Formação Dos Reinos na Europa – Monarquia e Carta Magna


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Falaremos aqui sobre os principais Reinos na Europa e os principais acontecimentos.

Formação dos Reinos na Europa – o avanço francês

Os alemães intervinham de modo expansionista no leste, mas tinham suas fronteiras ocidentais retraídas devido às investidas dos franceses.



Carlos de Anjou, irmão mais moço do rei francês Luís IX e conde de Provença, recusara-se a prestar vassalagem ao imperador Frederico II, embora este, sendo também rei de Borgonha, fosse suserano do senhor de Provença.

Por outro lado, o papa Urbano IV (Jacques Pantaléon) havia sido expulso de Roma por Manfredo, filho natural de Frederico II, que, com a morte do imperador, herdara o trono da Sicília. Em 1254, Manfredo fora obrigado a entregar seu reino ao papado, ficando só com Taranto como feudo.

Logo, porém, rebelarase, conquistando o sul da península Itálica e a Sicília, fazendo-se coroar rei em Palermo em 1258. O papa Clemente IV (Guy Foulques) coroou Carlos rei de Nápoles e da Sicília em 1266. No mesmo ano, Carlos derrotou e matou Manfredo em Benevento.



A capital do reino foi transferida de Palermo para Nápoles, e o regime de terror infligido pelos franceses aos italianos (sobretudo aos sicilianos) foi tamanho que, na segunda-feira de Páscoa de 1282, irrompeu em Palermo violenta insurreição popular, conhecida como Vésperas Sicilianas, resultando na morte de milhares de franceses.

Pedro III, rei de Aragão e genro de Manfredo, foi em socorro dos rebeldes sicilianos, mas, após uma série de lutas, as partes chegaram a um acordo: os franceses ficaram com o Reino de Nápoles e os aragoneses, com o da Sicília.

Da Reconquista nasce a Espanha

A partir da segunda metade do século XI, boa parte da península Ibérica foi controlada pelo império muçulmano dos almorávidas, berberes do norte da Africa. No início do século XII, porém, esse domínio começou a ser ameaçado pelos almóadas, outra dinastia berbere. Aproveitando a crise em que se debatia a Espanha islâmica, os cristãos retomaram a luta pela chamada Reconquista, que já vinha desde o século VIII.

Foi ao longo dos avanços e recuos desse período de lutas que se formaram muitos reinos ibéricos: Astúrias, Leão, Castela, Navarra, Portugal e outros. Até a segunda metade do século XV, foram freqüentes os choques entre Portugal e Castela, ou Castela e Aragão, pela definição das fronteiras.

Finalmente, em 1469, Fernando, herdeiro de Aragão, e rei da Sicília, e Isabel, herdeira de Castela, casaram-se. A união permitiu a centralização do poder na Espanha.

Fernando e Isabel, chamados os Reis Católicos, organizaram a Inquisição espanhola (1478), guerrearam os mouros (1482-92) e expulsaram os judeus (1492), conquistando afinal o Reino de Granada, último baluarte muçulmano da península Ibérica. Em 1512, já depois da morte de Isabel, que ocorrera em 1504, Fernando incorporou Navarra à Espanha.

O Reino de Portugal

No século X, a região compreendida entre os rios Douro e Minho, pertencente ao Reino de Leão, começou a ser chamada Terra Portucalis ou Portus CaIle (nome romano da cidade do Porto, localizada na desembocadura do Douro).

Em 1095, o rei Afonso VI de Leão e Castela concedeu essa fatia de território a seu genro Henrique de Borgonha, como feudo de Leão. Estava constituído, assim, o Condado Portucalense. Em 1139, o filho e sucessor de Henrique, Afonso Henriques, tendo vencido os mouros na batalha de Ourique, declarou o condado independente de Leão e proclamou-se rei.



A independência seria reconhecida em 1143 por Afonso VII de Castela e em 1179 pelo papa Alexandre III. Em 1249, ao incorporar o Algarve, reconquistando aos mouros o último território a sudoeste da península que lhes restava, Afonso III daria a Portugal suas fronteiras atuais.

O processo de centralização do poder consolidou-se, efetivamente, com D. João 1, fundador da diriastia de Avis, que subiu ao trono (1385) graças ao apoio da burguesia urbana, sobretudo lisboeta. Devido a esse suporte, Portugal pôde iniciar o movimento dos descobrimentos marítimos.

OS REINOS DA INGLATERRA E DA FRANÇA

A consolidação da monarquia na Inglaterra foi muito lenta e difícil. Contribuiu para isso o fato de que, politicamente, a ilha constituía um prolongamento ultramarino do Ducado da Normandia, desde que fora tomada em 1066, pelos normandos, comandados por Guilherme, o Conquistador.

Assim sendo, seu domínio era atribuído ao soberano francês, através de um laço de vassalagem. Com a morte de Guilherme, subiu ao trono Henrique II, conde de Anjou, o primeiro soberano inglês da dinastia Plantageneta, que estabeleceu as primeiras bases da centralização do poder.

Entre as medidas que adotou, estava a criação de um imposto destinado à organização de um exército permanente, eliminando a dependência do serviço militar prestado pelos senhores feudais. Assim, os nobres passaram a pagar uma taxa em dinheiro, o que fortalecia o monarca. Mas, no reinado de Ricardo 1, filho e sucessor de Henrique li, a nobreza retomou parte do poder perdido.

Para saber mais sobre a França leia: Formação da Monarquia Francesa.

A Magna Carta

Dos dez anos em que foi rei (1189-99), Ricardo 1, chamado Coração de Leão, só passou seis meses na Inglaterra. O resto do tempo esteve na III Cruzada, prisioneiro do imperador romanogermânico Henrique VI (pendente de resgate) e lutando contra Filipe II da França. João Sem Terra, irmão e sucessor de Ricardo, não teve melhor sorte.

Perdeu para Filipe (1204) os feudos ingleses da França. Em 1209, foi excomungado, por confiscar terras da Igreja e por recusar-se a aceitar o arcebispo de Cantuária nomeado pelo papa: Os barões, excluídos do governo e obrigados ao pagamento de pesados impostos para financiar as guerras, revoltaram-se e obrigaram João a assinar a Magna Carta (1215), que é considerada a primeira constituição na História.

Entre outras coisas, o documento proibia que o monarca decretasse taxas e impostos sem o consentimento do Grande Conselho do Rei, organismo formado pelos nobres e pelo alto clero, e estabelecia que representantes da nobreza só poderiam ser julgados por seus pares (pessoas da mesma condição social).

Para garantir o cumprimento da carta, foram eleitos 25 nobres, que também se reservavam o direito de expropriar territórios e castelos do rei.

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Imagem-  plataformacidadaniamonarquica.wordpress.com