Governo de João Goulart

joao-goulart

Nos 31 meses do governo de João Goulart, o Brasil viveu um período de intensa agitação. Sindicatos, organizações de massa e militares ocuparam a cena política, num processo de radicalização que levaria ao colapso do populismo.

Mas aqueles também foram tempos em que o país refletiu como nunca sobre seu destino, em busca de soluções nacionais para o subdesenvolvimento econômico e cultural.

A experiência parlamentarista

O primeiro gabinete de Goulart refletia sua tentativa de ganhar a confiança de todas as forças políticas. Tancredo Neves (PSD). nomeado primeiro-ministro, era uma garantia de moderação. O Ministério permaneceu no poder até julho de 1962. quando Tancredo Neves se afastou para concorrer ao governo de Minas. Para substitui-lo. Goulart apontou o petebista San Tiago Dantas: o Congresso recusou a indicação.

Em protesto, os sindicatos deflagraram greve geral, no dia 5 de julho. Na Baixada Fluminense, o movimento degenerou em saques e depredações, obrigando o Exército a intervir. Foram 24 horas de tumultos em todo o país, que resultaram em cinquenta mortos e quinhentos feridos.

Pressionado, o Congresso acabaria aprovando o nome de Brochado da Rocha (PSD gaúcho). apresentado por Goulart numa tentativa de conciliação. A tarefa do segundo gabinete seria antecipar a data do plebiscito, marcado inicialmente para 1965, que definiria a continuidade ou não do regime parlamentarista.

Outros efeitos da greve geral foram a criação do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) e a aprovação da lei instituindo o 13 salário no Brasil. Hostilizado pelo Congresso, Brochado da Rocha renunciou em setembro de 1962.

O jurista Hermes Lima, do PSB (Partido Socialista Brasileiro), foi chamado para formar o terceiro gabinete parlamentarista. No mesmo mês, o CGT deflagrou greve geral de três dias, pela antecipação do plebiscito. Chefes militares como os generais Osvino Alves.

Jair Dantas Ribeiro e Amauri Kruel pressionavam no mesmo sentido: o Congresso marcou a consulta popular para janeiro de 1963. Na data marcada, 74% dos eleitores votaram pelo retorno ao presidencialismo. João Goulart obtinha plenos poderes para governar o país.

As reformas de base

Além da instabilidade política, o Brasil vivia uma grande crise econômica. A inflação chegara a 52″% em 1962. A população urbana padecia da falta de empregos. No Nordeste, as Ligas Camponesas comandavam invasões de terras, enquanto os fazendeiros armavam jagunços para defender suas propriedades.

Foi esse o pano de Fundo para a elaboração do Plano Trienal, um conjunto de medidas a serem executadas nos três anos de governo que restavam a Goulart.

Como ministro extraordinário para Assuntos de Desenvolvimento Econômico, o economista Celso Furtado propunha uma estratégia cuja pedira angular era a reforma agrária. Dividir os latifúndios improdutivos entre milhões de camponeses sem terra, além de amortecer o choque rural. aumentaria a produção agrícola, barateando o preço dos alimentos.

E a massa de novos proprietários consumiria bens industriais, ampliando o mercado interno e fazendo as fábricas crescerem, absorvendo mão de obra. Para viabilizar o esquema. o Plano Trienal propunha-se, entre outras medidas, a reformar o sistema bancário e a legislação tributária e a regulamentar a remessa de lucros das empresas estrangeiras, O programa. conhecido popularmente como Reformas de Base, seria o grande tema nacional em 1963.

Tempos de agitação

O maior entrave às reformas era o Congresso, dominado por deputados eleitos nas zonas rurais. No outro extremo, colocavam-se as forças de esquerda. O termo designava o CGT. as Ligas Camponesas, a UNE. o PCB, governadores como Miguel Arraes. de Pernambuco, e a Frente Parlamentar Nacionalista. Nela se destacava Leonel Brizola. eleito deputado pela Guanabara em 1962.

Em setembro de 1963. cerca de quinhentos sargentos das três Armas sublevar anise em Brasília contra unia decisão do Tribunal Superior Eleitoral que os declarava inelegíveis para cargos públicos. Foram dominados em poucas horas, mas deixaram a sensação de que o país estava sem comando.

A quebra da hierarquia militar colocou a esmagadora maioria da alta oficialidade na oposição. Oficiais como Golbery do Couto e Silva e Humberto de Alencar Castelo Branco já conspiravam há muito tempo.

Mas, depois da revolta dos sargentos, o próprio “esquema militar” do presidente centralizado no comandante do II Exército, general Amauri Kruel, começou a abandoná-lo.

No Rio de Janeiro, o governador Carlos Lacerda era um crítico implacável de Goulart. Ademar de Barros, cm São Paulo. e Magalhães Pinto, em Minas Gerais, também se integraram na frente única pela derrubada do Governo. Importantes setores da classe média mostravam-se descontentes com o clima de agitação.

Bastaria uma gota para entornar o caldo. Essa gota foi o comício de 13 de março de 1964. realizado no Rio de Janeiro. em frente à Central do Brasil. Cerca de 250 000 pessoas compareceram à manifestação, promovida pelos principais sindicatos do país.

Goulart em pessoa encerrou o comício, anunciando, entre outras coisas, os decretos de desapropriação de terras e encampação das refinarias de petróleo particulares. O comprometimento de Jango com as esquerdas atingia o apogeu. O desfecho da crise era unia questão de tempo.

Gostou do nosso artigo sobre João Goulart? Compartilhe!

Imagem-  buscaescolar.com

Add a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *