Grandes Navegações – Expansão Marítima Europeia

Grandes Navegações

Nesse artigo você saberá tudo sobre a Expansão Marítima Europeia. Um marco importante para toda a humanidade, pois as grandes navegações ampliaram a visão do homem em relação ao mundo e a ele mesmo.

As grandes navegações

Com as grandes navegações, termina a Idade Média e tem início uma nova era da História: a Idade Moderna, que vai até 1789, quando a Revolução Francesa abre a Idade Contemporânea que chega até hoje. Mas como teve início essa febre de viagens?

A crise da Idade Média e o início da Expansão Marítima

A partir dos anos 1300, as atividades comerciais e manufatureiras (fabris) da Europa se intensificaram, fazendo crescer as cidades. Uma nova classe social ganhou força: a burguesia (comerciantes, banqueiros e donos de manufaturas), que passou a apoiar as monarquias locais.

Era época do nascimento dos Estados nacionais, baseados na força emergente da burguesia, que começava a suplantar o poder da aristocracia (senhores feudais, donos de terras). Mas essas transformações não se fizeram sem problemas. Uma violenta crise econômica abalou a Europa dessa época. O crescimento das cidades atraiu levas de camponeses, que abandonaram o campo. Uma série de más colheitas fez com que faltasse alimento.

E se criaram condições de miséria que permitiram o alastramento de uma epidemia de peste que chegou a reduzir a população européia de 70 milhões de habitantes para 50 milhões. Com o desaparecimento da epidemia de peste, nos anos 1400, a economia européia começou a melhorar. Mas o setor mais lucrativo passou a ser o comércio: ouro, prata, tecidos, porcelanas e especiarias (açúcar, gengibre, pimenta, cravo) eram comprados do Oriente e revendidos a altos preços.

 

À procura de um caminho para as índias

Até o século XV, o intercâmbio da Europa com o Oriente era feito por rotas terrestres, através de Constantinopla (na atual Turquia, no extremo leste do mar Mediterrâneo, fronteira da Ásia), capital do Império Romano do Oriente. Carroças puxadas a cavalo iam e vinham através dos atuais territórios do Irã e da índia, chegando até a China – e pondo em contato os europeus com comerciantes árabes, indianos e chineses.

Em 1453, com a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos (que substituíram a dominação árabe e européia sobre vastas regiões, e eram inimigos dos cristãos), essas rotas não puderam mais ser usadas.

Quem quisesse comprar mercadorias do Oriente deveria pagar somas fabulosas aos turcos, que fizeram monopólio desse comércio. Restavam duas alternativas aos europeus: ou empreender cruzadas (guerras) contra os turcos, ou encontrar outras rotas para o Oriente. A ideia de uma grande guerra contra o poderoso Império Otomano não parecia boa. “Por que não tentar uma rota por mar?”, pensavam alguns.

Expansão Marítima Europeia

Hoje sabemos que esta alternativa é perfeita: basta contornar a África e chegamos ao Oriente. Acontece que, na época, os europeus nem sabiam se a Terra era redonda ou não, e muitos achavam uma loucura aventurar-se por mares que, segundo as lendas medievais, eram repletos de monstros e perigos.

Na Idade Média, a simples ideia que envolvia a expansão marítima de se aventurar por regiões que abrigavam demônios e povos pagãos assustaria qualquer europeu. Mas estávamos em outro período da História: o Renascimento fazia da arte e da cultura não mais o domínio absoluto da Igreja, e o comércio prosperava.

Sábios e cientistas começar varo a situar o homem e seu progresso no centro de suas atenções, deixando de lado os dogmas da Igreja (que no século XVI ainda mandaria prender Galileu Galilei porque este afirmara que a Terra girava em volta do Sol. contrapondo-se à teoria oficial das autoridades cristãs, que era a de que o Sol girava em torno da Terra).

Foi nesse clima de luta por uma maior liberdade intelectual que surgiram financiadores, cientistas, técnicos e aventureiros dispostos a arriscar a vida pela fortuna que poderia advir de novas descobertas através da expansão marítima. Aperfeiçoaram-se as técnicas de navegação e os modelos de navios; começaram a surgir discussões sobre as chances de sucesso de aventuras pelo oceano.

A iniciativa de Portugal nas navegações além do horizonte

Portugal foi o primeiro país a se lançar na aventura das grandes navegações, tendo se tornado uma grande potência tendo como base as expansão marítima. O mérito em grande parte se deveu a um príncipe cheio de iniciativa, da dinastia dos Avis: o infante D. Henrique. o Navegador. Filho de D. João 1, em 1415 D. Henrique participou da tomada de Ceuta. Anos depois, fundou a Escola de Sagres, em Lisboa, reunindo ali astrônomos, construtores de navios e experientes pilotos de toda a Europa.

Assim, somando condições históricas favoráveis (como o fato de ser o único país europeu a ter centralização monárquica e unidade nacional) com o espírito empreendedor dos Avis, os portugueses lançaram-se rumo ao Atlântico.

O projeto português era simples, pelo menos em teoria. As índias, podiam ser alcançadas contornando a Africa, indo até o extremo sul do continente e depois subindo em direção ao oceano Indico. Esse oceano era desconhecido para os navegadores europeus, mas sabia-se que em percorrido por árabes, penas e indianos, desde a Antiguidade. Levando a teoria à prática, em 1418, os portugueses chegaram ao arquipélago da Madeira.

