Lombardos: Reino, História, Economia, Religião e Crenças

lombardos

Os lombardos eram um povo germânico, nômade, que no primeiro século da era cristã havia se fixado na região da Panônia (atual Hungria).

Os Lombardos

No período de 535 a 554, cerca de 5 000 lombardos lutaram como mercenários no exército bizantino, comandado por Narses, na longa guerra contra os ostrogodos na península Itálica.

Um pouco antes de a guerra acabar, Narses repatriou-os, tomando o cuidado de fazê-los acompanhar de uma escolta, para evitar que cometessem violências no caminho. Mas a permanência dos ferozes combatentes lombardos na Panônia não durou muito.

Conforme a tradição, no dia 2 de abril de 568, Alboim, orei lombardo, reuniu todo o seu povo e se pôs em marcha, pela via Poitumia, estrada construída pelos romanos, em direção à Itália. A conquista foi uma empresa relativamente fácil. Atravessando o rio Isonzo, atingiram a planície do Vêneto sem encontrar muita resistência.

As tropas bizantinas que deviam defender a Itália eram escassas, e os invasores eliminaram-nas facilmente. Após ocupar a cidade de Fórum luli (Friuli), tomaram Treviso, Vicenza, Bréscia, Verona e Milão. Depois cortaram o acesso à cidade de Pavia, às margens do rio Ticino.

O passo seguinte foi a tomada de Pavia e sua escolha para capital do Reino Lombardo. Nesse meio tempo, grupos de guerreiros conquistaram Tremo, o norte da Toscana, a Umbria, Spoleto e Benevento.

Por onde os lombardos passaram foi uma devastação. Rudes e violentos, desprezavam tanto os homens letrados quanto os camponeses. Sua primeira medida ao tomar um povoado era eliminar a classe dirigente: magistrados, administradores, oficiais do exército.

O resto da população era submetido à servidão ou à escravidão. Seu número era irrisório, comparado ao dos vencidos (200 000 ou 300 000 pessoas na época da invasão). Sendo minoria, impuseram-se pela força.

Os senhores

Como a maior parte dos povos bárbaros, os lombardos desconheciam o conceito de Estado. Viviam em tribos compostas por diversas famílias, guiadas por um valoroso chefe guerreiro.

No inicio da invasão, as tribos conservaram os antigos hábitos lombardos: vagavam de um lugar para outro pilhando e semeando o terror entre as populações nativas. Aos poucos, muitas dessas tribos (fure) estabeleceram-se definitivamente em certas regiões.

E a partir desse momento os chefes das fare passaram a atribuir-se o pomposo titulo romano de dux (duque, ou aquele que conduz). Assim, os diversos domínios lombardos denominaram-se ducados. Orgulhosos da sua independência, os duques não toleravam o poder centralizado em um soberano.

Somente em casos de emergência – guerra ou grandes migrações – é que os chefes escolhiam um rei, a quem conferiam plenos poderes. Alboim, por exemplo, que guiara seu povo na conquista da Itália, havia sido escolhido desse modo.

As bases do Estado lombardo começaram a ser assentadas em 584. Nessa época, instalou-se na cidade de Pavia o governo central do reino, composto pelos gasindi, funcionários que ocupavam os cargos de maior responsabilidade política, militar e administrativa; e pelos gastaldi (ou castaldi’), encarregados basicamente de zelar pelos interesses e bens reais. Essa elite foi recrutada entre os chefes de tribos.

 

A lei do mais afortunado

Os lombardos não possuíam leis próprias nem empregavam as leis romanas ou bizantinas. A justiça era aplicada conforme a rude tradição do povo.

Cada indivíduo vingava pessoalmente a ofensa. Era a faida, ou a lei da vingança. Nas disputas entre duas pessoas, recorria-se ao duelo ou ao ordálio, o “juízo de Deus”, uma prática que inocentava o mais resistente, o mais ágil ou o mais afortunado.

Assim, por exemplo, o acusado deveria caminhar sobre brasas, ou segurar com as mãos nuas um ferro incandescente; se resistisse significava que Deus estava com ele. Essa tradição manteve-se até o reinado de Rotari, quando o monarca promulgou o Edictus Rothari.

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A Expansão Lombarda

Mas o grande momento da conquista ocorreu sob Liutprando (712-744), que se aproveitou das investidas árabes contra o império do Oriente e das controvérsias deste com o papado.

Por volta de 720 o papa Gregório II excomungou o imperador bizantino Leão 111, o lsáurico, por este ter proibido o culto às imagens religiosas.

A conseqüência foi o rompimento entre Roma e Bizâncio. Liutprando, que tornara o catolicismo a religião oficial do seu reino, arvorado em defensor da doutrina católica, invadiu o exarcado de Ravena e o ducado de Roma (que, por direito, pertencia ao Império do Oriente).

O papa Gregório II, duvidando de sua fidelidade, mostrou-se mais temeroso diante dos lombardos que do domínio do já decadente Império Bizantino. Assim, tratou de sustar a vitoriosa campanha de Liutprando, convencendo-o a afastar-se de Roma.

Como prova de sua boa fé, o rei lombardo doou ao pontífice os castelos fortificados de Sutri e Bieda, que constituíram o primeiro núcleo do futuro Estado Pontifício.

Gregório II afastara o perigo, mas seus sucessores tiveram que conviver com a ameaça da invasão lombarda, pelo norte e pelo sul.

Liutprando conseguira submeter à sua autoridade os ducados de apoleto e Benevento, até então independentes. Seu reino marcou o apogeu dos lombardos na Itália. Para a Igreja era urgente uma aliança com um rei militarmente forte, pronto a correr em defesa de Roma.

Os Francos contra os Lombardos

O problema entre o papado e os lombardos se agravaria durante o período de Gregório lii (731-741), com a submissão das Igrejas do sul da Itália, Sicília e Sardenha à Igreja de Bizâncio.

Esse fato serviu de pretexto para que Liutprando retornasse a Roma e ocupasse o Castelo de Orle (739). Diante disso, e definitivamente privado do apoio bizantino, o papa recorreu aos francos, solicitando a intervenção de Carlos Manel.

Este, contudo, necessitando dos lombardos para deter o avanço dos árabes no sudoeste da França, não atendeu ao chamado.

O fim dos lombardos

Após a morte de Pepino, o Breve (768), seus filhos Carlos e Carlomano entraram em disputa pela divisão do reino. Esse conflito levaria a rainha-mãe, Berta, a assinar um acordo de paz com Desidério da Toscana, sucessor de Astolfo e último rei lombardo.

Este, porém, quis se aproveitar do acordo para isolar o papa e apoderar-se dos territórios da Santa Sé. Com esse propósito, casou sua filha Ermengarda com Carlos, embora o papa Estêvão III tivesse procurado impedir a união. A aliança franco-lombarda, porém, não durou muito.

Com a morte de seu irmão Carlomano, em 771, Carlos passou a governar sozinho o Reino Franco, repudiando a filha de Desidério.

O único vínculo que ainda o ligava à corte lombarda estava rompido e, assim, o novo papa, Adriano 1, pôde contar com os francos.

Em 773, eles atravessaram os Alpes para forçar Desidério a devolver à Santa Sé os territórios que ocupara. As forças lombardas foram derrotadas, e Desidério, obrigado a abdicar (774); seu reino foi anexado ao dos francos.

Com a conquista do Reino Lombardo, Carlos – que cingiu a “coroa de ferro”, símbolo da realeza desse povo – ficou conhecido como Carlos Magno.

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