Luís XIV – O Rei Sol – “O estado sou eu”

Luís XIV - O Rei Sol

As pessoas simples pensavam que o Rei-Sol fosse imortal. Afinal, ele reinou durante 72 anos – numa época em que a média de vida era de 40 anos -, exercendo sua autoridade sobre três gerações de franceses. Para Luís XIV, a grandeza da França identificava-se com a de seu soberano.

Partidário da teoria do “direito divino”, ele acreditava que todo o poder da nação estava concentrado na pessoa do rei: “O Estado sou eu”, costumava dizer. Senhor “absoluto” dos destinos do país e dos seus súditos, considerava a monarquia como uma verdadeira profissão.

O século de Luís XIV

Na manhã de 5 de setembro de 1638, Paris acordou assustada com uma inesperada salva de tiros de canhão. Para alívio geral, no entanto, não se tratava do começo de mais uma guerra. Agora, os canhões anunciavam o nascimento do primogênito do rei Luís XIII, após 23 anos de casamento sem filhos.

A rebelião da nobreza desde os tempos de Filipe IV, o Belo (1268-1314), a ideia de nação ganhava corpo na França. Essa ideia implicava o enfraquecimento dos senhores feudais e o fortalecimento do poder central. Assim, embora conservando ainda alguns privilégios, barões e condes foram obrigados a respeitar a única autoridade “nacional”, o rei. Apesar disso, a nobreza rebelava-se periodicamente, reclamando o restabelecimento dos velhos direitos e criando dificuldades para as iniciativas do monarca.

A política de Mazarino, que visava, entre outras coisas, diminuir o poder político e econômico dos nobres, acirrou ainda mais essas contradições e levou a nobreza à rebelião. Esse levante, que começou em 1648, recebeu o nome de Fronda. Um 4os seus lideres era Luis II de Bourbon, príncipe de Condé. Em 1649, o príncipe desentendeu-se com outros chefes rebeldes e aderiu ao partido da rainha, afirmando que sua revolta era contra Mazarino. Este foi obrigado a retirar-se da França.

Nem por isso, porém, deixou de intervir nos negócios do país, mantendo uma intensa correspondência com a rainha e com Luís XIV, aos quais dava instruções sobre como enfrentar a Fronda. Aconselhado pelo cardeal, Luis XIV assumiu todo o poder em setembro de 1651, declarando encerrada a regência materna. No ano seguinte, a Fronda era definitivamente sufocada. Condé fugiu para a flandres e Mazarino foi mais uma vez chamado a chefiar o Governo.

Sob sua tutela, o jovem rei daria os primeiros passos no exercício do poder absoluto. Inicialmente, Luís XIV participava das reuniões da corte, a titulo de “aula prática”. Dava pareceres sobre os assuntos discutidos e recebia conselhos de Mazarino; este instruía-o em como manter equilibrado o Tesouro real, rodeando-se de homens competentes, interessados em desenvolver o comércio e as manufaturas, e recrutados principalmente entre a nova classe dos burgueses. Antes de “diplomá-lo”, Mazarino induziu-o a casar-se com a princesa Maria ibresa, filha de Filipe IV da Espanha, selando uma aliança que daria tanto frutos como problemas no futuro.

A ASCENSÃO DO REI-SOL Luis XIV

Em 1661, poucos meses após seu casamento, o rei assistiu desolado à morte do cardeal Mazarino. A ausência do preceptor tornava-o agora senhor absoluto dos destinos da França. Para acabar com as costumeiras rebeliões da aristocracia, Luis XIV afastou do Governo todos os membros de sua família, bem como os nobres que poderiam opor-se a ele ou fazer-lhe sombra, como Nicolau Fouquet, por exemplo. Cercando-se de conselheiros, ministros e funcionários de origem burguesa, fortaleceu cada vez mais sua autoridade.

Nas províncias, os governantes nobres foram substituídos por “intendentes burgueses”; fazendo com que as estruturas feudais de administração dessem lugar ao centralismo burocrático.

