Convênio de Taubaté – O que foi e Como Foi


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Garantido pela constante desvalorização cambial, o plantio do café tomou-se um investimento seguro e lucrativo. Em 1886 havia 141 milhões de cafeeiros em São Paulo.

Dez anos depois esse número havia saltado para 386 milhões. Por mais que o consumo mundial crescesse, chegaria um momento em que não haveria mercado para tanto café.



O primeiro grande desequilíbrio surgiu em 1896, quando mais de 100 milhões de novos cafeeiros começaram a produzir. Devido a tal crise logo estaria para vir um importnte fato da história Brasileira, o Convênio de Taubaté.

Como Foi

O preço do café na Bolsa de Nova York baixou de 16 centavos de dólar por libra-peso para 12,3 centavos, caindo para 8 centavos no ano seguinte. Até 1897, a desvalorização cambial serviu para reduzir os prejuízos, mas o pior ainda estava por vir. O grande problema era a enorme dívida externa do país, que, desde a Guerra do Paraguai, não parava de crescer.

Em 1898, 54% do orçamento federal era consumido em pagamentos aos banqueiros estrangeiros. A cada baixa do milréis a dívida se ampliava, o que tomava impossível continuar aplicando o mecanismo de desvalorização cambial.



Capitaneados pelo banqueiro Rothschild, de Londres, os próprios credores impuseram a Joaquim Murtinho, ministro da Fazenda no governo Campos Sales, uma reforma financeira para restaurar a credibilidade da nossa moeda.

Enquanto os banqueiros concediam uma moratória de três anos em nossa dívida externa, Murtinho promovia a queima do dinheiro em excesso para acabar com a inflação. Era um verdadeiro tratamento de choque, que, em quatro anos, levou a uma valorização de 50% no mil-réis.

Os efeitos sobre a cafeicultura foram desastrosos. Além de o preço interacional do café continuar em baixa, o dinheiro obtido com as exportações agora valia menos em moeda brasileira.

Muitas lavouras foram abandonadas e milhares de trabalhadores ficaram sem emprego. Levas e levas de imigrantes deixaram o Brasil. Nas cidades, o desemprego e a marginalidade cresciam sem parar. Estaria por vir o Convênio de Taubaté.

O que foi

Só em 1906 é que foram adotadas medidas realmente eficazes para superar a crise. Reunidos em Taubaté, os governadores Jorge Tibiriçá, de São Paulo, Nilo Peçanha, do Rio, e Francisco Sales, de Minas, firmaram um convênio visando à valorização do café.

O piano estabelecia que os governos dos três Estados comprariam o café excedente, estocando-o para retirá-lo do mercado. As compras seriam financiadas por um empréstimo externo de IS milhões de libras; para amortizá-lo, cada saca de café exportado pagaria uma taxa de 3 francos. Ou seja, o Governo seguiria o exemplo das casas exportadoras, controlando a oferta para manter os preços altos.

Convênio de Taubaté

Agora o estoque e empréstimos seriam feitos em benefício dos cafeicultores. O presidente da República, Rodrigues Alves, foi contra a ideia. Em Londres, Rothschild negou suporte financeiro ao Convênio de Taubaté, considerado por ele uma simples aventura. Mas nem tudo estava perdido.

Afonso Pena, o presidente eleito, deveria assumir no final do ano e sua eleição fora articulada em função dos interesses da cafeicultura. O novo presidente honrou seus compromissos e o plano de valorização do café foi posto em prática.



Se Rothschild não queria emprestar dinheiro, havia outros banqueiros, particularmente na Alemanha e nos Estados Unidos, que estavam prontos a fazê-lo. Assim, o plano mostrou-se plenamente viável e o próprio Rothschild acabou entrando no negócio.

A partir de 1907, os preços do café voltaram a subir e a produção retomou seu crescimento. O Convênio de Taubaté, porém, incentivou a cafeicultura em outros países, fazendo aumentar a concorrência internacional.

Era como um guarda-chuva, sob o qual se abrigavam os produtores do mundo inteiro. Mas eram os brasileiros que seguravam o cabo, arcando sozinhos com o ônus financeiro dos excedentes. E foi o Brasil quem sofreu o maior baque quando a crise de 1929 deixou sem comprador os estoques armazenados ao longo dos anos.

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Imagem- paginadahistoria.com.br