Movimento operário – Causas e Como Terminou

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O Brasil republicano recrutou seus operários basicamente entre os milhares de imigrantes que, desde as últimas décadas do século XIX, desembarcavam todos os anos em seus portos, mão-de-obra requerida pela expansão da cafeicultura.

Na primeira oportunidade, esses trabalhadores abandonavam as fazendas; em São Paulo, o centro fabril mais dinâmico do país, os italianos logo formaram a maioria do proletariado.

Com eles, além de capacidade técnica, o Brasil receberia uma consciência especificamente operária, forjada em ásperos conflitos na Europa, referentes às relações entre capital e trabalho. estava por vir o grande Movimento operário.

O anarquismo e o Movimento operário

Nos primeiros vinte anos deste século, o movimento operário brasileiro esteve sob a forte influência do anarquismo, corrente política nascida entre os socialistas europeus na segunda metade do século XIX.

O principal teórico anarquista foi o russo Mikhail Bakunin, contemporâneo de Karl Marx, que, como este, pregava a destruição do sistema capitalista e a sua substituição por uma sociedade sem classes.

Ao contrário dos marxistas, porém, os anarquistas acreditavam que esse regime ideal poderia prescindir de qualquer forma de governo: o Estado, diziam, servia apenas para oprimir o indivíduo.

Da mesma forma, para não renunciar a sua liberdade integral, os anarquistas não aceitavam organizar-se em partido político. Defendiam os sindicatos como únicos instrumentos de luta do proletariado e a greve como sua arma mais poderosa.

Os sindicatos

Embora tenham surgido várias organizações operárias no Brasil já no final do século XIX, foi só a partir de 1903 que o Movimento operário sindical começou a ganhar importância. Nesse momento, os trabalhadores em indústrias têxteis eram a mais numerosa categoria operária.

Outros, porém, como os ferroviários e os gráficos, estavam mais bem organizados. As greves frequentes em São Paulo, Rio de Janeiro e Santos faziam destas cidades os principais focos de lutas operárias.

Em 1906 foi realizado, no Rio de Janeiro, o 1 Congresso Operário Brasileiro; dois anos depois surgiu a Confederação Operária Brasileira (COB). Primeira entidade de caráter nacional do proletariado brasileiro, a COB teve importante papel nas lutas do período, batendo-se pela redução da jornada de trabalho para oito horas diárias, seguro contra acidentes, proibição do trabalho infantil, redução dos aluguéis etc.

Um caso de polícia

Na época, as reivindicações operárias eram encaradas como um simples “caso de polícia”. Empresários e Governo preferiam reprimir as greves e demais manifestações a negociar o atendimento às reivindicações. Os sindicatos não eram reconhecidos como interlocutores válidos nos conflitos de classe e, frequentemente, eram fechados pela polícia.

Ainda assim, o movimento operário conseguiu sair vitorioso em algumas lutas. Em 1907, por exemplo, uma greve geral agitou São Paulo e diversas cidades do interior, forçando parte do empresando a aceitar o regime de oito horas de trabalho, numa época em que, na maioria das fábricas, os operários eram obrigados a trabalhar catorze horas por dia sem receber pagamento adicional.

No entanto, essas conquistas eram temporárias, pois a indústria brasileira alternava momentos de grande expansão com fases de crise e falências.

Periodicamente, portanto, milhares de trabalhadores ficavam sem emprego. Nesses períodos as organizações de classe desarticulavam-se, o nível de luta diminuía e o operário, para não passar fome, aceitava qualquer regime de trabalho.

Todavia, durante a Primeira Guerra Mundial, as fábricas brasileiras conheceram uma das melhores fases de sua história. Temporariamente livre da concorrência dos produtos importados, o setor cresceu como nunca. Praticamente não havia mais desempregados no país.

A expansão industrial, no entanto, não foi acompanhada por aumento de salários, nem por melhoria nas condições de trabalho. No burburinho das fábricas, livre do fantasma do desemprego, o proletariado preparava novas lutas.

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A grande greve de 1917

As primeiras mobilizações operárias começaram em junho de 1917 nas fábricas têxteis de São Paulo. No início de julho, com a paralisação de 1 000 trabalhadores da cervejaria Antárctica, o Movimento operário cresceu cm intensidade.

Passeatas e piquetes percorriam os bairros fabris da capital paulista, enquanto a policia reforçava o esquema repressivo. No dia 9 de julho, a Força Pública abriu fogo contra um comício realizado em frente à Tecelagem Mariângela, do grupo Matarazzo, no bairro do Brás.

No tiroteio morreu o operário José Martinez. Seu enterro, realizado no dia seguinte, foi acompanhado por 10 000 pessoas; depois ocorreram tumultos, saques e depredações no centro da cidade.

No dia 14 a greve era geral, com cerca de 70 000 trabalhadores paralisados. São Paulo virou campo de batalha. Conta o anarquista Everardo Dias: ”Pelas ruas, afora alguns transeuntes apressados, só circulam veículos militares ( … ) com tropas armadas de fuzis e metralhadoras ( … ).

Lutas

Nos bairros fabris do Brás, Mooca, Barra Funda. Lapa, sucedem-se tiroteios com grupos populares; em certas ruas já começaram a fazer barricadas com pedras, madeiras velhas, carroças viradas e a polícia não se atreve a passar por lá, porque dos telhados e cantos partem tiros certeiros”.

O Movimento operário era dirigido pelo chamado Comitê de Defesa Proletária, formado, entre outros, pelos anarquistas Edgard Lcuenroth, Antônio Duarte e Gigi Damiani.

Esse organismo apresentou suas reivindicações num programa de sete pontos: 35% de aumento para os salários inferiores, proibição do trabalho para menores de 14 anos, abolição do turno da noite para mulheres e menores de 18 anos, respeito ao direito de associação, jornada de oito horas, congelamento dos preços dos alimentos e redução dos aluguéis em 50%.

Ante a força da greve os patrões aceitaram negociar, oferecendo 20% de aumento e garantia de que os grevistas a favor do Movimento operário não seriam demitidos. Ao mesmo tempo, o Governo paulista comprometia-se a fiscalizar as condições de trabalho, o preço e a qualidade dos alimentos e a libertar os grevistas presos.

A proposta foi aprovada em grandes comícios realizados no dia 15 de julho: na manhã seguinte os operários voltaram ao trabalho.

A repressão

A maré grevista a favor do Movimento operário iniciada em 1917 prolongou-se até 1920, com novos movimentos paredistas sucedendo-se na capital paulista, no interior do Estado, no Rio de Janeiro e em outras cidades do país.

O Governo, porém, passou a reprimir violentamente esses movimentos, fechando sindicatos, prendendo e expulsando do país os militantes anarquistas. No governo de Artur Bemardes (1922/26), as prisões encheram-se de sindicalistas.

A partir de 1930, quando o movimento operário voltou a se organizar, os anarquistas já haviam perdido muito de sua influência. Em seu lugar surgia o Partido Comunista do Brasil, fundado em 1922, sob o impacto das idéias e das experiências da Revolução Russa.

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Imagem-  blogsintese.com.br           brasileiros.com.br

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