Confederação do Equador: Objetivos e Como Terminou


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O Brasil estava independente, mas faltava impor a nova ordem. As províncias do Nordeste, rebeladas contra o despotismo imperial, haviam formado a Confederação do Equador. Para submetê-las, Dom Pedro usou mercenários pagos com dinheiro emprestado pela Inglaterra.

Confederação do Equador

Após a derrota da Confederação do Equador de 1817, Pernambuco viveu um clima de feroz repressão. Centenas de insurretos foram presos e executados; outros morreram de doenças nos cárceres insalubres.



Em 1820, porém, com a revolução liberal do Porto, o absolutismo dos Bragança veio abaixo. Foram soltos os rebeldes de 1817 que ainda se encontravam na cadeia; no ano seguinte, o governo da província foi assumido por uma Junta Provisória presidida por Gervásio Pires Ferreira, integrante do Conselho de Estado no governo insurrecional. Assim nascia a Confederação do Equador.

Os pernambucanos e a Constituinte

Os pernambucanos levaram propostas econômicas e políticas bem definidas para a Assembléia Constituinte: a diminuição dos impostos que sobrecarregavam o açúcar e o algodão e o estabelecimento de uma federação que respeitasse a autonomia das elites agrárias de cada província.

Em novembro, porém, com a dissolução da Constituinte, todas essas idéias seriam colocadas de lado. Ao invés da autonomia das províncias, Dom Pedro 1 preparava-se para implantar um regime fortemente centralizado. No Recife, Cipriano Barata atacava o despotismo imperial pelas páginas da Sentinela da Liberdade, jornal que fundara em abril.



Preso a 17 de novembro, continuou a publicá-lo no cárcere. O remédio foi transferi-lo para o Rio de Janeiro. A trincheira do veterano das revoluções libertárias foi ocupada por frei Joaquim do Amor Divino Caneca, que em dezembro começou a editar o jornal Tífis Pernambucano.

Em seus artigos, o padre jornalista atacava Dom Pedro 1, classificando o Poder Moderador como a “chave da opressão da Nação Brasileira”. A insatisfação pernambucana, porém, não se limitava aos artigos de jornal.

O caminho adotado pelo imperador contrariava os interesses da oligarquia dos senhores de engenho, que se viam afastados das decisões políticas. Repetindo 1817, liberais e oligarcas davam-se as mãos na oposição ao trono.

Em dezembro, a Junta dos Matutos foi destituída, e assumiu um novo governo presidido por Manuel de Carvalho Pais de Andrade, veterano de 1817. Em fevereiro de 1824, Pedro 1 tentou substituí-lo pelo “matuto” Francisco Pais Barreto.

Mas as Câmaras de Olinda, Recife, Paud’Alho, Cabo, Igaraçu, Limoeiro e Sirinhaém negaram-se a acatar suas ordens. Era o rompimento com o poder central.

 

As contradições dos rebeldes

Quatro províncias integravam a Confederação do Equador, sem contar as zonas do Piauí controladas pelo padre Mororó.

No Recife, as milícias populares, formadas ao tempo de Gervásio Pires, eram a garantia de que a repressão imperial encontraria o povo pernambucano pronto a resistir. Mas eram também um problema para o governo revolucionário.



As camadas populares estavam convencidas de que chegara o momento de imitar o Haiti, onde uma rebelião de escravos implantara a República negra. Pais de Andrade, cedendo à pressão das milícias, mandara abolir o tráfico negreiro no porto do Recife.

Mas não estava disposto a ir muito além disso, com medo de romper a aliança com os senhores de engenho. Os próprios setores urbanos liberais mostravam-se assustados com os rumos da Confederação do Equador. Mais assustada ainda estava a oligarquia agrária.

Para ela era preferível submeter-se a Dom Pedro 1, do que correr o risco do irrompimento de uma rebelião de escravos generalizada.

Aproveitando esse medo, Pais Barreto, o presidente indicado por Dom Pedro 1 e recusado pelas Câmaras, começou a aglutinar os fazendeiros, formando um núcleo de conspiradores dispostos a colaborar com a reação imperial.

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A repressão

O jovem império brasileiro ainda não tivera tempo de organizar seu exército. Dom Pedro 1 teve de pedir 1 milhão de libras esterlinas a banqueiros ingleses para que o Império pudesse contratar mercenários e comprar armas destinadas a submeter as províncias rebeldes.

Foi assim que, a 19 de agosto de 1824, o porto do Recife amanheceu bloqueado por uma força naval, comandada pelo almirante Cochrane. Seus navios já haviam desembarcado 1 500 homens; sob as ordens de Francisco de Lima e Silva (pai do futuro Duque de Caxias), para atacar a cidade por terra.

As tropas de Lima e Silva, engrossadas pelas forças de Pais Barreto, formaram um exército de 3 500 homens, que marcharam sobre a capital. Batidos no engenho de Santa Ana, na ponte dos Carvalhos e no bairro dos Afogados, os rebeldes recuavam cada vez mais.

A 12 de setembro, Lima e Silva ocupou os bairros de Boa Vista e Santo Antônio. Cinco dias depois, apoiado pela artilharia de Cochrane, dominava Recife e Olinda. Começava o massacre da população.

No entanto, depois de submeterem Pernambuco, Lima e Silva e Cochrane atacaram as províncias vizinhas, chegando ao Ceará em outubro. Alencar Araripe morreu em combate e José Filgueiras rendeu-se a 8 de novembro de 1824.

Enquanto isso, frei Caneca e sua Divisão Constitucional vagavam pelo sertão, sempre perseguidos pelas tropas imperiais. Finalmente, a 29 de novembro, vendo que a resistência era inútil, renderam-se no interior do Ceará.

As condenações

Para quebrar o espírito de luta dos pernambucanos, o tribunal de exceção, presidido por Lima e Silva, foi rigorosíssimo. Vários rebeldes foram presos e condenados à morte.

Frei Caneca, o apóstolo da revolução (Confederação do Equador), ficou preso num cubículo imundo até 10 de janeiro de 1825, quando saiu para tomar conhecimento da sentença: seria enforcado dali a três dias. Na data marcada, porém, não houve carrasco, prisioneiro ou escravo que concordasse em pôr-lhe a corda no pescoço.

A notícia da rebelião dos carrascos já se espalhava pelo Recife, quando Lima e Silva ordenou que o prisioneiro fosse amarrado no local da forca para ali ser fuzilado. Era 13 de janeiro de 1825. A causa republicana em Pernambuco recebia mais um mártir.

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Imagem- coladaweb.com        emporiopeoficial.blogspot.com.br