Grécia – Atenas (democracia), Esparta, História e Origem


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A antiga Grécia dividiu a humanidade em duas categorias: os helenos (eles próprios) e os bárbaros (todos os que não falavam o idioma grego). Todavia, a essência desse “modo de ser helênico” não foi geográfica ou linguística, mas cultural e social.

Grécia e sua chegada na história

Por volta de 2000 a.C. a ilha de Creta era o centro de uma notável civilização que estendia sua influência sobre as ilhas do mar Egeu e todo o Mediterrâneo oriental, e que passaria à História sob o nome de civilização minoica.



Foi nesse momento que as primeiras levas de povos indo-europeus se abateram sobre a península da Grécia. Esses invasores eram os jônicos e os aqueus (uma parte dos quais recebeu o nome de eólios). Eram tribos guerreiras, provenientes das estepes meridionais da Rússia e das terras ao longo do Danúbio.

Como não conheciam a navegação, permaneceram durante muito tempo sem ameaçar as sofisticadas populações das ilhas do Egeu; em contrapartida, suas armas de bronze triunfaram sem dificuldades sobre os machados de pedra dos habitantes da Grécia continental, conhecidos pela denominação genérica de pelasgos. Desse encontro entre culturas de níveis diversos resultaria uma entidade única: a civilização helênica.

Por mais de trezentos anos os jônios e os aqueus espalharam-se pela Grécia, mesclando-se aos pelasgos e impondo-lhes sua cultura superior.



Paralelamente, sofriam o impacto da elaborada civilização egeia: estabeleceram relações comerciais, com os cretenses e aprenderam a arte da navegação.

A partir de 1650 a.C. desenvolveram uma cultura própria, embora sob forte influência minoica. Foi a chamada cultura micênica, cujo centro irradiador era a cidade aqueia de Micenas, na Grécia continental.

O governo de poucos

Por volta do final do século VIII a.C., não existia mais a monarquia. A realeza reduzira-se à condição de magistratura: não era mais vitalícia e hereditária, mas um cargo com vigência de um ano, acessível a todas as famílias da aristocracia.

Essa palavra da Grécia (aristokratia) significa o poder dos aristoi, isto é, dos “melhores”, dos “bem-nascidos”; designava basicamente a camada social dos grandes proprietários de terras. A nova expansão do comércio e das atividades manufatureiras veio mudar esse quadro.

No século VII a.C., muitos comerciantes e artesãos começaram a constituir u[Ema classe intermediária endinheirada, que estabeleceu vínculos matrimoniais com elementos da nobreza. Aos poucos, o regime aristocrático converteu-se em plutocracia, ou seja, na predominância política dos ricos.

O poder passou, portanto, às mãos dos lóligos (os poucos); os gregos chamaram a nova elite de oligarquia. No entanto, o descontentamento das classes trabalhadoras, sobretudo camponeses e artesãos pobres, deu origem a tensões sociais que determinaram o surgimento, no século VI a.C., de um novo personagem – o tirano – que assumiu o poder na cidade-Estado em nome do povo.

A tirania, que se propunha combater o privilégio dos oligarcas e melhorar as condições de vida do povo foi, em Atenas, o primeiro passo para a democracia. A evolução da maioria das cidades e estados seguiu esse percurso, mas houve exceções. Uma delas foi Esparta.

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O nascimento de Esparta

A sociedade dividia-se rigidamente em três categorias: esparciatas, periecos e hilotas. Os primeiros eram os cidadãos, descendentes dos conquistadores dóricos, únicos a poder ocupar cargos públicos.

Os periecos eram homens livres que habitavam os arredores da cidade; é provável que descendessem de populações voluntariamente submetidas aos dórios ou de povos que em certa época se aliaram a estes. Podiam comerciar e dedicar-se à atividade manufatureira, mas estavam excluídos da vida pública.

Os hilotas eram escravos da Grécia, sem direito algum, embora constituíssem a maioria da população. Ao atingir seu ponto máximo de crescimento, no século V a.C., Esparta contava com 400 000 habitantes; pouco mais de Seus eram esparciatas.

A constituição de Esparta, elaborada por Licurgo (entre os séculos IX e VIII a.C.), quando essa desproporção era ainda mais acentuada, considerou exatamente o fato de os esparciatas constituírem a minoria. O único modo de enfrentar as inevitáveis rebeliões internas era manter a pólis em permanente estado de guerra.

Atenas e a Democracia

A história de Atenas é bem diferente da de Esparta. Os jônios fixaram-se na bem abrigada e fértil península da Mica, onde havia minas de prata e os excelentes portos naturais do Falem e do Pireu.

No período das invasões dóricas, a situação geográfica da Ática foi um fator decisivo para protegê-la do assédio dos conquistadores e, desse modo, a península pôde conservar alguns traços da civilização micênica. No fim do século V a.C., as diversas comunidades da Ática encontraram-se unidas sob a liderança de Atenas.

No século VII a.C., o comércio marítimo, a manufatura de cerâmica, a cultura da vinha e sobretudo da oliveira – segundo as lendas, o grande presente da deusa Atena à sua cidade, proporcionaram a riqueza a algumas famílias e a miséria a muitas outras.

Estadistas atenienses

As primeiras leis escritas de Atenas foram redigidas por Dracon em 621 a.C. e surgiram para aplacar as revoltas populares contra o poder dos eupátridas. Sua severidade, entretanto, apenas reforçou o governo oligárquico.

Os aristocratas poderiam ter preservado seu domínio não fossem alguns fatores: até o século VI a.C., a massa da população era da mesma estirpe dos governantes e tinha direitos de cidadania; o comércio e o artesanato produziram uma classe de trabalhadores urbanos mais livres do controle dos nobres que os camponeses, e a classe média enriquecida, cerceada nos seus direitos, solidarizava-se com as camadas populares.

O declínio da Grécia

De 404 a 371 a.C., a hegemonia da Grécia pertenceu a Esparta. Velhas oligarquias retornaram ao poder onde quer que houvesse um governo democrático; o confisco de propriedades e os assassinatos foram métodos normais de combate às oposições.

O ressentimento contra a dominação espartana cresceu, em 371 a.C., o brilhante general Epaminondas, de Tebas, derrotou os espartanos em Leuctras.

Seguiu-se breve período de supremacia tebana, mas era tarde: a longa sucessão de guerras levara as cidades-Estado à exaustão.

O conceito de pólis desmoronara e, com ele, segundo o grande orador ateniense Demóstenes, também se perdera a única arma capaz de impedir Filipe II da Macedônia de conquistar todo o mundo grego – o que aconteceu em 338 a.C., prenunciando a ofensiva dos macedônios e gregos contra o Império Persa.

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