Juscelino Kubitschek (JK): 50 Anos em 5! Quem Foi


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Época de estabilidade política, o governo Juscelino Kubitschek foi marcado pela euforia, com ingresso maciço de capitais estrangeiros no país, a construção de Brasília e a implantação da indústria automobilística. Kubitschek, porém, deixaria a conta de seu desenvolvimentismo no para os governos seguintes.

O 11 de Novembro

No mesmo dia 11, a Câmara votou o impedimento de Carlos Luz, empossando o presidente do Senado, Nereu Ramos, na presidência da República. Dez dias depois Café Filho tentou reassumir a presidência. Pressionado por Lott, o Congresso declarou o seu impedimento.



Sob estado de sítio, Nereu Ramos governou até 31 de janeiro de 1956, quando entregou o poder a Kubitschek. Assim, o 11 de Novembro teve o sentido de um contragolpe preventivo, que garantiu a continuidade do processo democrático e a posse dos eleitos a 3 de outubro.

A conciliação como método

Apesar desses episódios e da persistente hostilidade de importantes setores militares, os cinco anos do governo Kubitschek caracterizaram-se pela estabilidade política. Para tanto, o novo presidente procurou sempre estabelecer áreas de entendimento com a oposição, dialogando e fazendo concessões tanto à direita quanto à esquerda.

A 11 de fevereiro de 1956, explodiu a rebelião de Jacareacanga. Sob a liderança do major Haroldo Veloso, um grupo de oficiais da Aeronáutica dominou Santarém, Belterra, Itaituba, Cachimbo e Jacareacanga, no Pará.



A ideia era despertar as forças anti-getulistas das demais Armas, provocando outros levantes que levassem à queda do Governo. No entanto, Jacareacanga não passou de um episódio isolado. A 23 de fevereiro o movimento estava derrotado. Para pacificar os ânimos, Juscelino Kubitschek concedeu anistia aos rebeldes.

Em maio, as concessões atenderam aos setores populares. Quando a população carioca e os estudantes saíram às ruas quebrando bondes, em protesto contra o aumento do preço das passagens, Juscelino Kubitschek convocou as lideranças da UNE ao Catete e com elas negociou o fim dos distúrbios, reduzindo as tarifas.

As medidas repressivas de Kubitschek procuravam manter a mesma “imparcialidade” em relação à direita e à esquerda. Assim, em junho de 1956 o presidente fechou o Sindicato dos Estivadores, dominado pelo PCB. No final do ano fez o mesmo com a Frente de Novembro e o Clube da Lanterna, organizações golpistas vinculadas a Lacerda.

Paralelamente, Juscelino Kubitschek tratou de cortejar os militares, distribuindo promoções mesmo a seus inimigos. Os orçamentos do Exército, Marinha e Aeronáutica acompanharam o acelerado crescimento do pais, e os pedidos de reequipamento das três Armas foram prontamente atendidos.

Dentro dessa estratégia, Juscelino Kubitschek ofereceu à Marinha o porta-aviões Minas Gerais – um presente caro, que por algum tempo desviou da política os interesses da oficialidade naval. Mas o presidente fazia questão de manter homens de confiança nos postos-chave.

Lott, no Ministério da Guerra, era um deles. Na área civil o PSD, ocupando a maioria dos Ministérios, praticamente controlava o Governo. O PTB recebeu o Ministério do Trabalho, através do qual foi possível controlar o movimento operário quase sem repressão.

50 Anos em 5

Um dos marcos da época de JK foram seus famosos planos de metas, o presidente visava o investimento nos setores de energia, transporte e indústria de base, novos bens de consumo começaram a adentrar no país, sendo eles duráveis e não duráveis, substituindo as importações, Juscelino Kubitschek se destacou por sua atenção a indústria automobilística, e na educação. Em seu governo tinha o objetivo de diminuir a desigualdade social, gerando riquezas e investindo na industrialização, por consequência fortalecendo a economia.

Juscelino Kubitschek  comprometeu-se a fazer o Brasil avançar “cinquenta anos em cinco”. Para tanto, era essencial substituir importações, isto é, fabricar no Brasil tudo o que fosse possível. Assim, a curto prazo, o país teria divisas para comprar máquinas, tecnologia e matérias-primas no exterior.



A ideia era construir uma bola de neve, em que o estimulo a alguns setores se comunicasse ao conjunto da economia, gerando mais empregos, mais salários e mais consumo, o que por sua vez estimularia o surgimento de novas fábricas, reiniciando o processo.

O “empurrão” inicial na bola de neve teria de ser dado pelo ingresso maciço de recursos externos, como realmente ocorreu. Obedecendo ao Plano de Metas, o Governo federal endividava-se para investir na infra-estrutura do país, enquanto o capital estrangeiro lançava-se à construção de grandes fábricas, transformando a paisagem e os hábitos brasileiros de consumo.

A construção de Brasilia

A estratégia política de JK só funcionou porque se apoiava num programa de governo desenvolvimentista. Acelerando o crescimento nacional, o presidente conseguia satisfazer os empresários, criar empregos e elevar os salários, ampliando seu esquema de sustentação.

Naturalmente, tudo isso era feito sem tocar na estrutura agrária do pais, para evitar abalos nas bases rurais do PSD. O programa econômico de Juscelino, exposto já durante sua campanha eleitoral, estava dividido em trinta metas que previam grandes investimentos em diversos setores.

No setor de energia elétrica, uma das grandes realizações foi a construção da usina de Furnas; no de transportes, a abertura da rodovia Belém—Brasília; na indústria de base, o incentivo à produção de aço e à indústria automobilística.

