Governo Médici (Ditadura Militar) – Quem foi e Como foi


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No governo Médici, o Brasil registrou os maiores índices de crescimento econômico de toda a sua história. Foi a época do “milagre brasileiro”, cuja contrapartida, porém, era uma ditadura militar. De um lado, a censura à imprensa, o Ato Institucional n.° 5 e as prisões sem mandado judicial. De outro, a luta armada de alguns grupos, com assaltos, sequestros e terrorismo.

Em outubro de 1969, ficou claro que o presidente Costa e Silva não teria condições de voltar ao poder, em virtude da doença que o havia acometido.



O Congresso Nacional, fechado desde a decretação do Ato Institucional n.° 5, foi reaberto somente para sacramentar a escolha. Médici foi eleito presidente com os 239 votos da Arena, contra 76 abstenções do MDB. Outros 93 parlamentares não puderam votar porque seus mandatos foram cassados pelo Al-5. O novo presidente assumiu a 3l de outubro de 1969.

o “milagre brasileiro”

Nos quatro anos do governo Médici a economia nacional quebrou todos os recordes de crescimento: 9,5% em 1970, 11,3% em 1971, 10,4% em 1972 e 11,4% em 1973. Vivíamos o chamado “milagre brasileiro”: o modelo econômico implantado a partir de 1964 mostrava finalmente os seus frutos.

A inflação estava sob controle, os pequenos bancos desapareciam para dar lugar a grandes conglomerados, a indústria também acelerava seu processo de concentração, e o capital estrangeiro, restabelecida a estabilidade política, voltava a irrigar a economia brasileira & Governo dispunha de recursos para investir; as grandes companhias estatais cresciam sem parar.



Estava formado o tripé do desenvolvimento nacional: capital estrangeiro, investimentos públicos e empresas privadas nacionais. O motor do ”milagre” foram as exportações, que, alimentadas por desvalorizações sucessivas do cruzeiro, cresceram à taxa espetacular de 32% ao ano.

Brasil no mundo

A economia mundial estava em expansão e os preços de uma enorme gama de produtos mostravam-se compensadores no mercado internacional. O país rompera a dependência do café, passando a exportar soja, carne bovina, suco de laranja e outros produtos agropecuários como nunca antes.

Ferro, manganês, cassitenta (estanho) e outros minérios eram explorados em regime de associação a grandes grupos estrangeiros. O Brasil também se tornara exportador de calçados, têxteis e outros produtos manufaturados. Ao final de 1973, a indústria automobilística produzia l milhão de veículos por ano e passava a vendê-los no exterior.

O resultado era o equilíbrio da balança comercial brasileira, com mercadorias no valor de 6,2 bilhões de dólares exportadas em 1973 e igual montante utilizado para financiar a crescente importação de maquinaria.

Apoiado no excepcional crescimento econômico, o Governo passou a realizar grandes obras de infra-estrutura, como a ponte Rio Niterói (RJ) e a rodovia dos Imigrantes (SP). Numa sociedade onde o automóvel reinava, estradas e vias públicas passaram a concentrar grande pane dos investimentos.

A construção da Transamazônica, uma estrada aberta em plena selva, foi a epopeia da época, A ideia era usá-la para um grande projeto de colonização, levando para a Amazônia milhões de nordestinos atingidos pela seca. A grandiosa proposta, porém, tomou-se irrealizável frente às dificuldades da luta contra a selva.

Os poucos colonos para lá deslocados acabariam entregues à própria sorte, enquanto o aproveitamento econômico da Amazônia era confiado a empresas nacionais e estrangeiras (Jari, Volkswagen e Banco de Crédito Nacional, entre outras), que, com incentivos do Governo, implantaram enormes projetos agropecuários.

Os filhos do “milagre”

O modelo econômico que floresceu no governo Médici estava, em boa pane, voltado para a produção de bens duráveis e caros: automóveis, apartamentos de luxo, eletrodomésticos sofisticados. Para que mais de 80% das famílias de classe média possuíssem rádio, geladeira, Fogão, televisor, liquidificador etc., foi necessário expandir o sistema de crediário e concentrar a renda.



Alguns setores da classe média ganhavam altos salários, trocavam de cano todos os anos e, sobretudo, especulavam desenfreadamente nas Bolsas de Valores, que registraram índices altíssimos entre setembro de 1970 e o final de 1971. Estes eram os filhos do “milagre”, otimistas e seguros de si, para quem se construía a imagem do “Brasil potência”, sob o slogan “Ame-o ou deixe-o”.

o outro lado da moeda

Mas, nos setores de base da pirâmide social, a mensagem de otimismo do regime diminuía de eficácia, obscurecida pelas dificuldades da simples sobrevivência. Em 1972, 73% da população ativa recebiam menos de dois salários mínimos, e o operariado sofria os efeitos do arrocho salarial.

Eis um dos segredos do modelo econômico: conter a grande massa de salários para manter baixo o custo das empresas, que assim podiam competir no mercado externo, ampliando as exportações. Se os trabalhadores conseguiram usufruir um pouco do “milagre brasileiro”, foi via crediário e não pelo aumento da renda.

Anos de repressão

A tônica repressiva do governo Médici resultava, em grande parte, da necessidade de conter as reivindicações salariais.

Daí o binômio “segurança e desenvolvimento”, lema oficial do período: era preciso manter a sociedade estritamente vigiada para que as metas econômicas fossem cumpridas.

Sindicatos, Congresso, Imprensa não podiam se manifestar livremente pois isso poderia trazer perturbações à ordem. Instaurou-se a censura a jornais, revistas e livros, enquanto os parlamentares viviam sob ameaça de terem os mandatos cassados.

O ataque da esquerda

o Governo reprimia a livre exposição de pensamento e fazia da política uma atividade quase clandestina; as medidas repressivas contribuíram, ao contrário, para estimular a contestação armada ao regime, já que os outros canais ficaram fechados.

Estudantes, intelectuais, e mesmo operários, que até 1968 promoviam greves e passeatas, aderiram aos grupos que imaginavam poder derrubar o Governo de armas na mão.

Foi a época dos assaltos a banco, dos sequestros de embaixadores, das guerrilhas do vale do Ribeira e da região do Araguaia, de Carlos Marighella (morto em novembro de 1969) e também do capitão Lamarca (morto em setembro de 1971).

O contra-ataque da ditadura

Para combater as organizações de esquerda (mesmo as que não haviam pegado em armas), montou-se um enorme aparelho repressivo, que em muitos casos recorreu à tortura. Além disso, o Exército foi convocado para participar da luta contra a subversão. As prisões encheram-se de presos políticos.

Em março de 1974, Médici entregou a seu sucessor um país em ordem, mas traumatizado, onde a luta pela anistia transformara-se em bandeira popular.

Ao mesmo tempo, os preços do petróleo haviam quadruplicado, a dívida externa (12,5 bilhões de dólares) tornara-se preocupante e a inflação tendia a crescer. O modelo econômico dava sinais de esgotamento. Chegara o momento de tornar mais flexível o modelo político.

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Imagem- seuhistory.com