Guerra do Paraguai: Objetivos, Motivos e Fim

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Entre 1864 e 1870 o Brasil, a Argentina e o Uruguai aliaram-se contra o Paraguai – a “exceção” latino-americana, o único Estado da América do Sul a se desenvolver sem a participação dos capitais estrangeiros.

O Paraguai foi derrotado, 75% de sua população masculina desapareceram; mas a vitória minou as bases da outra “exceção” continental, o império escravista, cujo exército, temperado na Guerra do Paraguai, passou a apoiar ativamente a abolição e a república

Uma saída para o mar

Por essa época, o maior problema paraguaio era o isolamento do país, no coração da América do sul, na dependência do livre acesso aos rios da bacia do Prata para manter seu comércio exterior.

Os argentinos, entretanto, por anos haviam pretendido integrar o Paraguai às Províncias Unidas do Prata – a confederação de províncias governada a partir de Buenos Aires – e utilizavam seu controle sobre a navegação como um elemento de pressão contra o Paraguai.

Era uma crise crônica, agravada por questões de limites entre os governos de Assunção e Buenos Aires. O Brasil também participava do jogo político na região, pois dependia da bacia do Prata para o acesso à província de Mato Grosso.

Por isso, o Governo imperial apoiava ostensivamente, tanto na Argentina quanto no Uruguai, as facções que lhe garantissem a livre navegação. Com o Governo guarani, além de questões de limites, nosso pais mantinha uma velha polêmica sobre o acesso de navios mercantes e de guerra ao rio Paraguai.

Mas havia um quinto país interessado em todos esses problemas regionais: a Grã-Bretanha. Por essa época, tanto o Brasil quanto a Argentina e o Uruguai estavam submetidos à hegemonia econômica inglesa, que lhes fornecia toda sorte de produtos industrializados.

O Paraguai, ao contrário, mantinha uma política econômica fortemente protecionista, dificultando a entrada de produtos britânicos em seu território.

Blancos e cobrados

Essa atitude fazia dos paraguaios um “mau exemplo” para os outros povos. Era preciso acirrar as rivalidades regionais para esmagar a perigosa independência política e econômica do Paraguai. Já no governo de Carlos Antonio López, o Paraguai havia decidido romper seu isolamento e participar do jogo político da região.

Para isso estabeleceu uma transitória aliança com o Brasil, que resultou, em 1852, no reconhecimento da independência guarani pela Argentina. Mais tarde, os paraguaios aproximaram-se do Partido Blanco, que, em 1862, assumiu o poder no Uruguai.

Em contrapartida, Buenos Aires e o Rio de Janeiro preferiram apoiar política e materialmente o Partido Cobrado, federalista e descentralizador, na disputa pelo poder. Em 1863, a crise uruguaia assumiu sérias proporções. Guerrilheiros cobrados, contando com o apoio do Brasil e da Argentina, lançaram-se à Guerra do Paraguai armada contra os blancos.

No ano seguinte, sob o comando do barão de Tamandaré, a esquadra brasileira bloqueou Montevidéu. Em Assunção, representantes do Governo blanco pediam a intervenção paraguaia na Guerra do Paraguai.

Solano López ordenou então o apresamento do navio brasileiro Marquês de Olinda, que levava o novo presidente da província de Mato Grosso, rompeu relações diplomáticas com o Brasil e iniciou, a 24 de dezembro de 1864, a invasão de Mato Grosso.

Em janeiro de 1865, brasileiros e cobrados derrubaram o Governo blanco. Pouco depois, o liberal Venancio Flores, protegido pelos canhões de Tamandaré, assumiu a presidência do Uruguai. Instalado um governo confiável em Montevidéu, restava ajustar contas na Guerra do Paraguai.

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A Tríplice Aliança

No final de abril de 1865, representantes dos governos brasileiro e argentino reuniam-se em Buenos Aires para formalizar um pacto anti paraguaio.

