Oligarquia no Brasil – O que foi? Governo

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Com Floriano Peixoto encerrava-se o período de governos militares do início da República. Prudente José de Morais Barros, primeiro presidente eleito pelo voto direto, representava os cafeicultores paulistas, que, finalmente, tomavam as rédeas do regime republicano.

A partir de então, o primeiro plano da cena política seria ocupado pelos poderosos de cada Estado (donos de terras, grandes comerciantes e bacharéis vinculados a essas oligarquias no Brasil).

Os partidos republicanos

Após a proclamação da República, o Brasil passou a ser uma Federação de Estados que guardavam certa autonomia entre si; refletindo essa situação, os partidos políticos deixaram de ser nacionais para se organizarem dentro das fronteiras de cada Estado.

Assim surgiram os vários PRs (Partidos Republicanos), que defendiam os interesses fundamentais das oligarquias regionais.

A política dos governadores

Na sucessão de Prudente de Morais, o PRP ainda conseguiu impor o nome do paulista Manuel Ferraz de Campos Sales, que assumiu a 15 de novembro de 1898. Mas faltava ao novo presidente um instrumento político através do qual o Governo federal pudesse impor sua autoridade aos demais Estados.

O problema era particularmente grave porque a Campos Sales e a seu ministro da Fazenda, Joaquim Murtinho, Cabia implantar um regime de austeridade financeira que, certamente, enfrentaria a oposição popular. Era o poder das Oligarquias no Brasil em seu conjunto que se via ameaçado.

Para atingir seus objetivos, Campos Sales instituiu a chamada “política dos governadores”, espécie de pacto de poder entre o presidente da República e os poderosos de cada Estado.

A nível estadual, os governadores – ou presidentes, como eram chamados na época – comprometiam-se a eleger para o Congresso Nacional políticos que se curvassem às propostas do Executivo federal. Em troca, este não deveria interferir nas eleições dos Estados.

Como a disputa eleitoral era toda ela decidida através da fraude, conduzida pelas polícias estaduais ou pelos capangas dos fazendeiros, bastava aos governadores controlar os coronéis do interior para eleger quem eles quisessem.

Se algum chefe local mandasse ao Congresso deputados que não estivessem perfeitamente afinados com a “política dos governadores”, o esquema das Oligarquias no Brasil ainda contava com a Comissão de Verificação de Poderes.

A Oligarquia no Brasil

A “política dos governadores” praticamente congelou a situação política a nível regional. Nos Estados mais desenvolvidos, como São Pauto e Minas Gerais, o Governo era exercido por uma espécie de colegiado das Oligarquias no Brasil, uma aliança das famílias mais poderosas, solidificada através de inúmeros casamentos entre seus integrantes.

Já nos Estados mais pobres, como os do Norte, Nordeste ou Brasil central, o poder, muitas vezes, pertencia a uma única família; era o caso dos Accioly, no Ceará. ou dos Rosa e Silva, em Pernambuco, O Rio Grande do Sul, mesmo não sendo um Estado pobre, foi governado durante trinta anos por um único homem: Borges de Medeiros, sucessor de Júlio de Castilhos.

Apoiando as Oligarquias no Brasil e sendo apoiado por elas, Campos Sales, nos quatro anos de seu mandato, teve as mãos livres para implantar uma política econômica profundamente antipopular. A 15 de novembro de 1902, o trem que o levava de volta a São Paulo foi apedrejado no Rio de Janeiro por uma grande multidão revoltada com o desemprego e a carestia.

Pouco antes, Francisco de Paula Rodrigues Alves havia assumido o governo da República. O novo presidente também era paulista e cafeicultor, uma clara indicação de que a “política dos governadores” funcionara a contento, apesar do repúdio popular.

Política do Café com Leite

Rodrigues Alves herdou uma economia restabelecida e muito dinheiro em caixa. Assim, pôde realizar um amplo programa de obras públicas, remodelando o Rio de Janeiro e saneando a cidade através de programas de saúde conduzidos pelo médico Osvaldo Cruz.

No entanto, em nome dos compromissos assumidos com os bancos estrangeiros, recusou-se a socorrer a cafeicultura, agravando os problemas da economia nacional e ferindo os interesses das Oligarquias no Brasil. No final de seu mandato, Rodrigues AIves indicou o paulista Bernardino de Campos como seu sucessor.

O PRM, porém, mostrou-se contrário, decidindo eleger um presidente mineiro. Minas Gerais era o Estado mais populoso da Federação, e possuía, por este motivo, a maior bancada no Congresso. Assim, desde os tempos de Prudente de Morais, o apoio dos mineiros tornara-se fundamental para que o PRP pudesse fazer os presidentes da República.

Chegara o momento de Minas cobrar esse apoio. Indicado pelo PRM, o mineiro Afonso Augusto Moreira Pena assumiu a presidência a 15 de novembro de 1906. Sua escolha, mesmo contra a opinião de Rodrigues Alves, não chegava a representar uma ruptura no bloco dominante.

Ao contrário, Afonso Pena tinha o apoio não somente dos cafeicultores de seu Estado mas também da cafeicultura paulista, e se comprometia a levar adiante-o plano de valorização do café. Ao mesmo tempo, sua escolha evidenciava que a solitária hegemonia de São Paulo chegara ao fim.

A partir de então, paulistas e mineiros revezar-se-iam na presidência, aliando-se contra os Estados menores. São Paulo dependia do café, Minas Gerais era um grande produtor de laticínios – o novo esquema de poder passou a ser conhecido como “política do café com leite”.

 

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Imagem- http://slideplayer.com.br

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