Em 1427, descobriram os Açores, e, em 1434, Gil Eanes dobrou o cabo Bojador, considerado intransponível pela maioria dos navegadores. Nas duas décadas seguintes foram exploradas a costa da Guiné ç as ilhas de Cabo Verde. Mas o sul da África ainda estava longe.

O cabo das Tormentas

Foram necessários mais de sessenta anos, desde que os portugueses lançaram-se às grandes navegações, para que o passo decisivo fosse dado. Assim, em 1487, depois de navegar ao longo da costa africana com três navios, Bartolomeu Dias chegou ao extremo sul do continente.

As tempestades fizeram padecer de tal maneira os navios, equipagem e a tripulação, que Bartolomeu não pôde seguir em. frente: teve de regressar. Mas antes batizou aquele lugar “maldito” com o nome de cabo das Tormentas. O novo rei de Portugal, D. João II (D. Henrique tinha morrido em 1460), porém, entendendo que o grande objetivo tinha sido alcançado, rebatizou-o com o nome de cabo da Boa Esperança.

“Chegar ao Oriente pelo Ocidente”

Alguns anos antes de Portugal conseguir dobrar o cabo da Boa Esperança, em 1484, o navegador genovês Cristóvão Colombo tentou convencer a Coroa portuguesa a lhe financiar um velho projeto: chegar às índias navegando para ocidente.

Tal proposta baseava-se na ideia, admitida por alguns cosmógrafos da época, de que a Terra tinha forma esférica. Assim, em teoria, atravessando o Atlântico sempre em direção oeste, haveria de se chegar às Índias. Mas D. João II não aceitou planos de Colombo, e ele seguiu, então, para Castela (Espanha).

 

O Novo Mundo: Descoberta da América

Expansão Marítima - cabral brasil

Colombo partiu com sua pequena frota do porto de Paios, na Espanha, no dia 3 de agosto de 1492, e no dia 6 de setembro deixou para trás as ilhas Canárias, última etapa antes de se lançar na assustadora travessia do oceano desconhecido. Trinta e três dias e 23 horas mais tarde foi avistada terra: a ilha Guanahani, como era chamada pelos indígenas que a habitavam, ou San Salvador, como a rebatizou Colombo.

Era o Novo Mundo, a futura América. Colombo, no entanto, e talvez até a morte, não entendeu isso. Embora tenha realizado mais três viagens para essa mesma região, estava convencido de que atingira Catai ou Cipango (nomes que Marco Polo tinha dado à China e ao Japão).

Como vimos, o afortunado engano de Colombo se deveu à sua convicção (compartilhada por alguns cosmógrafos de seu tempo) de que a Terra era esférica. Mas Colombo acreditava que o planeta era menor do que realmente é e que a Ásia estava bem próxima da Europa, do lado ocidental. Por vários anos, os que seguiram o exemplo de Colombo cometeram o mesmo erro.

Muitos grandes navegadores exploraram ilhas e mais ilhas, bordejaram costas, enquanto mediam e desenhavam mapas… Na Europa, geógrafos e cartógrafos compilavam as informações e desenhavam novos mapas. E, surpresos, viram delinear-se aos poucos o perfil de um enorme continente, que nada tinha a ver com a Ásia. Começava a surgir o Novo Mundo. Esse foi, sem dúvida, o momento do verdadeiro descobrimento do continente americano.

Vasco da Gama chega às Índias Cristóvão Colombo descobrira uni novo mundo e não o caminho para as índias. Em 1498, finalmente, percorrendo a tradicional rota de circunavegação da África, o português Vasco da Gama superou o grande feito de Bartolomeu Dias.

Dobrou o cabo da Boa Esperança e costeou o litoral africano. Contando com a ajuda de um famoso piloto árabe, Ahmad Ibn Majid, que se somou à sua tripulação em Melinde, Vasco da Gama chegou triunfalmente a Calicute, na Índia ocidental. Regressou a Portugal com suas caravelas carregadas de gengibre, canela, pimenta, cravo e outras especiarias. Apesar de ter perdido um de seus barcos e metade da tripulação, do ponto de vista comercial sua viagem foi Considerada uni grande sucesso.

Descoberta do Brasil

As grandes navegações e expansão marítima tomaram uma grandeza enorme após as explorações de Colombo. O caminho marítimo para as Índias fez a fortuna de Portugal. Na África, os portugueses estabeleceram fortificações (feitorias) que serviam de depósito para as mercadorias obtidas nas Índias e no próprio continente africano (onde os portugueses compravam ou aprisionavam negros para vender como escravos).

Mas os portugueses não se limitaram a explorar o Oriente. Em 1500, comandados por Pedro Álvares Cabral (que havia feito várias viagens às Índias), eles chegaram ao Novo Mundo, já visitado por Cristóvão Colombo. Atingiram a atual América do Sul, onde descobriram uma árvore da qual se extraia unia tintura cor de brasa (vermelha) que daria nome a um futuro país: o Brasil.

Uma nova era com as grandes navegações

A História muda de rumo com as grandes navegações e expansão marítima, começa uma nova fase da História: os países europeus tomam posse de novas terras (as colônias), cuja exploração será a base de sua economia até praticamente os séculos XIX e XX, época da independência e da descolonização de continentes inteiros (como a África, que só conseguiu se libertar totalmente dos europeus na década de 60).

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