O que eram as Missões Jesuíticas

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Do Prata ao Amazonas, ao longo de todo século XVII, desenvolveu-se uma experiência de organização comunitária inquietante para todos os que exploravam o trabalho indígena. Foram as missões jesuíticas.

O que era as Missões Jesuíticas

A partir do terceiro governo-geral os jesuítas passaram a receber subsídios das autoridades portuguesas, o que lhes permitiu ampliar em muito a sua atividade missionária. Multiplicaram-se, então, as aldeias jesuíticas, onde os índios eram catequizados e aprendiam diversos ofícios.

Fora do âmbito dessas aldeias, porém, o índio era o —negro da terra”, presa cobiçada por aqueles que não tinham recursos para comprar escravos africanos.

Durante a União Ibérica. quando os holandeses e outros inimigos da Espanha criaram problemas para o tráfico de escravos africanos, fazendo aumentar no Brasil a procura da mão de obra indígena, os jesuítas decidiram deslocar seu trabalho de catequese para longe do alcance dos colonos espanhóis ou portugueses. Em 1610 surgiram as primeiras missões jesuíticas, na margem esquerda do rio Paranapanema.

Do Prata ao Amazonas

De 1610 a 1630, foram criadas missões na vasta região banhada pelos rios formadores da bacia platina – que abrange terras do Rio Grande do Sul, Uruguai, Paraguai e Argentina.

A difusão missioneira teve início pelo Rio Grande, com a formação, em 1620, das províncias do Tape, com seis “povos” (aldeias), e do Uruguai, com dez missões.

A partir de 1623 começou a se estruturar a província do Guairá com onze aldeias compreendidas entre os rios Paranapanema, Itararé, Iguaçu e a margem esquerda do Paraná, com sete missões, entre o rios Paraná e Uruguai.

Em 1631 surgiu a província jesuítica de Itatim, no sul de Mato Grosso: a organização missioneira avançava para o norte, como se pretendesse criar uma “espinha dorsal” jesuítica no interior do continente, longe das frentes de colonização de espanhóis e portugueses.

No final do século XVII. a Companhia de Jesus e outras ordens religiosas já estendiam sua atuação ao Amazonas.

A vida nos “povos” das missões

Essa coluna missioneira foi o palco de uma experiência original, alheia às intenções de exploração mercantilista dos remos ibéricos.

Nas missões jesuíticas a posse individual do solo não existia plantações; oficinas; instrumentos de trabalho pertenciam à comunidade que recebia toda a produção agrícola e artesanal e a distribuía por seus integrantes.

A parcela de cada indivíduo era regulada pelo princípio de “para trabalho igual, condições de vida iguais”: só os que se negavam a trabalhar é que não recebiam a sua parte.

Assim, os que não podiam produzir – os doentes, os idosos, as viúvas e os órfãos – eram mantidos pela comunidade. A documentação existente sobre as missões do Tape. Guairá e ltatim permite reconstituir a vida diária nos ”povos”.

Os guaranis costumavam iniciar suas atividades às 9 horas, encerrando-as entre as 3 e as 5 horas da tarde – em princípio ninguém trabalhava mais do que um terço do dia. Enquanto os artesãos permaneciam em suas oficinas, os demais seguiam para o campo ao som de instrumentos musicais, numa procissão festiva.

Conduziam sempre uma imagem de Santo Isidoro, padroeiro dos agricultores. A tarde voltavam para seus lares, cantando em coro; a eles juntavam-se os familiares e os artesãos.

Desse modo, a elaborada divisão do trabalho não contribuía para a dissolução dos laços nas comunidades indígenas, embora esses laços obedecessem a padrões do cristianismo difundido pelos padres, e não aos costumes “pagãos” – isto é, da cultura tradicional – dos guaranis e outros grupos aldeados.

Não é por acaso que os colonos da América portuguesa e espanhola, e posteriormente os governos ibéricos, se tenham aliado para pôr fim a essa experiência.

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