Guerra da cisplatina: Objetivo e Crise Financeira no Brasil


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Ao despontar o século XIX, as terras platinas estavam entre as regiões mais prósperas da América do Sul- Eram um centro de intenso comércio de produtos coloniais, que demandavam o litoral através dos rios da região.

Sobre boa parte dessa área faziam-se ainda presentes antigas pretensões portuguesas de soberania, levantadas desde o início do século XVI.



Essas pretensões assentavam-se, basicamente, na intenção de assegurar o escoamento fácil para os produtos das províncias do sul brasileiro e mesmo do centro-oeste, carentes de outras vias de transporte. Mas logo tudo isso culminaria na guerra da cisplatina!

Motivo da Guerra da Cisplatina

Os choques entre uruguaios e portugueses continuaram ocorrendo de tempos em tempos. Em 1822, as autoridades e tropas luso brasileiras estabelecidas se dividiram na Guerra da cisplatina.

Uma parte desejava permanecer subordinada a Portugal e outra parcela pretendia ligar-se à nova nação independente. Tentando definir a situação em favor do Brasil, Dom Pedro 1 enviou uma expedição naval para o Prata.



Bloqueando o porto de Montevidéu, essa esquadra conseguiu obrigar os partidários de Portugal a se renderem. Pela Convenção do Pastoreio do Pereira, os lusitanos se comprometeram a retirar-se da Guerra da cisplatina, daí em diante incorporada ao Brasil.

A população uruguaia, no entanto, continuava a lutar contra qualquer dominação, brasileira ou portuguesa. Um dos líderes dessa resistência, Juan Antonio Lavalleja, desempenhou papel importante na libertação da Província na Guerra da cisplatina.

Contando com enorme apoio popular, esse pequeno grupo enfrentou exércitos e foi ganhando adeptos entre a população e entre importantes caudilhos locais.

Acabou por conseguir o apoio da burguesia de Buenos Aires. Em novembro de 1825, os dois centros comerciais do Prata declararam a incorporação da Província Cisplatina á República das Províncias Unidas do Prata (a futura República Argentina) e exigiram a retirada das tropas brasileiras da região.

A guerra da Cisplatina

A 10 de dezembro de 1825. Dom Pedro 1 declarou a Guerra à república nascente. O conflito durou três anos e absorveu uma quantidade considerável de recursos humanos e financeiros. Nos campos de batalha, as tropas brasileiras não conseguiram obter vitórias significativas. O próprio-imperador acabou por se deslocar para Porto Alegre, visando a estimular as tropas com sua presença.

Mas a viagem não atingiu seus objetivos, pois, alguns dias após o retorno de Dom Pedro para o Rio de Janeiro, as tropas brasileiras, comandadas pelo marquês de Barbacena, sofreram desastrosa derrota na batalha de Passo do Rosário, no Uruguai.

No mar, os resultados também foram negativos: os navios brasileiros tentaram bloquear os portos platinos, mas foram assediados por navios corsários argentinos e mesmo norte-americanos. Todos tinham interesse no livre comércio do Prata. No Brasil, a Guerra da cisplatina tornava-se cada vez mais impopular.

Os altos custos que acarretava despertavam evidentes sinais de insatisfação entre os brasileiros, já em difícil situação por causa da crise econômico-financeira que o pais atravessava.



Gradativamente, a ideia de um Uruguai independente começou a ganhar adeptos. As pressões inglesas fortaleciam essa tendência: para a Inglaterra era conveniente que o Uruguai se tornasse independente, pois, dessa forma, os ingleses poderiam assegurar a liberdade de comércio na bacia do Prata.

Em outubro de 1828, o amadurecimento dessas tendências permitiu a assinatura de um tratado de paz entre o Brasil e Buenos Aires, mediado pela diplomacia inglesa.

Nesse tratado, os dois signatários reconheciam a independência da Província na Guerra da cisplatina ou Província de Montevidéu, sob a denominação de República Oriental do Uruguai. O tratado assegurava, ainda, a liberdade de navegação no rio da Prata.

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A crise Financeira

Além da perda em vidas humanas – certa de 8 000 homens – a frustrada tentativa de conservar a província de Guerra da cisplatina revelou-se um sorvedouro de recursos financeiros. Estima-se que foram gastos 120 milhões de cruzados em armamentos e nas operações militares.

Em resultado, nos primeiros anos do Brasil como entidade independente, o pais viu-se às voltas com uma aguda crise econômico-financeira. Ao retornar a Portugal, Dom João VI apoderara-se de quase todo o lastro de ouro do Banco do Brasil, que ficou à beira da falência.

Os conflitos desencadeados com a independência, ocorridos principalmente no Nordeste, constituíram uma fonte suplementar de gastos. Em 1824, o Brasil contraiu um empréstimo de 3 milhões de libras esterlinas junto aos centros financeiros ingleses.

Boa parte desse empréstimo foi despendida na repressão aos confederados de Pernambuco, e o restante, na Guerra da cisplatina.

Agravando a situação, uma séria crise econômica atingiu a frágil estrutura de produção brasileira, toda ela voltada para o mercado externo. O açúcar passou a sofrer a concorrência de seu similar produzido nas Antilhas, em Cuba, no Egito, em Java e nas ilhas Maurícias.

Além disso, a descoberta do açúcar de beterraba constituiu o golpe que faltava para a decadência da produção brasileira. Sendo até então o primeiro fornecedor mundial, o Brasil caiu repentinamente para o 5? lugar. O algodão começou a sofrer a concorrência das plantações dos Estados Unidos e da índia.

O tabaco ressentiu-se das restrições impostas ao tráfico de escravos, já que a maior parte da produção era utilizada para a compra de negros africanos. Tudo isso resultou numa diminuição drástica das exportações brasileiras, num momento em que as importações aumentavam de forma acentuada.

Os tratados de comércio, impostos pela Inglaterra como condição para o reconhecimento da independência do Brasil, constituíram mais um fator desfavorável para as finanças e a economia do país.

Por eles, manteve-se a tarifa alfandegária de 15%, incidindo sobre os produtos importados de “nações amigas” – a taxa baixissima imposta a Dom João pela garantia do trono dos Bragança em Portugal. Por um lado, essa taxa alfandegária bastante reduzida provocou uma diminuição das rendas do país.

Por outro, provocou o aumento das importações, a virtual invasão do Brasil pelas chamadas “ferragens de Birmingham” e outras manufaturas britânicas, o que desarticulou a incipiente industrialização brasileira.

Mais ainda, a possibilidade de aumentar os recursos governamentais através da cobrança de novos tributos (como, por exemplo, o imposto territorial), esbarrava em razões políticas, uma vez que os grandes proprietários de terra constituíam a classe economicamente dominante no Império do Brasil.

Essas dificuldades atingiram a população como um todo, incidindo ainda mais severamente sobre a população urbana de baixa renda. Num panorama assim tão critico, a guerra da Cisplatina agravou a insatisfação popular que se voltou contra a figura do imperador, cuja impopularidade crescia a cada momento.

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