Guerra dos Farrapos: Objetivos e Quem Participou


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A mais longa rebelião brasileira do século XIX ocorreu no Rio Grande do Sul. De 1835 a 1845, os gaúchos praticamente enxotaram dos pampas primeiro as tropas da Regência e depois as forças de Dom Pedro II, estendendo o conflito até Santa Catarina.

Depois veio a “paz com honra”, a reconciliação entre o poder central e os rebeldes, logo mobilizados contra os “castelhanos” das repúblicas platinas. Mas isso só foi possível devido à peculiar formação da província. Aqui falaremos sobre a Guerra dos Farrapos.



Homens livres, charque barato

No Rio Grande do Sul, ao contrário das demais províncias, a elite rural forjaria uma sólida aliança com os liberais exaltados – também conhecidos por todo o Brasil como farroupilhas ou  Farrapos, por apoiarem os “pobres e maltrapilhos”.

Em contrapartida, os moderados eram, na maioria dos casos, funcionários do Governo central. Isso porque os estancieiros tinham uma antiga rixa com o Império a propósito do imposto do charque. A carne-seca do Rio Grande era exportada para as demais províncias, destinando-se à alimentação dos escravos.

Ora, tanto os donos de engenho quanto os cafeicultores tinham interesse em comprar o produto o mais barato possível para diminuir seus custos de produção.



Ocorre que o charque produzido no Uruguai e na Argentina era mais barato, pois nesses países empregava-se o trabalho assalariado nas charqueadas, o que saía muito mais em conta.

Para favorecer os produtores de açúcar e café das províncias economicamente mais dinâmicas, o Governo central havia reduzido o imposto de importação sobre o charque estrangeiro: este pagava a mesma taxa do similar gaúcho. Era um golpe nas charqueadas do Rio Grande do Sul-

A República Catarinense

Em 1837, Bento Gonçalves conseguiu fugir, vindo assumir seu cargo à frente dos farrapos. No ano seguinte, a Guerra dos Farrapos se espalhou e, gradativamente, os rebeldes conseguiram dominar quase toda a província. Davi Canabarro fora nomeado ministro da Guerra da República Rio Grandense.

Ao seu lado na Guerra dos Farrapos lutava Giuseppe Garibaldi, um exilado italiano que, mais tarde, teria importante papel na unificação de seu país. Em 1839, os farrapos decidiram estender sua área de operações, atacando Santa Catarina.

Depois de conquistarem Laguna, Canabarro e Garibaldi proclamaram a 24 de julho a República Juliana (uma alusão ao mês de julho) ou República Catarinense, confederada ao Rio Grande do Sul.

Em Laguna, Garibaldi conheceu Ana Maria Ribeiro da Silva, a jovem esposa de um sapateiro catarinense. Anita se uniu ao revolucionário, passando à história com o nome de Anita Garibaldi.

A anistia recusada

A 15 de novembro, Laguna era reconquistada pelas forças legalistas, mas no Rio Grande do Sul o domínio era dos farrapos, embora Porto Alegre resistisse desde 1836 aos ataques farroupilhas.

O Governo central buscou então negociar e, em 1840, sob o pretexto de homenagear a maioridade antecipada de Pedro II, ofereceu anistia aos rebeldes. Mesmo assim, a proposta de depor as armas foi recusada.



Ao contrário, os rebeldes lançaram-se à institucionalização da República gaúcha. Com esse propósito foi eleita uma Assembléia Constituinte de 36 deputados, que, em 1842, reuniu-se na cidade de Caçapava.

Ali seria elaborada uma Constituição inspirada nos princípios das revoluções norte-americana e francesa. Apesar de não chegar ao separatismo e de permanecer sob controle das elites, nunca uma rebelião regional inspirada nas idéias federalistas havia chegado tão longe no Brasil.

Objetivo da Guerra dos Farrapos

O início do Segundo Reinado, porém, coincidiu com o fim das insurreições nas demais províncias. No Pará, havia terminado a perseguição aos cabanos, enquanto que os balaios do Maranhão estavam presos, mortos ou haviam deposto as armas. O Império podia agora voltar-se totalmente para guerra dos farrapos.

Com esse propósito, em novembro de 1842, Luís Alves de Lima e Silva, barão de Caxias, foi nomeado presidente e comandante das armas do Rio Grande do Sul. Sabendo que no campo militar a Guerra dos Farrapos seria muito difícil, Caxias procurou aproximar-se dos líderes mais moderados e aceitou fazer concessões.

Ao mesmo tempo, tropas uruguaias começaram a fazer incursões no Rio Grande do Sul em busca de José Fructuoso Rivera, adversário do presidente Manuel Oribe, que se asilara em território gaúcho. Os farrapos estavam entre dois fogos.

A paz de Caxias

Os exércitos imperiais obtiveram importantes vitórias na Guerra dos Farrapos de Poncho Verde, Piratini e Canguçu, terminando por levar Bento Gonçalves e Davi Canabarro à mesa de negociações. E, na verdade, Caxias tinha muito a oferecer.

Propôs que os soldados e oficiais da extinta República Rio-Grandense fossem incorporados ao Exército imperial, além da alforria para os escravos que haviam participado do movimento. Garantiu anistia aos rebeldes e a devolução das propriedades confiscadas. Aceitou que a dívida pública dos farrapos fosse paga pelo Governo central.

E ainda acertou uma taxa de 25% a ser cobrada sobre o charque estrangeiro. Sob essas condições, a —paz com honra” foi assinada a 1 .0 de março de 1845. Nunca uma insurreição derrotada havia conseguido tão amplas concessões. Com elas consolidava-se o predomínio dos estancieiros sobre o Rio Grande do Sul.

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Imagens-  brasil-turismo.com