A construção de Brasília era tida como a “meta-síntese”. Brasília foi construída em pouco mais de três anos. Apoiada no plano urbanístico de Lúcio Costa e nas formas arquitetônicas de Oscar Niemeyer, a gigantesca obra passou a ter prioridade.

Dos quatro pontos cardeais rasgou-se um cruzeiro de estradas em direção à nova capital, enquanto milhares de “candangos” (assim eram chamados os trabalhadores deslocados para Brasília) criavam uma cidade totalmente diferente dos padrões brasileiros. Inaugurada a 21 de abril de 1960, Brasília custou cerca de 300 bilhões de cruzeiros, em valores da época.

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A indústria automobilística

A indústria automobilística era um dos pontos mais importantes do programa desenvolvimentista. Era preciso conseguir que as empresas do setor instalassem grandes unidades no Brasil.

Na verdade, desde a década de 20, a Ford e a General Motors já possuíam oficinas em São Paulo, onde seus veículos destinados ao Brasil eram montados com peças importadas. No início dos anos 50, algumas dessas peças já eram produzidas no pais.

A estratégia do Governo foi, portanto, estimular essa incipiente produção local, estabelecendo a nacionalização gradativa das peças e componentes de veículos. Assim, antes mesmo do governo Kubitschek, começou a nascer a indústria nacional de autopeças. Em sua esteira viriam as grandes montadoras.

O primeiro automóvel totalmente produzido no Brasil foi a Romi-lsetta (de 1955), fabricado com tecnologia italiana pela indústria Remi, empresa de capital majoritariamente brasileiro. Outra indústria nacional do setor, embora também usasse tecnologia estrangeira, foi a DKW-Vemag, surgida em 1956.

Quanto ás montadoras estrangeiras, as primeiras a chegar foram as europeias, como a Volkswagen (alemã) e a Simca (francesa).

Mais tarde, a Ford e a General Motors (norte-americanas) também implantariam grandes unidades. Assim, o Brasil, que em 1957 produzia 30542 veículos automotores, fechou o ano de 1960 com 133 041 unidades fabricadas.

A outra face do país

O capital estrangeiro, os investimentos privados nacionais e os recursos que o Governo conseguia captar normalmente não eram suficientes para assegurar o desenvolvimento no ritmo pretendido por JK. Recorreu-se, então, à emissão maciça de moeda, o que desvalorizava o cruzeiro e se refletia no crescimento vertiginoso do custo de vida.

A taxa de inflação, que em 1956 fora de 19,2%, atingiu 30,9% em 1960. A divida externa disparou sem controle. Todos esses sintomas prenunciavam desequilíbrios muito mais sérios no futuro – e o Governo não tomava nenhuma providência para debelar a crise. A estratégia de Juscelino Kubitschek era transferir os problemas.

O Governo seguinte que tratasse de pagar a conta. Em 1957, 400000 operários de São Paulo entraram em greve exigindo aumento de salário. A partir dai, o movimento sindical começou a escapar à tutela do Ministério do Trabalho, graças ao estabelecimento dos “pactos de unidade e ação”, reunindo vários sindicatos.

Os trabalhadores já não podiam ser controlados sem concessões salariais mais amplas, que realimentavam a inflação. Além disso o desenvolvimentismo acentuava as disparidades regionais do Brasil, já que estava voltado para a indústria urbana dos Estados do Sudeste.

Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste

O Nordeste permanecia atolado em sua miséria secular, agravada pela grande seca de 1958. Ali surgiram as Ligas Camponesas, criadas pelo deputado socialista Francisco Juhão. Sob o lema “reforma agrária na lei ou na marra”, as Ligas rapidamente se multiplicaram e, com o tempo, começaram a se organizar também em outras regiões do pais.

A reforma agrária, porém, não estava nos planos de Juscelino. Sua estratégia foi atacar o problema ao estilo desenvolvimentista, criando em 1959 a Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste).

Sob a direção do economista Celso Furtado, o órgão deveria promover a industrialização local e lançar um programa de agricultura irrigada; em nenhum momento se colocou o problema central, da redistribuição de terras. Assim, a atuação da Sudene revelou-se ineficaz, e o Nordeste permaneceu como um foco de miséria e de conflitos.

O desafio de Aragarças

Os últimos anos do governo JK foram marcados pelo enfraquecimento da coligação PTB/PSD. Nas eleições de 1958, Leonel Brizola, da ala radical do PTB, elegeu-se governador do Rio Grande do Sul contra a coligação PSD/UDN/PL. Em Pernambuco os petebistas romperam a aliança com o PSD e elegeram Cid Sampaio, da UDN progressista.

No Rio, a UDN lacerdista elegeu Afonso Arinos para o Senado com 41 010 dos votos. Em 1959, somando-se á desagregação da base política do Governo, os militares voltaram a conspirar. A 3 de dezembro, o major 1-laroldo Veloso e outros oficiais da Aeronáutica e do Exército reeditaram a rebelião de Jacareacanga.

O movimento começou com um sequestro de avião, o primeiro da história brasileira. A seguir os rebeldes tomaram a localidade de Aragarças, onde se entrincheiraram, enquanto esperavam que seu gesto provocasse a queda do Governo. Mas o motim foi debelado em apenas 36 horas, sem causar vítimas.

Como no episódio de Jacareacanga, Juscelino Kubitschek anistiou os implicados, esvaziando o conteúdo político da revolta. Mais um gesto impensado do que propriamente uma rebelião, o movimento de Aragarças, no entanto, mostrou que a crise econômica já solapava o jogo político do Governo. Apesar de toda a sua habilidade, em 1960 Juscelino não conseguiria eleger seu sucessor.

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Imagem-  seuhistory.com                         metropoles.com