Expansão Grega – Como ocorreu, Mediterrâneo e colonização


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Veremos neste artigo como foi a expansão grega.

Expansão grega e colonização

Os dórios invadiram a Grécia continental no fim da Idade do Bronze, nos séculos XII-XI a.C. Para escapar aos conquistadores, levas de aqueus, jônios e eólios abandonaram a região e foram se estabelecer na Trácia, nas costas da Asia Menor e nas ilhas do mar Egeu, dando origem à ocupação helênica da bacia do Mediterrâneo.



O fluxo migratório reiniciou-se no século VIII a.C. e as causas disso estavam profundamente associadas: a decadência do sistema gentílico (de famílias vinculadas entre si pela existência real ou lendária de um ancestral comum), o crescimento populacional e o desenvolvimento da pólis (cidade-Estado).

Durante séculos, a propriedade da terra e dos instrumentos de trabalho fora coletiva e sua distribuição efetuada pelo chefe do genos (grupo familiar), segundo o critério de parentesco mais próximo ou mais distante.

Sistema em declínio

Na pólis esse sistema entrou em declínio, dando lugar a outro com maior diferenciação, fundada na concentração da propriedade. As famílias, progressivamente, tenderam a concentrar direitos e privilégios nas mãos dos homens mais velhos e estes se transformaram em grandes proprietários territoriais – os aristocratas.



Apoiados pelos seus parentes e pelas inúmeras pessoas que estavam sob sua dependência econômica, acabaram também por assumir o poder político da pólis. Para os descontentes, não havia outra alternativa senão a de abandonar a cidade.

Fora do genos eram importantes; dentro dele, submissos. Por outro lado, os endividamentos tinham reduzido os pequenos proprietários de terras à pobreza. Como a aristocracia não abria mão dos seus privilégios, aos pobres e descontentes só restava emigrar.

Do século VIII ao século VI a.C., milhares de gregos saíram do continente, das ilhas e das cidades da Trácia e da Ásia Menor que se haviam originado de colônias fundadas na primeira migração.

A princípio, a colonização não se processou de maneira organizada.Os colonos agrupavam-se e partiam baseados somente em informações obtidas de mercadores e marinheiros.

Com o tempo, porém, a fundação de uma colônia (apoikia) passou à tutela da cidade natal, que, além de fornecer sementes, víveres, utensílios e navios para o transporte dos emigrantes, também assumia a função de metrápolis (cidade-mãe). Entretanto, na área política, a colônia constituía uma cidade e Estado independente.

Os caminhos do mar mediterrâneo

Com a expansão grega eles tinham no mar uma saída fácil, que se abria em todas as direções: para o mar Negro, através da ligação estreito de Dardanelos—mar de Mármara estreito do Bósforo, onde os colonos de Mileto (milésios) fundaram Sinope e Olbia.

Os mégaros, Bizâncio, e os da Fócida, Lampsaco para o Egito e o norte da África, onde os milésios fundaram Náucratis e os dórios da ilha de Tera, Citene; para a bacia central do Mediterrâneo, onde os aqueus, messênios, lócrios e coríntios deram origem à Magna Grécia (nome dado pelos antigos romanos às cidades helênicas do sul da Itália e Sicilia).

E, a partir da Itália, a expansão grega atingiu o Mediterrâneo ocidental semeando colônias no sul da Europa só de ataque por terra.



Os melhores lugares quase sempre já estavam ocupados, e a expansão grega conquistrou pela força ou pela astúcia, ou seja, reduzindo à escravidão os habitantes ou então confraternizando com eles, seduzindo-os com a sua cultura ou adotando-lhes alguns dos deuses.

O intercâmbio estabelecia-se rapidamente. Os colonos ofereciam os produtos da manufatura grega e em troca obtinham trigo, gado ou minerais, que passavam a exportar para todo o Mediterrâneo e sobretudo para a metrópolis.

Consequências da colonização

De modo geral, o caráter da colonização da expansão grega foi comercial. Isso pode ser comprovado pelo fato de que os Estados de economia agrícola – da Grécia central – ficaram à margem do processo. A colonização ampliou sensivelmente os antigos limites do mundo grego, fato que teve importantes consequências econômicas e sociais.

A divisão do trabalho entre cidade e campo tomou-se mais acentuada. Nas cidades se desenvolveram as atividades manufatureiras (metalurgia, cerâmica, têxteis) e se fortaleceu a posição dos comerciantes e armadores (fabricantes de naus).

Mas o amplo esforço colonizador da expansão grega teve notáveis resultados também no campo da cultura. As relações econômicas entre as diferentes regiões favoreceram enormemente a evolução da civilização grega, enriquecida com as influências da cultura egípcia, babilônica e assíria.

O alfabeto, por exemplo, aperfeiçoado pelos jônios e difundido por todo o mundo helênico, foi aprendido dos fenícios.

Nas colônias, mais que no continente, floresceu a poesia, a prosa, a matemática, a filosofia e a história gregas. Sem elas, a civilização grega como a conhecemos talvez não tivesse existido. E, por isso, a cultura grega pôde alastrar-se pela Ásia, África e Europa.

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Imagem- umabrasileiranagrecia.com