Independência do Brasil – Quem proclamou e como aconteceu


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Agitação nas ruas, intrigas palacianas, cisões na maçonaria – de janeiro até setembro de 1822, “radicais liberais” e partidários da centralização do poder disputaram a hegemonia da Independência do Brasil. Venceram os centralizadores.

Indignação do povo

A 9 de janeiro de 1822, quando o príncipe regente anunciou que adiaria sua volta a Lisboa, a decisão foi saudada com aclamações às Cortes e à união entre o Brasil e Portugal. A Independência do Brasil, porém, já era vista como o único caminho por um número cada vez maior de brasileiros.



Gonçalves Ledo e outros “radicais” – na opinião de José Bonifácio – conquistavam os setores médios urbanos do Rio de Janeiro e expressavam o antilusitanismo das massas populares. Paralelamente, a causa da Independência do Brasil ampliava seus adeptos entre os grandes proprietários rurais, que controlavam a economia colonial.

O viajante francês Saint-Hilaire, que percorreu o Brasil entre 1816 e 1822, relatou que os fazendeiros do interior de São Paulo, rudes e de poucas letras, estavam conscientes de que “o restabelecimento do sistema colonial lhes causaria dano porque se os portugueses fossem os únicos compradores de seu açúcar e café não mais venderiam suas mercadorias tão caro quanto agora o fazem”.

Para estes fazendeiros, a Independência do Brasil em torno da figura de bom Pedro trazia a vantagem adicional de diminuir as resistências e o perigo de distúrbios que ameaçassem a ordem social baseada no trabalho escravo: por isso apoiaram maciçamente o “partido brasileiro”.



Caminho para independência do Brasil

Dia 1 de agosto, Dom Pedro assinou um decreto que declarava inimigos os efetivos portugueses que desembarcassem no Brasil. Saudando a medida – imposta pelos distúrbios que já ocorriam na Bahia entre as tropas do general português Madeira de Meio e a população local Gonçalves Ledo lançou no mesmo dia um manifesto “aos povos deste reino”, conclamando todas as províncias a constituírem um país independente e a prestarem auxilio armado aos baianos. Foi nesse momento que José Bonifácio aderiu à causa da Independência do Brasil.

Apesar de pessoalmente favorável à abolição da escravatura, reforçou as posições conservadoras dos grandes proprietários rurais no âmbito do “partido brasileiro”, isolando Gonçalves Ledo e seus partidários.

A 6 de agosto, Dom Pedro dirigiu um manifesto às “nações amigas”, redigido por José Bonifácio, no qual anunciava a independência do Brasil, ”mas como reino irmão de Portugal”: esta seria, inclusive, a maneira mais eficaz de evitar as ‘cenas horrorosas do Haiti”.

A grande propriedade escravista eram dadas garantias solenes de que a Independência do Brasil não alteraria o sistema de trabalho. O Brasil já estava independente. Faltava apenas dar maior dramaticidade à ruptura, o que ocorreu a 7 de setembro, às margens do Ipiranga.

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Estamos quase lá…

Em fins de agosto, Dom Pedro seguiu para São Paulo, onde a Junta Provisória cindira-se em duas facções hostis: a de Martím Francisco de Andrada e Silva, o mais jovem dos Andradas, e a do coronel reformado Francisco Inácio de Sousa Queirós, negociante e grande proprietário rural.

O conflito no governo paulista radicalizara-se e assumiria a forma de um verdadeiro motim; sem programa ou base ideológica, era mais uma expressão do mandonismo local, cujas manifestações se tornariam cada vez mais frequentes na vida política brasileira.

Mas foi devido a esse conflito que a Independência foi proclamada em São Paulo. Dom Pedro não teve dificuldade em restabelecer a ordem, dissolvendo a Junta Provisória e submetendo o “clã” dos Sousa Queirós.



Em seguida, viajou para Santos, a fim de inspecionar as fortificações locais: uma invasão portuguesa não era uma hipótese inimaginável.

Enquanto isso, chegavam ao Rio de Janeiro despachos de Portugal, exigindo a volta de Dom Pedro e anulando seus atos de maior alcance, como a convocação da Constituinte. Portugal ameaçava, ainda, enviar tropas ao Brasil para garantir o cumprimento das decisões. Já era certo, estava para acontecer a Independência do Brasil!

“Independência ou morte!”

José Bonifácio e a princesa Dona Leopoldina, regente na ausência do esposo, agiram com rapidez, enviando a Dom’Pedro os despachos de Lisboa e duas cartas, nas quais expressavam seus temores quanto a uma guerra com Portugal e pressionavam no sentido de que este formalizasse a ruptura.

“Senhor, o dado está lançado e de Portugal não temos a esperar senão escravidão e horrores” – o Patriarca da Independência do Brasil recorria às imagens do ‘radical” Gonçalves Ledo. Junto ao riacho do Ipiranga os portadores dos documentos do Rio de Janeiro encontraram-se com a comitiva de Dom Pedro, que regressava de Santos.

Era cerca de 16h 30 mm, quando o regente anunciou sua decisão de tornar o Brasil independente. No mesmo dia, em São Paulo, o príncipe compunha os acordes vibrantes do Hino da Independência.

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