Império dos Habsburgos (Monarquia)

imperio-dos-habsburgos

A águia, primeiro símbolo do poderio .militar da Roma Antiga e mais tarde do poder de Carlos Magno, fundador do Sacro Império Romano-Germânico, e de seus sucessores, brilha no brasão dos Habsburgo, cuja história se entrelaça com a dos principais Estados europeus, no período compreendido entre os anos de 1200 e 1900.

A Europa, mosaico de povos, haveria de se tornar uma família unida sob uma mesma legislação e governada por uma mesma dinastia, forte e poderosa.

Como conquistar novos feudos

O escritor francês Honoré de Balzac costumava dizer que “atrás de toda grande fortuna existe um grande delito”. Intrigas, violência, crimes constituem, sem dúvida alguma, a origem da enorme fortuna dos Habsburgo. Numa noite do inverno de 1242, um grupo de homens armados, sob a liderança de Rodolfo, matou o dono de um castelo suíço, Ugo Tuffenstein, apoderandose de suas terras.

Utilizando métodos idênticos e legitimando-se pela força de vitoriosas campanhas militares, o enérgico Rodolfo de Habsburgo foi se firmando, cada vez mais, como líder de uma grande região compreendida entre a Suíça e o sudoeste da Alemanha. Rodolfo foi o verdadeiro fundador do poderio da dinastia dos Habsburgo.

A política de casamentos

Rodolfo pôs em prática também um antigo costume – a política matrimonial -‘ que passou a ser uma das características de seus descendentes e herdeiros, até praticamente o século XX. Segundo ele, era importante lembrar que terras, feudos e mesmo remos inteiros podiam também ser conquistados sem que se precisasse recorrer à violência das armas. Bastava, para tanto, casar-se com a “pessoa certa”.

Ele mesmo, aliás, adotou esse antiquíssimo costume, casando-se com a filha e herdeira de uma poderosa família feudal germânica, Gertrude de Hohenberg. Em conseqüência, Rodolfo herdou os territórios do principado alemão de l-Iohenberg, além de acrescentar ao seu patrimônio novos bens, súditos fiéis e um número razoável de valentes guerreiros. E foi assim que Rodolfo transformou-s em um dos mais poderosos e temidos senhores do mundo germânico.

UMA NOVA POTÊNCIA NA EUROPA

“Grande é a confusão sobre a Terra. A situação é portanto excelente.” Essa piada, contada quase setecentos anos mais tarde, poderia ser atribuída a Rodolfo, que por certo assumiria sua autoria com o maior entusiasmo. E, de fato, foi graças ao terrível caos que se sucedeu ao desmembramento do Império Germânico que Rodolfo conseguiu obter sua enorme fortuna pessoal. Ele passou então a ambicionar uma coroa, fosse ela real ou imperial.

O jogo se confunde

O Império Romano-Germânico, duramente reconstruído por Frederico Barba Ruiva e tenazmente defendido por Frederico 11, estava em crise. Foi então que, com a morte de Frederico II, os grandes rivais do império (o papado, as comunas italianas e os Estados nacionais) passaram à ofensiva.

Nesse período, chamado de “Grande Interregno”, cada senhor feudal germânico lutava contra os demais para aumentar seus domínios ou para se tomar imperador. Por fim, em meio à feroz rivalidade das grandes famílias, os Habsburgo firmaram-se como os mais poderosos.

Em 1273, Rodolfo foi eleito imperador. Algumas das outras famílias concorrentes não aceitaram a derrota resignadamente e declararam guerra aos l-Iabsburgo, mas acabaram vencidas em sangrentas batalhas.

Para a família, tudo A eleição do soberano da nação alemã, que recebia o título de imperador, era responsabilidade dos sete Grandes Eleitores: quatro leigos (o rei da Boêmia, o marquês de Brandemburgo, o duque da Saxônia e o conde do Palatinado) e três eclesiásticos (os arcebispos de Mogúncia, Colônia e Trêves).

Esses personagens, os mais poderosos do mundo germânico, acreditavam que deviam ter acima deles um monarca que detivesse o título legado por Carlos Magno e sacramentado pela Igreja.

