invasões holandesas no Brasil (Pernambuco)

invasoes-holandesas

Desde o início do século XV os flamengos e holandeses representavam importantes parceiros comerciais para os reinos ibéricos, e sobretudo para Portugal.

Era a partir de Antuérpia, na flandres, e mais tarde de Amsterdã, nos Países Baixos (Holanda), que se comercializavam em toda Europa as especiarias asiáticas e o açúcar das Antilhas e do Brasil. Após a União Ibérica, os holandeses, sublevados contra o domínio espanhol em sua pátria, perderam esse mercado.

invasão holandesa no Brasil

Em 1602, decidiram fundar a Companhia das índias Orientais, reunindo imensos capitais e diversas empresas que operavam no Oriente. Sete anos depois, ocuparam as Molucas, no Indico.

Desse arquipélago passaram a negociar diretamente com a China e Japão. Por outro lado, a Invencível Armada, reunida no apogeu do poder de Filipe II para invadir a Inglaterra, foi feita em pedaços em 1588, pelas tempestades e pelos ágeis navios de Elizabeth 1.

Mas os ingleses não tiveram condições de assumir o controle dos mares, que passou para os Países Baixos. A Espanha, para continuar recebendo a prata de suas colônias na América, foi obrigada a fazer um acordo com os rebeldes: uma trégua de doze anos, que se iniciou em 1609.

Ao se aproximar o fim da trégua, os holandeses retomaram seu projeto de fundar uma Companhia das Índias Ocidentais, que operaria no Brasil, nas Guianas e ao sul do rio da Prata.

Pretendiam fazer alianças com os habitantes das colônias, manter frotas, cultivar terras férteis, aumentar o lucro e o movimento comercial. Mas o objetivo mais importante era retomar a distribuição e venda do açúcar brasileiro na Europa.

A vez de Pernambuco

O fracasso na Bahia não desencorajou as invasões holandesas, que resolveram voltar à carga, com uma esquadra mais bem aparelhada. Escolheram outro objetivo: a próspera capitania de Pernambuco. A Companhia tinha tanta certeza do êxito, que emprestou 400 000 florins aos conquistadores, além de colocar muitos soldados a sua disposição.

A 13 de fevereiro de 1630, as invasões holandesas estavam perto de Olinda; dois dias depois tentaram tomar o porto. Os fortes de Olinda responderam com fogo cerrado, e após renhido combate os visitantes afastaram-se. Mas, duas léguas ao norte de Olinda, desembarcaram 3 000 soldados.

Estes, enfrentando grupos de emboscada e tropas do Governo, conseguira chegar à cidade. Sem recursos, o governador de Pernambuco, Matias de Albuquerque, mandou atear fogo aos armazéns e a alguns navios. Os habitantes de Olinda, em sua maioria, debandaram, levando tudo o que podiam carregar.

Importantes postos defendidos pelos brasileiros acabaram caindo em poder dos invasores. No dia 3 de março, as invasões holandesas tomaram, quase sem resistência, a ilha de Antônio Vaz.

A II de março, receberam reforços da esquadra. Além das tropas, desembarcaram em Pernambuco, nesse dia, os comissários encarregados de instalar o poder político. Enquanto isso, Matias de Albuquerque havia fortificado um campo, a uma légua de Olinda e do Recife, ao qual chamou Arraial de Bom Jesus.

Dali comandava a resistência e enviava grupos de emboscada: seus ataques inesperados causavam sérios problemas aos holandeses, principalmente quanto ao abastecimento de víveres e munições.

Todo esse período (1630-35), que vai da tomada de Olinda até a conquista das capitanias do Nordeste, caracteriza-se por lutas constantes. Os senhores de engenho ainda tentavam repelir os invasores, com o auxílio da população.

A expansão holandesa

Por acharem que Olinda não era o lugar ideal para sede de governo, as invasões holandesas mudaram a capital para o porto do Recife. Aumentaram suas fortificações e organizaram um Conselho, cuja primeira deliberação importante foi empenhar as tropas disponíveis na conquista da Paraíba, efetivada em 1634.

O governador local, Antônio de Albuquerque, desnorteado com aqueda de dois pontos vitais – os fortes de Santo Antônio e de Cabedelo -, imitou o governador de Pernambuco: incendiou os estabelecimentos comerciais i alguns navios. Depois retirou-se com suas tropas, seguido pela maioria dos habitantes.

Em 26 de dezembro de 1634, a Companhia proclamou que quem retornasse à Paraíba teria assegurados a liberdade religiosa, o direito de propriedade, a isenção de serviço militar e a equiparação com os holandeses, perante a lei. Em troca, deveria jurar fidelidade às tropas de ocupação.

Oito dos mais ricos moradores retornaram às suas terras. No ano de 1635, as invasões holandesas passaram a dominar, além de Pernambuco e Paraíba, mais duas capitanias nordestinas: Itamaracá e Rio Grande do Norte.

A consolidação

Em 1637, chegou ao Recife o conde João Maurício de Nassau-Siegen, encarregado de consolidar o Brasil holandês. Nassau apoderou-se de Porto Calvo e fundou, à margem do rio São Francisco, o Forte Maurício, atual Penedo. Além da expansão das conquistas, Nassau cuidou das artes e da ciência.

Cercou-se de artistas (entre eles Frans Post) e criou o primeiro observatório astronômico do Brasil, na ilha de Antônio Vaz, ligada ao continente por duas pontes. Aperfeiçoou as vias de transporte, criou mercados e construiu a Cidade Maurícia, que depois se tornou o centro do Recife.

Além disso, durante todo o seu governo atuou como mediador entre a Companhia e os proprietários rurais. Nassau recomendou ainda a conquista de Angola, principal mercado de escravos, para garantir à produção de açúcar sua mão-de-obra. Aliás, o comércio de escravos era um dos mais lucrativos para a Companhia.

Eram adquiridos na África, de 1630 a 1650, por preços que oscilavam entre 12 e 75 florins, para os negros da Guiné, ou entre 38 e 55, para os angolanos. No Brasil, eram vendidos por 200 ou 300 florins; os negros mais fortes alcançavam o dobro dessas quantias.

Em 1641, Luanda e Benguela tornaram-se enclaves holandeses. O último êxito de Nassau foi a conquista de São Luis do Maranhão, em novembro de 1641, pouco depois da tomada de Luanda.

Em 1644, foi substituído por uma junta governativa – e os holandeses passaram a exigir implacavelmente aos brasileiros o pagamento das dívidas. Quem não podia pagar perderia seu engenho ou outros bens de sua propriedade.

No início, os mercadores holandeses queriam apenas receber seus empréstimos e os juros, sem interferir na produção. Aos poucos, porém, foram se envolvendo também nessa esfera, à revelia dos senhores de engenho.

Por outro lado, os grupos de emboscadas costumavam incendiar os canaviais e destruir os engenhos dos colaboracionistas. Os proprietários estavam, pois, numa situação crítica. Entenderam que só se unindo aos patriotas poderiam fugir à dura política de lucros imediatos praticada pela Companhia.

 

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Imagem-  historiadetudo.com

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