Desenvolvimento da indústria têxtil no século XVIII

O setor têxtil foi o primeiro a se beneficiar com as novas possibilidades surgidas com o desenvolvimento técnico. Isso se deveu ao fato de representar, na época, o principal setor econômico e porque a relativa simplicidade das suas operações favoreciam a mecanização. A industrialização começou nos cotonifícios.

Até então a produção era obtida por meio de manufaturas: conjuntos formados por pequenas oficinas, em geral unidades familiares esparsas, que trabalhavam para um único empresário.

Este possuía a matéria-prima e os recursos (capital) para as despesas de produção. Por vezes, a manufatura compreendia também uma oficina onde o produto fabricado recebia os retoques finais. O desenvolvimento das máquinas, porém, alterou esse estado de coisas.

Nasce a fábrica têxtil

O tear horizontal, já empregado na Europa no século XIII, continuou sendo usado até meados do século XVIII. Nesse equipamento, uma lançadeira contendo uma bobina com o fio de trama passava por cima e por baixo dos fios de urdidura, presos numa armação e situados alternadamente em dois planos.

Quando a lançadeira chegava ao fim do curso, o fio da trama era empurrado contra as linhas anteriormente tecidas e os de urdidura moviam-se, de modo que aqueles colocados por baixo ocupassem a posição superior. A seguir, a lançadeira percorria o caminho de volta.

Esses teares eram equipados com pedais que alteravam a posição dos fios de urdidura ao fim de cada carreira, permitindo que a lançadeira fosse sucessivamente conduzida de um lado para o outro. Essa operação, no entanto, era relativamente lenta e a largura do pano limitada a 76 cm, pois dependia da distância que o braço do tecelão podia percorrer para levar o instrumento de uma extremidade à outra.

Em 1733, porém, John Kay, na Inglaterra, inventou a lançadeira volante mecânica, cuja velocidade era muito superior à do operário e que podia fazer um percurso maior que o do alcance do braço do trabalhador; era possível, finalmente, tecer peças largas, equivalentes ao quádruplo do produto obtido pelo trabalho manual de um operário.

Antes de tecer, no entanto, era necessária uma operação lenta: fiar. Tratava-se de enovelar, a partir de uma meada emaranhada de fibra (lã ou algodão cru), um fio continuo com a ajuda de um fuso, que torcia, enrolava e alongava as próprias fibras. Em 1764, James l-Iargreaves inventou a Spinning Jenny (Jenny, a fiadora): uma máquina de fiar.

Em 1768, o inventor e empresário Richard Arkwright uniu entre si rocas e teares (aperfeiçoados e totalmente mecanizados), ligou o conjunto a uma força motriz única— inicialmente um cavalo que girava em torno de um eixo acionando uma grande roda; em seguida, a força da roda de um moinho – e concentrou moinho, máquina, matéria-prima e operários num único lugar: nascia a fábrica.

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