Governo de Jânio Quadros

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Em 1960, quase 6 milhões de brasileiros manifestaram nas urnas o seu apoio à proposta de moralidade administrativa e justiça social pregada por Jânio Quadros.

Menos de um ano depois, a 25 de agosto de 1961, o presidente renunciava ao mandato: “forças terríveis” o teriam impedido de governar.

Governo de Jânio Quadros

Ao final do governo Kubitschek, o panorama político do país mostrava evidente tendência à reacomodação das forças agrupadas nos partidos tradicionais.

Tornaram-se públicas as divergências da coligação no poder – o bloco PSD/PTB -, surgindo dissidências que se aliaram a outras organizações ou criaram novos partidos (como o PTN, de Emílio Carlos).

Refletindo essa reformulação das alianças tradicionais, formaram-se agrupamentos interpartidários, organizados a partir de uma certa base ideológica: A Frente Parlamentar Nacionalista e a Ação Democrática Parlamentar.

A primeira opunha-se à remessa de lucros e ao controle do capital estrangeiro sobre a economia do Brasil; a segunda caracterizava-se pelo violento repúdio a qualquer tentativa de reforma agrária. Nesse contexto, ganhou força a candidatura de Jânio Quadros, ex-governador de São Paulo.

Lançado pelo PDC, Jânio logo recebeu o apoio da UDN, interessada em um candidato que, nas palavras de Lacerda, tinha “cheiro de povo”. Nascido em Corumbá, em 1917, Jânio estudou ciências jurídicas e sociais em Curitiba e em São Paulo, onde passou a exercer a advocacia e o magistério.

Em 1947 tornou-se vereador em São Paulo: era o inicio de uma carreira fulminante. Três anos depois elegeu-se deputado estadual, e em 1953 prefeito de São Paulo.

No ano seguinte era governador. O político que paralisara a máquina do ademarismo transmitia à classe média mais que a imagem de um administrador eficiente.

Jânio aparecia, para esse setor, como o antipolítico, o moralista capaz de sanear a prática política brasileira. A UDN foi buscar o seu candidato nas fileiras do PTB: Jânio elegera-se deputado federal por esse partido (e pelo Paraná) em 1958, confirmando sua autonomia em relação a siglas partidárias e programas políticos definidos. Nos anos seguintes, o janismo, uma nova versão do populismo, iria ganhar expressão nacional.

A esperança de milhões

O símbolo da campanha janista foi a vassoura com a qual esse líder personalista pretendia varrer a corrupção e moralizar a administração pública do país. Era inegável o seu carisma: suas propostas eleitorais agradavam tanto à classe média quanto a setores militares, aos trabalhadores e alguns empresários.

Além da moralização pública, Jânio propôs-se a resolver a crise econômica que afetava o país; defendeu uma ordem social mais justa e a valorização do homem do campo. Logo despontou como a esperança de milhões de brasileiros.

Disputando a presidência pelo PSD/PTB, o marechal Lott defendia uma plataforma nacionalista que não encontrava eco na população. Pelo PRP, Ademar de Barros ainda tentava concorrer com aquele que já o derrotara em outras eleições.

Em plena campanha, surgiu a proposta da dobradinha Jan/Jan, que indicava Jânio Quadros para presidente e Jango Goulart, candidato pelo PSD/PTB, para a vice-presidência. Nessa época, a legislação eleitoral permitia que se votasse em candidatos de chapas diferentes.

Lançada pelo Movimento de Renovação Sindical, cujo líder era o presidente da Federação Nacional dos Gráficos, a proposta rapidamente ganhou adeptos.

Em outubro de 1960 os brasileiros foram às urnas. Eleito com 5 636 623 votos, Jânio foi o primeiro candidato não ligado aos meios oficiais a conseguir a presidência, desde 1945. João Goulart foi eleito para a vice-presidência.

Austeridade e independência

Logo após assumir a presidência, em janeiro de 1961, Jânio adotou uma política econômica de austeridade, desvalorizando o cruzeiro em 100% e cortando os subsídios à importação do trigo e da gasolina. Além disso, restringiu o crédito e congelou os salários.

Muitos atribuíram tais medidas às diretrizes do FMI: a oposição dos nacionalistas somou-se ao descontentamento dos setores atingidos pela nova política econômica. O projeto de “moralização” do pais, que lhe valera tantos votos entre as camadas médias, foi conduzido basicamente através dos famosos “bilhetinhos”.

Em textos incisivos, cuja difusão pelo rádio elevou extraordinariamente os índices de audiência de “A Voz do Brasil”, o presidente proibiu o uso de biquínis nas praias, as rinhas de galo, a utilização de lança-perfume no Carnaval.

Durante sete meses de governo Jânio enviou cerca de 1 530 bilhetinhos: aparentemente, era este o seu meio predileto para se comunicar com o pessoal administrativo.

Não foram os bilhetinhos personalistas, mas a formulação de uma política externa independente que valeu a Jânio Quadros seus mais ferrenhos opositores. Jânio relutou em aceitar o bloqueio norte-americano a Cuba e pronunciou-se pelo reatamento de laços diplomáticos com a União Soviética.

Para escândalo dos círculos mais conservadores, em agosto de 1961 condecorou “Che” Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul.

Renúncia

A renúncia Já a partir de julho desse ano de 1961, começara a se formar uma forte oposição a seu governo, liderada pelo então governador da Guanabara, Carlos Lacerda.

Em 24 de agosto o governador anunciou pelo rádio que o ministro da Justiça havia lhe comunicado a intenção do presidente de promover um golpe;

Lacerda teria sido convidado a dele participar. No dia seguinte, Jânio apresentou sua renúncia à presidência. Enviada ao Congresso, três horas após ter sido entregue ao ministro da Justiça e comunicada aos ministros militares, a renúncia foi aceita sem discussões.

Mais tarde, perante a nação estupefata, foi lida a carta-renúncia, na qual Jânio responsabilizava “forças terríveis” pelo seu ato.

Permanecendo na base aérea de Cumbica por algumas horas, Jânio Quadros aguardou lá o final do impasse. Muitos afirmam que ele pretendia ser chamado de volta e reassumir a presidência com poderes discricionários. Se assim foi, a estratégia mostrou-se inadequada.

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Imagem-  msnoticias.com.br

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