Guerra dos Emboabas: Motivo principal e Quem eram

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Bandeirantes para o sertão, para caçar índios e descobrir ouro a pedido d’ei Rei. Mas o metal nas faisqueiras deve ficar sob controle dos recém-chegados, de grandes botas e sotaque carregado: os portugueses na região das Minas, ou emboabas. Estava para começar a Guerra dos Emboabas.

Motivo principal da Guerra dos Emboabas

A chegada de tantos forasteiros à quase deserta ”região das minas”, só frequentada por bandeirantes e índios, não se realizou sem conflitos. Os paulistas, em especial, sentiram-se lesados: Afinal, haviam descoberto os regatos auríferos; era justo que controlassem a riqueza revelada.

A hostilidade aos portugueses e mesmo a brasileiros de outras regiões atingiu seu ponto alto entre 1707 e 1710, com a guerra dos Emboabas.

A reivindicação paulista tinha sólidos fundamentos. Na segunda metade do século XVII. quando já se esgotavam as perspectivas da caça ao índio”, o bandeirante Fernão Dias Pais foi incumbido por Afonso VI de Portugal de organizar a busca sistemática de metais preciosos.

Mais tarde, as cartas que recebia de Dom Pedro, regente e depois rei de Portugal, sugeriram que ele próprio se lançasse ao sertão. Fernão Dias submeteu-se ao pedido – e, além disso, estava atraído pela lenda das esmeraldas de Sabarabuçu.

No início do século XVII, Marcos Azevedo voltara do interior afirmando ter descoberto esmeraldas. Mas se recusou a indicar o local e, preso. morreu no cárcere. sem revelar o caminho para as minas.

Em 1674 Fernão Dias deixou São Paulo, após reunir uma formidável bandeira: muitos índios, muitos mamelucos e quarenta homens brancos, dentre os quais Garcia Rodrigues Pais, seu filho, e Manuel de Borba Gato, seu genro.

Borba Gato fugiu para os sertões; passaria dezessete anos vasculhando a região das atuais cidades de Sabará e Caeté, nas proximidades do rio das Velhas. Borba Gato acabou descobrindo ouro, e sendo encontrado por Garcia Pais e João Leite.

Os dois relataram-lhe o parecer dos ourives sobre o nenhum valor das “esmeraldas” (que na verdade eram turmalinas, mas cujo valor era então desconhecido) e ficaram sabendo das descobertas auríferas. Mas Borba Gato não revelou o lugar das jazidas: com esse segredo pretendia conseguir indulto e autoridade sobre as minas.

Borba Gato anunciou a descoberta de ouro na sena de Sabarabuçu. Em pouco, uma série de novos achados levava ao apogeu a atividade mineradora. Foi organizado um novo distrito aurífero, cuja superintendência coube a Borba Gato: o distrito do rio das Velhas.

O filão à guerra do Emboabas

A medida que aumentavam as remessas de ouro, crescia também o número de forasteiros – especialmente portugueses e baianos – na zona de mineração. Devido a esse crescimento, diminuíam os estoques de mantimentos, pois a Metrópole desencorajava as atividades agrícolas: queria todos os braços extraindo ouro.

E a carência de abastecimento elevava o preço das mercadorias, tornando o comércio quase tão rendoso quanto o garimpo. Assim, mais um ímã atraía forasteiros para a região. Sentindo-se ameaçados, os paulistas procuraram garantir para si a posse das minas, descontado o quinto real (20%).

E como Portugal dependia deles para a ampliação das descobertas, suas reivindicações foram satisfeitas. Mas, ao mesmo tempo, foram criadas facilidades para portugueses e brasileiros de outras regiões explorarem os veios.

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Quem eram

Foi por essa época que os reinóis, sertanistas inexperientes, com perneiras e botas até os joelhos, começaram a ser denominados emboabas – termo provavelmente derivado da palavra indígena mbuab, nome de uma ave de pernas grotescas e recobertas de penas.

Essa política separou os mineradores em dois grupos: de um lado os paulistas, naturalmente chefiados por Borba Gato; de outro, os emboabas, articulados em torno de Manuel Nunes Viana, português enriquecido por não ter pago à Coroa o fisco sobre o ouro explorado no vale do São Francisco. Os dois partidos aumentavam as provocações, até que um emboaba foi morto por um paulista, em plena rua. Assim começaria a guerra dos emboabas.

Em busca do assassino, no começo da guerra dos emboabas mataram seu pai, José Pardo, paulista de muito respeito e influência. Nunes Viana preparou seus homens para a luta, e foi por eles proclamado “governador das minas”. Os paulistas, alarmados, abandonaram Caeté, concentrando-se em Ouro Preto.

Houve combates em Sabará e outros locais e depois os paulistas retiraram-se para as proximidades do rio das Mortes. Ali foram atacados na guerra dos emboabas, mas conseguiram rechaçá-los.

Enquanto isso, um grupo de paulistas rendia-se a Bento do Amara! Coutinho, chefe emboaba, na confiança de serem poupados. Este, porém, ordenou seu extermínio. O local da matança ficou conhecido como Capão da Traição (1708). Os parentes das vítimas clamavam por vingança.

Mas Dom Fernando de Lencastre, governador do Rio de Janeiro, resolvera pôr fim ao conflito e seguiu para o local da guerra. Nunes Viana barrou-lhe a passagem, fazendo-o saber, além do mais, que pretendia conservar-se ditador dos sertões.

O governador, apavorado, retornou imediatamente ao Rio. Percebendo que fizera grave afronta à Coroa.  Nunes Viana enviou presentes ao rei e a notícia de que arrecadara mais quintos do que no ano anterior.

A vingança bandeirante

A Coroa, entretanto, era pela conservação dos paulistas à frente das atividades mineiras, pois acreditava que só eles seriam capazes de ampliá-las. Assim, Dom João V substituiu o governador do Rio por Dom Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, ex-governador do Maranhão.

Seguiu-se a concessão de anistia a todos os inimigos na guerra dos emboabas envolvidos no conflito, com exceção de Nunes Viana e Amaral Coutinho. Borba Gato voltou a seu posto de superintendente das minas do distrito do rio das Velhas.

Mas o episódio do Capão da Traição estava vivo na memória dos paulistas, que, liderados por um novo chefe, Amador Bueno da Veiga, em meados de 1709 investiram para vencer na guerra dos emboabas, cercando-os no arraial da Ponta dos Morros.

Por uma semana travaram-se escaramuças violentas. Depois, desentendimentos internos e o boato da aproximação de um grande contingente de apoio aos emboabas levaram os paulistas à retirada. Com o indulto geral de novembro de 1709 terminou o conflito.

Pela carta régia de 9 de novembro de 1709, foi criada a Capitania de São Paulo e Minas do Ouro. E, a partir de 21 de fevereiro de 1720, foi oficializada a autonomia das Minas Gerais.

Os paulistas estavam novamente ameaçados de ruína, a menos que buscassem novas áreas mineiras. Foi assim que ocuparam os sertões auríferos de Cuiabá e Goiás, ampliando os limites do Brasil.

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