Feudalismo: Sociedade, Origem, Economia e Politica


feudalismo

Carlos Magno, coroado imperador em 800, morreu em 814. O último imperador da dinastia carolíngia foi Carlos, o Gordo, deposto em 887. Durante esse período, o feudalismo foi adquirindo a sua forma, e uma grande parte da Europa passou a se constituir de incontáveis feudos, dos quais os maiores dariam origem aos Estados nacionais modernos.

O que era o Feudalismo

O feudo era composto pelo território que o vassalo obtinha do soberano. O feudatário administrava, mas não era proprietário.



Em outras palavras, ele apenas detinha o usufruto do feudo: o seu direito restringia-se ao uso dos frutos daquele território, isto é, os produtos da terra e os bens oriundos de impostos e de serviços de seus subordinados.

O proprietário continuava sendo o longínquo soberano, que retomava o feudo quando da morte do feudatário.
Na prática, porém, o filho do falecido feudatário renovava o juramento de fidelidade ao rei e prosseguia a administração do pai.

Como Funcionava

O feudo era praticamente hereditário. Na verdade, o rei, nessas condições, quase não tinha controle sobre os feudos.



Desde que o feudatário não rompesse a fidelidade ao rei, poderia governar o feudo como se este fosse seu “reino” e ele mesmo, um “rei”.

Sendo uma espécie de rei no seu feudo, o feudatário podia selar acordos de fidelidade e auxilio recíprocos com outras pessoas menos poderosas do que ele. ‘0 feudatário, de fato, também precisava de auxílio para administrar o seu feudo, e isto o levava a recrutar seus “homens” por meio de uma cerimônia de homenagem com características idênticas àquela à qual ele havia se submetido.

Nesse caso, o feudatário, que era um vassalo do rei, tornava-se, por sua vez, senhor de outros vassalos. Esses “vassalos do vassalo”, recebiam, em troca tia sua fidelidade, parte do feudo do seu senhor a título de benefícios: um castelo, uma fortaleza vizinha a uma vila de agricultores, campos cultivados, ou até mesmo uma simples estrada sobre as quais podiam cobrar taxas e tributos.

A complexa hierarquia do sistema de vassalagem, no entanto, não se esgotava nesse ponto: .os “vassalos do vassalo” podiam também ter seus vassalos, a quem exigiam fidelidade em troca de benefícios e imunidades. Assim cada nobre era senhor ou vassalo de outro.

A sociedade feudal estava assim rigidamente organizada por uma extensa e intrincada rede de relações pessoais de dependência, baseadas em compromissos mútuos, onde’ cada’ indivíduo ocupava uma posição fixa.

Cada um estava na dependência do seu senhor – até mesmo o rei: este era considerado vassalo de Deus, de quem teria recebido o reino e a autoridade em troca da fé.

Sociedade dentro do Feudalismo

Grandes feudatários, vassalos do vassalo ou modestos vassalos destes compunham a camada dominante na sociedade feudal e pertenciam invariavelmente ou à nobreza ou ao clero.

Os nobres eram poderosos porque sabiam manejar a es da e a lança; os membros do clero, porque detinham os segredos da palavra divina.



Uns mais, outros menos, todos eles possuíam alguma parcela do poder e da autoridade. Abaixo deles havia às camadas dominadas, formadas por pessoas pobres e sem nenhum poder, e que também viviam na estreita dependência do seu senhor.

Mas mesmo entre os membros dessas camadas baixas, havia ,uma certa hierarquia. Os homens livres eram os mais privilegiados.

Os artesãos, por exemplo, que produziam artigos de feno, couro, madeira, lã etc., eram protegidos pelos senhores, que lhes davam casa e oficina. Em troca, os artesãos deviam fornecer anualmente ao senhor uma determinada quantidade de seus produtos.

Livres eram ainda os colonos, isto é, os agricultores que cultivavam as terras a eles destinadas pelo senhor, em troca da proteção.

A obediência ao senhor traduzia-se também em uma série de obrigações: deviam entregar parte da produção da terra ao senhor; pagavam taxas que rebaíam, por exemplo, sobre o uso do forno, da ponte etc.; e deviam executar alguns trabalhos gratuitos (consertos de estradas, construção de muralhas etc.), denominados corveias.

Em caso de guerra, além de serem obrigados a assistir seu senhor, os vassalos deveriam resgatá-lo se ele caísse prisioneiro em luta.

Na realidade, numa sociedade inteiramente marcada por obrigações mútuas, era muito difícil determinar quem era livre, mesmo porque as palavras que designavam as categorias sociais variavam muito conforme a época e o lugar. Além disso, os colonos, com o passar do tempo, acabaram se confundindo com os membros da camada mais baixa da sociedade feudal: os servos.

Servos e os Senhores Feudais

As obrigações que ligavam o servo ao senhor não eram muito diferentes das do colono: parte da sua produção agrícola era destinada ao senhor; devia pagar taxas para a utilização de fornos, moinhos e tonéis; realizava trabalhos gratuitos (as corveias); pagava impostos por pessoa; e ainda devia cultivar as terras que o senhor reservava para si.

Se não era escravo, a palavra “servo” na origem significava “escravo”. Era tido como “coisa do senhor”, o qual dispunha do seu corpo, do seu trabalho e de seus bens.

Suas obrigações não provinham de um juramento, mas da sua condição: servo era servo de pai para filho. Em suma, os servos estavam presos à gleba (a terra) e ao seu senhor, a quem alimentavam com o suor do seu trabalho. Eram, portanto, os verdadeiros sustentáculos do feudalismo.

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Imagem- periodomedieval.blogspot.com.br