Começou, então, “o longo reinado da vil burguesia”, conforme as palavras do duque de Saint-Simon. Parlamentares ligados à nobreza foram privados de muitas de suas funções e obrigados a limitar-se aos assuntos judiciários; os Estados Gerais não foram mais convocados e todas as decisões passaram a ser tomadas pelo Conselho do Rei. Além de retirar os poderes dos nobres, Luis XIV atraiu-os para uma vida de luxo e dissipações em sua corte, no Palácio do Louvre. Assim, os que haviam sido orgulhosos rivais do monarca transformaram-se em tímidos admiradores do poder e da magnificência do Rei-Sol.

Num curto espaço de tempo, instalaram-se no Louvre mais de 8 000 pessoas. Para acomodar tal quantidade de parasitas de sangue azul, foi preciso edificar um novo palácio, em Versalhes. Iniciada em 1661, a construção do grande edifício durou cerca de meio século, utilizando 36 000 pedreiros e 6 000 cavalos. Seu custo foi avaliado em 70 milhões de libras de ouro.

Luís XIV - o estado sou eu

Sem esperar a sua conclusão, a corte mudou-se para lá em 1682. Versalhes passou então a viver em função do soberano. Seus horários eram regulados conforme os hábitos de Luis XIV: desjejum ao meio-dia, almoço às 5 da tarde e jantar à meia-noite.

O palácio tornou-se o centro da vida mundana européia, a capital das artes e dos prazeres. Jovens marquesas e duquesas, cansadas de seus velhos maridos, encontravam ali jovens amantes no séquito do soberano. Todos tinham seus casos amorosos, a começar pelo rei, que se dedicaria, em especial, a três mulheres: Luisa de Ia Valliêre, de 17 anos; Francisca de Montespan, esposa de um marquês; e Henriqueta da Inglaterra, mulher de seu irmão Filipe.

Mas a vida na corte não era só prazeres. Certos problemas desagradavam aos cortesões. Como a entrada no palácio não era muito controlada, mercadores ambulantes, mendigos e prostitutas infiltravam-se pelos salões, e os roubos se multiplicavam. Mas, apesar desses e outros problemas, para o resto da Europa o que, de fato, aparecia era a grandiosidade da corte do Rei-Sol.

O estado sou eu 

No século XVII, o rei detinha o poder absoluto. Reafirmando essa ideia de absolutismo, marcado como um período de sistema político forte, pessoal e sem leis restritivas, Luís XIV (1661 a 1715) chegou a afirmar: “O Estado sou eu”.

 

Luis XIV e as Artes

O mecenato de Luís XIV contribuiu notavelmente para o desenvolvimento cultural, incentivando a atividade de escritores e artistas. Além das fábulas de Jean de La Fontaine (1621-1695) e do teatro de Moliêre, enriqueceram a literatura francesa as Maximes de François de La Rochefoucauld (1613-1680).

Na escultura, a obra mais marcante deve-se a Pierre Puget (16201694), enquanto na pintura dominaram Nicolas Poussin (1594-1665), Claude Lorrain (1600-1682). De La Tour (1593-1652), Louis Le Nain (15931648) e Charles Lebrun (1619-1690), pintor oficial da corte.

No campo musical, destacaram-se os nomes de Couperin (1668-1733) e Jean-Philippe Rameau (1683-1764), notabilizando-se também os bailados que chegaram da Itália com outra novidade: a ópera. Luís XIV considerava as artes em geral como uma expressão de seu poder. Assim, muitos artistas, ao exaltar a sua glória, receberam em troca generosa proteção. Mas, de certa forma, a vida intelectual foi controlada pelo Governo, que impunha rígidas normas aos artistas. Por isso, enquanto em outros países desenvolvia-se o Barroco, na França o estilo predominante era o Classicismo.

A economia de Luis XIV

Em seu período como governante, Luis XIV foi responsável pela reforma do sistema tributário, maior incentivo à indústria e ao comércio

 

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