Monarquia na Europa – Interregno, Reinos e Burguesia


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Neste artigo faremos um resumo sobre a Monarquia na Europa. Uma das principais características do feudalismo era a dispersão do poder público entre numerosos senhores feudais. A partir de um certo momento, porém, a burguesia em formação, interessada na constituição de mercados nacionais unificados, apoiou a luta dos monarcas pela centralização do poder.

BURGUESIA E ESTADO NACIONAL

Durante o apogeu do feudalismo (séculos X a XIV), o papa e o imperador do Sacro Império Romano-Germânico foram as duas máximas autoridades “universais”. Protagonistas de históricos e às vezes furiosos embates, eles dominaram, absolutos, o período em que a Europa compunha um mosaico de domínios territoriais envolvidos numa extensa rede de relações de vassalagem.



Já a partir do século XI, porém, a situa- ção começou a se modificar lentamente: na Itália e em outras regiões da Europa constituíram-se as comunas (cidades autônomas), frequentemente unidas em ligás que alcançaram grande poderio.

Pouco a pouco, as principais populações do continente formaram Estados, e a figura do rei se afirmou de modo indiscutível sobre os senhores feudais.

O processo de formação dos Estados nacionais europeus estendeu-se bem além da Idade Média, chegando a sua expressão acabada só depois da unificação da Itália (1866) e da Alemanha (1871) e do desmantelamento do Império Austro-Húngaro e do Império Otomano (1918, ao término da Primeira Guerra Mundial).



Entretanto, foi dentro do próprio feudalismo que teve início esse processo, e um dos fatores mais importantes para que ocorresse foi a formação de uma nova classe social: a burguesia (do latim, burgus = fortaleza; muitos castelos medievais originaram cidades, e burguês era o “cidadão”, isto é, o habitante das cidades).

Dedicados a atividades como empréstimos e outras transações financeiras, ao comércio, à exportação e à importação de mercadorias, os burgueses não eram nobres nem servos – eram a “classe média” do feudalismo.

Embora originários da classe aristocrática, os monarcas procuravam formas de se libertar dos intrincados laços de suserania e vassalagem, que faziam com que eles reinassem mas não governassem, pois seu poder era entravado pelos grandes feudatários, verdadeiros soberanos dentro de seus domínios.

Para os senhores feudais, o exercício da função estatal se confundia com o interesse privado, e eles tinham poderio suficiente para desfrutar monopólios, exigir taxas e serviços, e arrecadar impostos. Isso criava um antagonismo também com os burgueses.

Nos caminhos que percorriam, os usurários e comerciantes estavam sujeitos a ataques não só de salteadores como também dos ”homens de guerra” dos senhores feudais.

Além disso, em cada feudo por onde passavam, tinham que pagar pedágio, o que encarecia as mercadorias e diminuía os lucros. A burguesia, que tinha prestígio e dinheiro, não só apoiou politicamente a realeza como também a financiou.

Com os recursos fornecidos pelos burgueses, os reis deixaram de depender da ajuda militar da nobreza, e puderam constituir seus próprios exércitos. Essa aliança levaria ‘a formação dos Estados nacionais ou Estados-nações. Esse conceito se baseia na tradição jurídica segundo a qual o Estado é a nação politicamente organizada.

Os Estados modernos, contudo, formaram-se principalmente sobre bases econômicas, às vezes como resultado de guerras. Com isso, vários deles são multinacionais, abrigando grupos com tradições e interesses diferentes.



Na Espanha de hoje, por exemplo, três povos com língua e cultura próprias reivindicam autonomia: os bascos (que, do século IX ao XVI, constituíram o Reino de Navarra), os catalães (que tiveram em Barcelona um dos principais centros medievais e que tiveram importante papel na expansão do Reino de Aragão a partir do século XII) e os galegos (que integraram o Reino de Astúrias nos séculos IX e X).

O IMPÉRIO DECLINA, OS REINOS FLORESCEM

Na segunda metade do século XIII, a Itália estava desmembrada em Estados independentes. No norte, ao lado de Estados feudais, como o Ducado de Sabóia, encontravam-se várias repúblicas independentes como Milão, Veneza, Gê- nova, Florença e outras.

Eram núcleos de mercadores, onde o comércio, convenientemente protegido, desenvolvia-se, enriquecendo cada vez mais a burgue- sia.

No centro, onde se localizavam os, Estados Pontifícios, a característica era a luta constante entre as altas linhagens que disputavam a nomeação papal. Ao sul, havia o reino fundado pelos normandos no século XI (Nápoles e Sicília).

Foi nessa Itália dividida que se travou uma grande batalha envolvendo o papado e o império. Frederico II, rei da Sicília em 1198-1250 e imperador em 1220-1250, atraiu para sua corte em Patermo cientistas e homens de letras.

Entre seus planos estava a criação de uma espécie de confederação entre os vários Estados nacionais: França, Espanha, Portugal, Inglaterra, Hungria, Alemanha e Itália, sob a égide do Império Romano-Germânico.

Seus sonhos de poder chocavam-se no entanto com muitos interesses: do papado (império e papado guerreavam abertamente e Frederico foi excomungado três vezes), dos senhores feudais alemães (a quem não interessava o fortalecimento do poder central) das comunas italianas (que lutavam por uma autonomia cada vez maior); e dos franceses (que reivindicavam o Reno e os Alpes, territórios do império).

“Grande interregno”

período que sucedeu à morte de Frederico Ii caracterizou-se por um vazio de poder. Essa época – 1250-73 -, que ficou conhecida como o “Grande Interregno”, assinalou a desagregação do Império Romano-Germânico.

Ao mesmo tempo que, no seio da nobreza alemã, se reiniciava a luta entre as grandes famílias, desenvolvia-se nas cidades a atividade mercantil. Lübeck, Hamburgo e outros centros constituíram a Liga Hanseática, organização comercial que, principalmente no século XIV, dominada o comércio da Europa setentrional.

A decadência do império propiciou também o fortalecimento da ordem monástico-militar dos Cavaleiros Teutônicos, que, ao longo do século XIII, se dedicou a conquistar e a explorar economicamente as regiões habitadas pelos eslavos não cristãos.

As campanhas dos Cavaleiros Teutônicos, que se caracterizaram por extrema violência, reduziram populações inteiras à servidão; simultaneamente, burgueses alemães passaram a ser os senhores do comércio, das manufaturas e das atividades extrativas nas regiões submetidas.

O “Grande interregno” terminou com a eleição do imperador Rodolfo 1, de Habsburgo (1273), mas a hegemonia do império já estava abalada. Rodolfo procurou manter relações amistosas com o papado e garantiu para seus filhos o Ducado da Áustria e o da Estíria.

Internamente, porém, a Alemanha prosseguiu numa crescente divisão, desmembrando-se em um número cada vez maior de territórios independentes. O poder dos príncipes consolidou-se definitivamente em 1356, quando o então imperador Carlos IV promulgou a “Bula de Ouro”, que reconhecia aos donos das terras direitos soberanos em seus domínios.

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Imagem: coladaweb.com