A 1 de maio o tratado era assinado pelo Brasil, Argentina e Uruguai, embora este último não tivesse participado da elaboração do documento. Nascia a Tríplice Aliança contra o governo de López.

O tratado deixava muito claro que seu principal objetivo era derrubar o Governo paraguaio. Além disso, estabelecia o principio da livre navegação nos rios Paraná e Paraguai e os futuros limites do pais guarani com a Argentina e o Brasil.

O Paraguai era declarado o único responsável pela ações de Guerra do Paraguai: por isso, deveria indenizar os três signatários pelas despesas decorrentes da Guerra do Paraguai. Estipulava ainda que o comando supremo das forças aliadas caberia ao presidente argentino, Bartolomeu Mitre, pois as ações armadas deveriam iniciar-se em território de seu país.

Apesar dessa última disposição, a Argentina ia para a Guerra do Paraguai arrastando enormes dificuldades. Sua população não estava motivada para a Guerra do Paraguai e algumas províncias rurais faziam sérias restrições ao governo ‘mercantil” de Buenos Aires.

Era o caso da província de Corrientes, onde a população falava guarani e se mostrava abertamente simpática ao Paraguai: e também de Entre Ríos, dominada pelo caudilho conservador Urquiza, ex-presidente argentino e grande rival de Bartolomeu Mirre.

Na verdade, a formação da Tríplice Aliança fora precipitada pela decisão paraguaia de restabelecer o Governo blanco. Para socorrer seus aliados, porém.

López precisaria passar pela Argentina. A 13 de abril de 1865: tropas guaranis invadiram a província de Corrientes. provocando a adesão de Buenos Aires ao pacto anti paraguaio e a declaração de lealdade de Urquiza a Mitre. Desfaziam-se as esperanças de López quanto à organização de um bloco anti portenho, integrado pelo Paraguai e pelas províncias rurais da Argentina.

O avanço paraguaio

Enquanto isso, chefiados pelo coronel Antonio da Cruz Estigarribia. os guaranis prosseguiram em seu avanço. No início de junho, penetraram no Rio Grande do Sul, tomando São Borja.

No dia II desse mês, a Marinha brasileira, sob o comando do almirante Francisco Manuel Barroso, destruiu quase toda a frota paraguaia na Batalha do Riachuelo.

Estigarribia ficara completamente isolado. Ainda assim conseguiu tomar a cidade brasileira de Uruguaiana em agosto, onde foi obrigado a se render a 18 de setembro de 1865. A iniciativa das operações militares passava aos aliados.

Consequências da Guerra do Paraguai

O Paraguai estava vencido, mas ainda faltava encontrar Francisco Solano López, que, com o que restara de seu governo, fugira para o interior do país. A guerra tornou-se uma verdadeira caçada ao presidente do Paraguai.

A vala comum onde Francisco Solano López foi enterrado era também a sepultura de seu país. O Paraguai havia perdido três quartos de sua população masculina, 140 000 km’ de território (basicamente para a Argentina), via sua economia completamente destroçada e ainda teria de pagar pesadas indenizações aos aliados.

Passaram-se muitas décadas, antes que a fragmentada estrutura social paraguaia recuperasse um mínimo de organização e coesão internas. Mas nunca mais alcançaria a vitalidade que a caracterizara antes da Guerra do Paraguai, O Brasil também não seria mais o mesmo.

Para financiar a mobilização militar tinha sido necessário tomar milhões de libras emprestados junto aos grupos financeiros britânicos. Como isso não bastasse, o Governo imperial acelerou a emissão de papel-moeda, alimentando a inflação e golpeando o nível de vida da população brasileira.

Paralelamente, o Exército imperial, que abrigara milhares de negros em seus batalhões durante a Guerra do Paraguai, não poderia ser o sustentáculo de uma sociedade escravocrata. A partir de então, a abolição e a República ganhariam uma força irresistível. Dom Pedro II, o soberano cujo exército derrotara o Paraguai, perderia seu trono dezenove anos depois.

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Imagens-  buscaescolar.com      conservadorismodobrasil.com.br

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