Fernando Henrique Cardoso (FHC) – Governo e Plano Real


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O povo elege Fernando Henrique Cardoso, o autor do Plano Real na esperança de que inflação baixa e estabilidade econômica se tornem uma realidade.

A disputa da sucessão de Fernando Henrique Cardoso

O principal criador do Plano Real desliga-se oficialmente do Ministério da Fazenda em 29 de março de 1994 e lança sua candidatura à presidência da República.



O PSDB, partido de centro-esquerda que Fernando Henrique Cardoso ajudara a fundar em 1988, entra em coligação com o PFL e parte do PMDB.

O PT recusa a aliança proposta pelo PSDB, critica a coligação dos tucanos com os partidos de direita e lança a candidatura de Luís Inácio Lula da Silva, apoiada pelo PSB, PCB, PC do B, PSTU.

Concorrem ainda à presidência o ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, do PDT; o senador Espiridião Amin, pelo PPR; Orestes Quércia, pelo PMDB, e outros.



Em maio de 1994, Lula liderava as pesquisas, com 41% das intenções de voto, e Fernando Henrique somava 17%; Brizola tinha a preferência de 10% dos eleitores, e Quércia, de 5%.

No mês seguinte à entrada em vigor do real, Fernando Henrique sobe nas pesquisas para 32% dos votos e Lula cai para 28%; Brizola e Quércia ficam, respectivamente, com 5 e 3%.

O plano real em campanha e a gráfica do Senado

A plataforma de governo de Fernando Henrique Cardoso baseia-se em cinco temas: agricultura, educação, emprego, saúde e segurança. Dentre os compromissos, figuram a elevação do salário mínimo para 100 dólares, uma grande reforma no setor público, uma nova revisão constitucional e o fortalecimento do Estado na condução da economia.

Mais que as propostas de mudança, o ex-ministro da Fazenda enfatiza em sua campanha o sucesso do Plano Real (a moeda brasileira chegou a valer mais que o dólar e os preços mantiveram-se relativamente estáveis), atraindo os eleitores para a continuidade do plano econômico.

Os demais candidatos o acusam de beneficiar-se da máquina governamental – opinião reforçada em I de setembro, quando uma conversa informal de Rubens Ricúpero foi captada pelas antenas parabólicas de todo o país.

Admitindo o apoio do governo a Fernando Henrique, o então ministro dizia ter consciência da importância do plano econômico na candidatura e acrescentava que, em suas entrevistas sobre o real, não tinha “escrúpulos” em omitir dados desfavoráveis à campanha e “faturar” o que ajudava o candidato.

Em setembro de 1994, o Tribunal Superior Eleitoral decide cassar a candidatura do presidente do Senado: e do Congresso Nacional, Humberto Lucena, do PMDB da Paraíba, julgado por haver utilizado a gráfica do Senado para imprimir material de campanha.

Sucedem-se denúncias de outros parlamentares, também acusados de usar gráficas de órgãos públicos para fins eleitorais. Lucena recorre da decisão do TSE e se reelege para mais um mandato como senador.



O Superior Tribunal Federal confirma sua cassação, mas o Senado, em dezembro, e a Câmara dos Deputados, em fevereiro de 1995, aprovam um projeto que concede anistia aos parlamentares envolvidos no escândalo das gráficas.

 

 

Os cem dias de FHC

Até abril de 1995, as taxas mensais de inflação mantinham-se as mais baixas dos últimos 25 anos, em tomo de 2% mensais – e, principalmente, o faziam há dez meses, um recorde comparado aos planos anteriores.

A produção e o emprego crescem; não há preços comprimidos por congelamento nem problemas no abastecimento
Ação da Cidadania, a campanha do Betinho Em abril de 1993 o sociólogo Herbert de Souza lança a (embora os produtores agrícolas não estejam em boa situação).

O país parece caminhar para uma economia de regras estáveis. Por outro lado, ainda é problemático o desequilíbrio fiscal: o orçamento da União tem um rombo previsto de 9,5 bilhões de dólares.

O rombo do Banespa, de 8 bilhões, e o do Baneul, de 1,5 bilhão, levaram à intervenção do Banco Central, em dezembro de 1994. Também sob pena de prejudicar as contas públicas, a alta na taxa de juros, que controla o consumo e a especulação, não pode ser mantida por muito tempo.

Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida, de impacto crescente na população. Inicialmente a campanha dedica-se a arrecadar e distribuir alimentos para os vários milhões de brasileiros de todas as idades atingidos pela fome.

Em 1994 e 1995, os 5 mil comitês autônomos prosseguem na defesa do direito à vida arrecadando findos para auxiliar pequenas empresas a gerar mais empregos para a população miserável. Segundo pesquisa do Ibope, 93% dos brasileiros consideravam a campanha necessária.

Ação da Cidadania, a campanha do Betinho

Em abril de 1993 o sociólogo Herbert de Souza lança a Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida, de impacto crescente na população. Inicialmente a campanha dedica-se a arrecadar e distribuir alimentos para os vários milhões de brasileiros de todas as idades atingidos pela fome.

Em 1994 e 1995, os 5 mil comitês autônomos prosseguem na defesa do direito à vida arrecadando findos para auxiliar pequenas empresas a gerar mais empregos para a população miserável. Segundo pesquisa do Ibope, 93% dos brasileiros consideravam a campanha necessária.

Queda de popularidade

A primeira queda de popularidade de Fernando Henrique Cardoso ocorre ainda no primeiro semestre de 1995. O aumento do salário mínimo fora vetado pelo Congresso na mesma época em que os parlamentares concediam aumento para seus próprios vencimentos e o presidente era pouco receptivo às críticas da oposição e às manifestações das lideranças sindicais, que voltaram a organizar movimentos reivindicatórios.

Em abril, a Câmara dos Deputados aprovou o aumento do salário mínimo para 100 reais. A falta de apoio no Congresso dificulta a aprovação das mudanças pretendidas pelo governo Em abril de 1995, a reforma da Previdência Social proposta pelo governo encontra resistências no Congresso.

A Previdência Social encontra-se em situação bastante difícil: ao lado da falta de verba, um dos motivos para a queda do valor do salário mínimo usado como base de cálculo para o pagamento de pensões e aposentadorias , multiplicam-se as denúncias de sonegação, corrupção e irregularidades.

Em maio de 1994, uma CPI relatara o desvio de três bilhões de dólares; as denúncias e apurações de irregularidades continuam em 1995, envolvendo funcionários públicos, aposentadorias milionárias e quadrilhas organizadas.

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Imagem- blogdovalente.com.br