pescoço grosso e aspecto monstruoso ( … ).

Em suas migrações, o gado e as famílias os seguem em carros; é ai que as mulheres fiam, cosem, dão à luz os filhos e os criam ( … ). Os homens permanecem pregados nos cavalos, sobre os quais fazem tudo: reúnem-se em assembléia, compram e vendem…”.

Quando esses cavaleiros começaram a pressionar seus vizinhos germânicos, estes se precipitaram sobre o império, nas chamadas invasões dos povos bárbaros.

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Imagem- idademedia.wordpress.com          cleofas.com.br

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