Conjuração Baiana (Inconfidência) – Motivos e Final


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Em 1798, os muros das casas de Salvador foram cobertos de escritos louvando a “Liberdade, doçura da vida, repouso, bem-aventurança do mundo”. Eram as propostas da Conjuração baiana, o primeiro ensaio, ainda Ifrico e ingênuo, de revolução social no Brasil.

Conjuração Baiana

Nove anos após as prisões dos conjurados de Vila Rica, um novo foco rebelde irrompeu no Brasil colonial. Dessa vez os ideais de independência manifestaram-se na Bahia, e fizeram adeptos sobretudo entre a população negra e mulata, que ocupava as funções mais humildes da pirâmide social.



Foram esses escravos e negros libertos que atribuíram à Inconfidência Baiana ou Conjuração Baiana uma dimensão igualitária, unindo num só bloco – pela primeira vez no Brasil – a luta pela autonomia política e contra a injustiça social.

Os Cavaleiros da Luz

Em 1798 foi fundada em Salvador a sociedade Cavaleiros da Luz, cujos integrantes dedicavam-se à tradução de textos de Rousseau e outros filósofos, divulgando ativamente os ideais republicanos na Bahia.

Apesar de seu caráter secreto, essa sociedade estendeu sua influência para além do círculo das elites ilustradas, atingindo as camadas médias e pobres inclusive escravos – da população baiana.



A amplitude dessa influência se explica pela profunda crise econômica e social por que passava Salvador no final do século XVIII.

Saques a açougues e armazéns e choques diários entre comerciantes e populares expressavam o descontentamento provocado pelo monopólio português e pelos privilégios comerciais concedidos à Inglaterra.

Convite à rebelião

No dia 12 de agosto de 1798 os Cavaleiros da Luz inundaram a capital baiana de panfletos que reivindicavam igualdade e conclamavam o povo à luta.

O sistema colonial absolutista era condenado e pregava-se a necessidade de um levante que proclamasse a república e a abolição, abrisse os portos brasileiros ao comércio mundial e pusesse fim às discriminações entre negros e brancos e a todos os privilégios existentes, garantindo-se a liberdade para desenvolver a indústria e o comércio.

O plano era tomar o palácio e convencer o governador, Dom Fernando J0sé de Portugal e Castro, a assumir a chefia do Governo Democrático e Republicano da Bahia!

Resultados: forca e degredo

Em vez disso, no mesmo dia em que apareceram os manifestos, o governador deu ordem para a “devassa” – ou seja, para que se fizessem investigações – e para as primeiras prisões. Teria sido chefe militar do movimento o tenente Hermógenes Francisco de Aguilar Pantoja, que havia traduzido livros franceses e trechos de Rousseu.

A seu lado estavam o tenente José Comes de Oliveira Borges, o sargento Joaquim Antônio da Silva e alguns soldados. Um cirurgião – Cipriano José Barata de Almeida -, um senhor de engenho – Joaquim Inácio de Siqueira Bulcão – e um professor de retórica – Francisco Moniz Barreto – representaram os intelectuais no movimento.

A liderança dos setores urbanos mais pobres cabia aos alfaiates mulatos João de Deus Nascimento e Manuel Faustino Santos Lira (que era escravo liberto), ao escravo e alfaiate Luis de França Pires e aos soldados mulatos Lucas Dantas e Luís Gonzaga das Virgens e Veiga, pertencentes ao batalhão das milícias.



Entretanto havia até mesmo escravos de aluguel, sem ofício definido, alugados por seus proprietários para ocupações temporárias de toda espécie. Ou seja: a Conjuração Baiana estendia-se dos escalões superiores aos estratos mais baixos da sociedade colonial.

Quarenta e nove pessoas, entre elas três mulheres, receberam ordem de prisão. Lucas Dantas de Amorim Torres, João de Deus do Nascimento, Manuel Faustino dos Santos Lira, Luis Gonzaga das Virgens e Luís Pires foram condenados à morte, pela forca, seguida de esquartejamento.

O último conseguiu fugir, mas seus quatro companheiros foram executados a 8 de novembro de 1799. Outros participantes foram desterrados para a África não portuguesa.

Houve prisões por curto período, tais como para o tenente lermógenes, e absolvições, como é o caso de Cipriano Barata, que teve destacada participação nesse e em posteriores movimentos sociais (por exemplo, a Revolução Pernambucana de 1817).

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Imagem-  paginadahistoria.com.br