Explorações Marítimas Portuguesas


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Em pouco mais de cem anos, um pequeno reino da península Ibérica lançou-se aos mares, forjou a mais formidável geração de navegadores que a Europa já conhecera, colonizou as ilhas vulcânicas do Atlântico, conquistou posições ao longo de toda a costa africana e atingiu finalmente os empórios de especiarias asiáticas. Esse era o momento das Explorações Marítimas Portuguesas.

Em 1500, quando a vertiginosa expansão  das explorações portuguesas chegou às praias brasileiras, o pavilhão das cinco quinas já tremulava nos quatro cantos do mundo.



O COMEÇO DAS EXPLORAÇÕES MARÍTIMAS PORTUGUESAS

No final da Idade Média, as cidades estavam em pleno desenvolvimento. Crescia o volume das transações comerciais, e uma nova classe se fortalecia, a dos mercadores.

Por toda a Europa, os metais preciosos, perfumes e outros produtos exóticos alcançavam altos preços; entre estes últimos estavam as especiarias orientais – a pimenta da índia, o cravo, a canela, o gengibre etc. -, que valiam seu peso em ouro.

Grandes caravanas recolhiam as mercadorias no mar Vermelho ou no golfo Pérsico, trazendo-as para as margens do Mediterrâneo, onde eram entregues aos comerciantes das cidades italianas, A partir de 1453, com a tomada de Constantinopla pelos turcos, as rotas de acesso ao Oriente foram interrompidas.



O fluxo de mercadorias proveniente das índias (termo pelo qual se designava, na época, toda a Ásia) começou a diminuir, exatamente quando um grande mercado se abria para o setor. Era preciso encontrar outro caminho que colocasse essas riquezas ao alcance dos europeus.

A procura desse novo caminho marcaria o início de uma nova época dentro da história ocidental. Foi o período das “Grandes Navegações” ou dos “Descobrimentos Marítimos”, expressões que designam a fase inicial das explorações Marítimas oceânica a partir da península Ibérica (Portugal e Espanha) e, mais tarde, da Holanda, França e Inglaterra, que tiveram como consequência a descoberta das Américas e o contato direto e permanente entre a Europa, África e Ásia.

VIAGENS FANTÁSTICAS

Na verdade, há muitos séculos os europeus vinham timidamente se lançando aos mares desconhecidos. Contam as sagas islandesas que, a partir de 982, uma expedição liderada por Erik, o Ruivo, colonizou a Groenlândia.

Nessa época, o sul da região permanecia livre do gelo durante praticamente todo o ano, sendo chamada, exatamente por isso, de Terra Verde.

Teriam atingido, a seguir, vários pontos do litoral norte-americano. Em meados do século XIII, quando a Groenlândia sofreu um processo de crescente esfriamento – o que contribuiu para o fracasso da colonização -, outros europeus voltaram-se para os domínios mongóis no Oriente.

Em 1245 franciscano Giovanni de Pian dei Carpine chegou até Caracorum, nas estepes da Mongólia.

Seguiram-se outras expedições de, religiosos, mas a mais famosa de todas foi a realizada em 1254 por Marco Polo, filho e sobrinho de mercadores venezianos.

Numa primeira viagem, Marco Polo chegou até as fronteiras da China; posteriormente visitou Pequim. Mais tarde, na Europa, relatou todas as suas experiências no Livro das Maravilhas, best seller medieval e obra de referência indispensável a todos os futuros grandes navegadores.



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CONTORNANDO A ÁFRICA

Os navios usados eram duas naus, uma caravela e um barco de apoio – uma esquadra bastante poderosa das explorações Marítimas Portuguesas  para a época – sob o comando de Vasco da Gama, soldado e diplomata, encarregado de influenciar em favor dos portugueses o grande empório de especiarias de Calicute.

Realizada entre julho de 1497 e agosto de 1499, a viagem foi um rosário de dificuldades: tempestades no sul da África, numerosas mortes devido ao escorbuto, luta armada em Mombaça e em Calicute.

DESCOBRIMENTO DO BRASIL

As especiarias obtidas e o domínio do caminho marítimo, porém, compensavam tudo, e em 1500 Dom Manuel enviou nova frota para as Índias: dez naus e três caravelas sob o comando de Pedro Alvares Cabral. Foi esta armada que descobriu o Brasil.

No entanto, os portugueses com suas explorações marítimas continuaram fiéis no sentido sul e leste, razão pela qual Dom Manuel não deu grande importância às terras descobertas em 1500, localizadas muito a sudoeste e fora da rota para o Oriente.

Além de descobrirem o Brasil, durante o século XVI as explorações Marítimas Portuguesas efetuaram o reconhecimento da costa oriental da África e instalaram possessões na índia e em Cingapura. No fim do século, já comerciavam com o Japão.

UM NOVO MUNDO DE RIQUEZAS

As explorações Marítimas Portuguesas e a descoberta do continente americano produziram uma profunda transformação na economia européia. No início, a América era só uma tentativa de alcançar as Índias.

Devido ás explorações Marítimas Portuguesas logo começaram a chegar à Europa produtos como o tabaco, o milho e as batatas da América do Norte; o melaço e o rum das Antilhas; o cacau dos Andes: e o açúcar do Brasil.

Esses produtos – e mais o ouro e a prata, descobertos na América espanhola e pilhados aos astecas do México e aos incas do Peru – produziram uma enorme expansão do comércio mundial.

A cidade de Antuérpia, centro europeu das transações mercantis, substituiu as cidades italianas na liderança da comercialização de especiarias, asiáticas ou americanas.

Mas a abundância de ouro e prata que chegavam da América também produziu frutos negativos: fez os preços das mercadorias subir assustadoramente, desvalorizando os impostos, salários e rendas fixas. Essa inflação daria início a um período de grande miséria na Europa.

Apenas os banqueiros e comerciantes lucraram com a situação, que criaria as bases para o debilitamento das monarquias e para o desencadeamento das futuras revoluções burguesas.

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