Concordavam também que esse homem devia se impor sobre os senhores feudais e colocar os negócios do império acima de seus interesses particulares. Nesse sentido, a escolha de Rodolfo foi um erro. Imediatamente após a sua eleição, Rodolfo exigiu de Ottokar, rei da Boêmia (que obtivera o controle de grande parte da Áustria), a devolução dos feudos por ele anexados. Ottolcar recusou-se a fazê-lo.

Em consequência deflagrou-se uma guerra entre ambos que só terminaria em 1278, na batalha de Marchfeld, onde Ottokar foi vencido e morto. Wenceslau, seu filho e sucessor, ficou apenas com a Boêmia e a Morávia. Os demais territórios foram incorporados ao “império” particular dos Habsburgo.

Quatro anos depois, Rodolfo concedeu como feudo a seus filhos os territórios recm-conquistados, ou seja. toda a Austria e o Ducado da Estiria, região rica em minerais de feno.

E foi assim que, apesar dos protestos dos senhores feudais germânicos, a Áustria tomou-se a base do poderio dos Habsburgo. Para reforçar a posse, os filhos de Rodolfo, então elevados à categoria de duques da Áustria, acrescentaram ao nome da dinastia o do território que dominavam, passando a chamar-se da Áustria.

Energia, crueldade e um pouco de loucura

Com exceção da família e dos servidores mais chegados, poucos deviam ter sentido a morte de Rodolfo, em 1291. Os Grandes Eleitores, por via das dúvidas, preferiram afastar qualquer hipótese de um novo Habsburgo no poder, elegendo, para sucedê-lo, um frágil príncipe alemão: Adolfo de Nassau.

Os Habsburgo contestaram a validade da eleição e exigiram os títulos de rei e de imperador para Alberto 1 da Áustria, único sobrevivente dos catorze filhos do finado Rodolfo. Adolfo e Alberto acabaram por disputar o título na batalha de Gollheim, em 1298, na qual o ‘primeiro perdeu a vida. Alberto.

O vencedor, não lhe sobreviveu muitos anos. Em 1308, foi assassinado, no curso de unia conspiração movida contra ele por seu sobrinho João da Suábia. Vago o trono do império, os Grandes Eleitores descartaram novamente os Habsburgo, elegendo para soberano um personagem bem mais cotado: Henrique VII de Luxemburgo.

Finalmente, o império

Outra característica familiar, transmitida de geração em geração. foi a de saber esperar pacientemente, sem, no entanto, cair na imobilidade. Muitos anos se passaram até que os Habsburgo voltassem a ser grandes protagonistas da história européia; e, mais ainda, até que alguns membros da dinastia tivessem conseguido ser coroados.

De qualquer maneira, o fato é que, pelo menos durante um século, o que restava do Império Germânico esteve em outras mãos.

Nesse ínterim, porém, a família estava em febril atividade, consolidando seus domínios na Áustria e na Estíria e continuando a expandir seu “império”, anexando alguns territórios suíços, onde encontraram a resistência dos primeiros cantões que aspiravam à autonomia: Schwyz, Uri, Unterwalden. Foi nessa época que surgiu a figura lendária de Guilherme Teu.

Por meio de guerras e dando continuidade à política de casamentos com outras famílias poderosas, os Habsburgo terminaram por dominar a região do Tirol até a cidade de Tremo (1363), e a Carníola, na Istria, controlando assim o importante porto de Trieste (1382).

O poderio dos I-Iabsburgo atingira tamanhas proporções que não podia mais ser ignorado. Com a morte do imperador Sigismundo de Luxemburgo e como resultado da política matrimonial, o trono retornou enfim às mãos dos Habsburgo. Sigismundo não tinha filhos homens Sua filha casara-se com Alberto II da Áustria.

Desse modo não havia como evitar confiar a coroa ao bravo e poderoso genro do finado. E foi assim que, em 1438, Alberto de Habsburgo herdou a coroa imperial juntamente com os bens de Sigismundo. Isso significava a Boêmia e toda a Hungria.

Alberto II tinha na época 41 anos e ficou no tronco apenas um ano. Entretanto, foi tempo suficiente para consolidar definitivamente o poder nas mãos dos Habsburgo. Terminava o ciclo em que outras dinastias alemãs tinham acesso ao poder e podiam ser indicadas para a chefia do império.

A partir de então, o título de imperador tornou-se prerrogativa ”daqueles do Castelo do Falcão”, salvo raros e curtos períodos em que o poder esteve em outras mãos.

Imagem- pt.slideshare.net

Add a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *