Formação da Monarquia Francesa


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A monarquia francesa começou a se desenvolver sob a dinastia dos Capetos. Ao longo de três séculos e meio (987-1328), a França foi governada por treze soberanos descendentes de Hugo Capeto, que se tornou rei com a morte de Luís V, o último carolingio.

Caminho da França e sua Monarquia

As principais armas dos soberanos para consolidar o poder central e enfraquecer o dos grandes feudatários eram seu prestígio junto aos camponeses, aos artesãos, aos burgueses e ao clero (interessados numa realeza forte, capaz de defendê-los da arbitrariedade dos grandes senhores) e a estratégica localização dos domínios reais: entre os cursos médios dos rios Sena e Loire, as mais importantes vias de comércio da França central e setentrional.



Isto favoreceu enormemente a aliança real com os comerciantes, além de enriquecer os soberanos, que cobravam impostos pelas mercadorias negociadas. Essa medida, oficializada no reinado de Filipe II Augusto (1180-1223), garantiu à coroa excelente fonte de renda.

Foi esse Capelo, além disso, que enfrentou os Plantagenetas – linhagem dos reis da Inglaterra; lutou contra os filhos de Henrique II, Ricardo Coração de Leão e João Sem Terra – e retomou os feudos ingleses em solo francês: Anjou, Normandia e outros.

Aliado à burguesia, combateu o poder dos nobres. Organizou um exército de mercenários e centralizou a justiça por intermédio de bailios e senescais, funcionários da coroa que aplicavam a justiça em nome do rei. Filipe IV, o Belo (rei em 1285-1314), regulou o direito dos burgueses (1287), garantindo seu apoio e simpatia.



Anexou a Aquitânia, feudo inglês em território francês, e vários feudos do Império Romano-Germânico na França. Taxou os bens do clero e proibiu a remessa de ouro e prata para os Estados Pontifícios, o que provocou sua excomunhão.

Vingou-se fazendo prender o papa Bonifácio VIII (Benedetto Gaetano) e impondo, após sua morte, em 1303, a eleição de Clemente V (Bertrand de Gol, francês); além disso, transferiu a sede do papado de Roma para Avignon, cidade do sul da França. Por quase setenta anos (1309-78), os papas ficaram à mercê dos reis franceses, no chamado Cativeiro da Babilônia.

Depois do caos, a reorganização

A Guerra dos Cem Anos (1337-1453) interrompeu o processo de fortalecimento da monarquia na França. Os camponeses arruinaram-se e o comércio se desorganizou.

Eclodiram graves rebeliões: em março de 1358, os burgueses, tendo à frente Etienne Marcel, líder dos Estados-Gerais, pretenderam colocar a monarquia sob o controle de um conselho formado por nobres, clérigos e burgueses (os “três Estados”); em maio estourou a Jaqueria, sublevação de camponeses contra a servidão (“Jacques Bonhomme” era o nome dado pelos nobres aos camponeses).

A revolta foi brutalmente esmagada pelos exércitos da nobreza. Esta, atemorizada pela disposição revolucionária dos comerciantes e camponeses, passou a apoiar todas as reivindicações reais, e o poder político tornou-se mais centralizado ainda, reduzindo-se drasticamente as prerrogativas dos senhores feudais.

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Imagem: colegioweb.com.br