Piratas – Os ladrões do mar do mar na História

Piratas

Nessa época, como não mantinha uma esquadra permanente, Roma precisou contratar os serviços de pintas para enfrentar os hábeis marinheiros de Cartago, com a qual estava em guerra. Surgiram assim os primeiros corsários. Mais tarde, Roma passou a ser a principal potência marítima, vendo-se obrigada, para proteger o florescente comércio que mantinha com outras regiões, a combater seus mercenários da véspera.

Os primeiros a sofrer os efeitos de suas ações de “limpeza” foram os piratas ligúricos (século III a.C.); depois foi a vez dos ilíricos (século 11 a.C.), que infestavam o Mediterrâneo.

Apesar disso, os “ladrões do mar” voltavam sempre, saqueando cidades e chegando mesmo a raptar cidadãos romanos. Entre 78 e 68 a.C., o general Quintos Caecilius Meteilus lançou contra eles três grandes campanhas de extermínio. Esse esforço de guerra, porém, revelou-se inútil, pois os piratas ocultavam-se entre os rochedos, nos golfos e enseadas.

Foi então que Cnaeus Pompeius Magnus (106-48 a.C.) resolveu adotar uma nova estratégia: dispondo de cinqüenta navios, vinte legiões e 120 000 homens, dividiu o Mediterrâneo em setores e deu início a urna metódica e implacável caçada. Em apenas quarenta dias, destruiu 120 esconderijos na Cilícia, apresou 850 barcos, matou 10000 piratas e prendeu outros 20000, acabando com a pirataria no Mediterrâneo. Sob o imperador Augusto (63 a.C.-14 d.C.), Roma criou sua marinha Permanente, e até o século III não se .ouviu falar mais de piratas.

 

Vikings – os Piratas Reis do Mar

Durante a Idade Média, os vikings, chamados “os reis do mar”, desceram da Escandinávia em navios praticamente insubmergíveis, que combinavam remo e vela e tinham até 25 m de comprimento por 5 de largura. Depois de saquearem a Escócia e a Inglaterra, chegaram ao continente europeu no século IX.

A França não conseguiu resistir aos terríveis piratas, e Carlos, o Gordo, só se livrou deles porque deixou que a Borgonha fosse saqueada. Em 911, Carlos, o Simples, teve de ceder-lhes outra província, que foi batizada de Normandia – “a terra dos homens do norte”. A partir de 1492, navios piratas voltaram a infestar o mar Mediterrâneo.

Foi nesse ano que caiu o último baluarte da dominação árabe na Espanha, o que tevou os mouros a se refugiarem nas costas da África (Marrocos, Argélia e Egito), que ficaram conhecidas como costas “barbarescas”, devido à população berbere (moura), que se concentrava ali. Os piratas barbarescos passaram então a assaltar as frotas cristãs carregadas de mercadorias, que percorriam as rotas do Mediterrâneo.

Embora agindo por iniciativa própria, eles eram bem-vistos pelo império turco, que desejava enfraquecer economicamente a Espanha, a Itália, e a França, seus eternos inimigos. Nessa época, ficaram famosos dois irmãos piratas, nascidos na ilha grega de Lesbos: Urudj e Khair, o Barba-Roxa.

Mais tarde, Barba-Roxa tornou-se almirante da esquadra turca e criou o “Estado pirata barbaresco” (talvez o único da História), que durou até 1830. Os mais famosos piratas da época – entre os quais o albanês Murad ra’is, o turco Dragut e o calabrês Occhiali – serviram sob sua bandeira.

O Aflântico, palco de batalhas dos piratas

Com as navegações portuguesas e espanholas, o eixo do comércio deslocou-se do Mediterrâneo para o Atlântico. Derrotada em Lepanto, a pirataria barbaresca entrou em declínio.

Surgiu, então, a pirataria cristã, moderna, que se manifestaria, a princípio, sob o manto de razões patrióticas e religiosas. Assim, os ingleses, que eram protestantes, atacavam de preferência os barcos pertencentes a nações católicas (Portugal e Espanha).

Em 1591, por exemplo, o corsário inglês flomas Cavendish saqueou a cidade de Santos, no Brasil, ocupando-a durante dois meses. Quatro anos depois, outro corsário inglês, sir James Lancaster, ajudado pelos franceses Venner e Noyer e por holandeses, atacou o Recife com onze navios, obrigando a população da Cidade a fugir para Olinda. Durante o reinado de Elizabeth 1, a Inglaterra protegeu os piratas que hostilizavam Filipe 11, como rir Francis Drake e George de Clifford, conde de Cumberland.

Mas os anos de ouro da pirataria só teriam início em 1650, quando, terminada a Guerra dos Trinta Anos, centenas de ex-soldados, agora desempregados, passaram a viver da pirataria nos agitados mares da América Central. Suas aventuras tomaram-se célebres, transfor mando-se, mais tarde, em tema da literatura romântica.

E foi através dos livros de dois cronistas da época, Alexander Olivier Oexmelin (Os Aventureiros do Mar na América, 1678) e Charles Johnson (História dos Piratas, 1724), que a fama desses bucarieiros (como também eram chamados os piratas) chegou até nós. Por essa época, várias ilhas do Caribe, como a de Tortuga, ao norte de San Domingos, e a da Vaca, próxima à Jamaica, eram conhecidas como “terra de piratas”.

Tortuga chegou a ter um governador, D’Ogeron, que recebia 10% das riquezas pilhadas e desembarcadas na ilha. Os grandes piratas eram, então, Henry Morgan, Pierre le Grand, Pierre Franc, Alexandre, conhecido como “Braço-de-Ferro”, e Roc, cognominado “o Brasileiro”, mas que era holandês. Em 1688, a rivalidade entre a França e a Inglaterra pôs fim à solidariedade dos “Irmãos da Costa”, espécie de confraria que congregava os piratas de distintas nacionalidades que agiam no mar das Antilhas.

Era o início do fim. Sem apoio oficial e as famosas cartas de corsários, a pirataria entrou num lento declínio. Nas primeiras décadas de 1700, apenas alguns nomes ainda infundiam terror: Edward Tach, o Barba-Negra (decapitado pelo tenente Maynard, em 1718), Steve Bonnet, o capitão Lewis, Edward Davis, Calico Jack e duas mulheres – Anne Bonny e Mary Read. Um dos mais refinados piratas que viveram nessa época foi Bartholomew Roberts.

Vestia-se de damasco vermelho, estampado com flores de ouro, e levava uma cruz de brilhantes ao pescoço.

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