Comunas Medievais – Italianas, Germânicas e Francesas

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Muitas cidades medievais italianas fizeram sua riqueza no comércio e nas manufaturas, constituindo-se em unidades políticas autônomas, que não queriam se submeter aos senhores feudais e ao império, denominando-se Comunas.

A EXPANSÃO DAS COMUNAS

As maiores, como Milão, Asti, Pádua, Verona, Florença, Siena e Pisa, constituíam verdadeiros Estados que controlavam numerosas comunas menores.

A cidade continuava sendo o coração desses Estados, mas eles já compreendiam, no século XII, as aldeias vizinhas, as cidades menores que haviam sido submetidas, castelos fortificados, propriedades agrícolas, campos, pastos e bosques.

Na qualidade de Estados, tinham suas leis e moeda próprias; sistemas político e judiciário autônomos; exército comandado pelos cônsules, pela autoridade máxima, ou pelo Conselho.

Para os grandes senhores de terras, privados do seu poder pelo crescimento das comunas, tratava-se de um estado de coisas escandaloso. Afinal, as comunas pertenciam ao Sacro Império, mas não o obedeciam porque este pouco fazia para controlá-las politicamente.

Como nascia uma comuna

A comuna surgiu quando a próspera burguesia citadina – enriquecida com o desenvolvimento do comércio – conseguiu primeiro controlar e depois neutralizar o poder dos tradicionais senhores feudais. Em alguns casos, os cidadãos encontraram um precioso aliado no bispo ou bispo-conde da região, indisposto por razões políticas com outros senhores feudais.

Foi o que aconteceu, por exemplo, no século XI, com a comuna de Milão, onde uma rebelião burguesa foi apoiada pelo bispo-conde Ariberto de Intimiano, que chegou a enfrentar e derrotar militarmente as forças de Conrado JI, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, do qual Milão fazia parte.

As cartas de franquia

Na maioria das vezes, os cidadãos agiam sozinhos, atacando regularmente com seus exércitos o território do senhor feudal. A finalidade era enfraquecer militarmente o feudatário, e forçar sua transferência para o burgo, onde seria mais fácil mantê-lo sob controle.

Negociantes e artesãos exigiam dele a suspensão das taxas alfandegárias e o direito de ir e vir em suas terras. Se os burgueses reivindicavam liberdade, a grande preocupação dos senhores feudais era como obter recursos para financiar suas numerosas aventuras militares.

Por isso, em troca de dinheiro, muitos deles acabaram concedendo às comunas situadas em seus domínios cartas de franquia ou de liberdade, pelas quais os cidadãos conquistavam o direito de se autogovernarem. Ao mesmo tempo, os soberanos de países como a França passaram também a outorgar cartas de franquia, sobretudo às cidades ricas. Procuravam, assim, firmar com estas uma aliança destinada a debilitar o poder dos senhores feudais, com os quais estavam em gueixa permanente.

Frederico 1, o Barba Roxa

Desde 1125, com a morte de Henrique V, último imperador da casa da Francônia, a aristocracia feudal germânica entrara em furiosa disputa pela posse da coroa do Sacro Império, o que resultou no declínio do poder real.

Algumas famílias tomaram-se líderes autônomas na Alemanha, não reconhecendo sua dependência para com o imperador, a não ser formalmente. Entre elas estavam os Guelfos (Welfen) da Baviera; os Zanringen, na região da Floresta Negra e da Suíça; os Hohenstaufen da Suábia, denominados gibelinos devido ao Castelo de Waiblingen, pertencente a essa famflia; e os Supplimburgo da Saxônia.

O enfraquecimento do poder real favorecera o desenvolvimento das comunas, cuja autonomia alarmava cada vez mais os grandes senhores de terras.

Em 1152, porém, ocorreu um fato que iria colocar sob ameaça a independência das comunas: Frederico 1, o Barba Roxa, subiu ao trono como rei da Alemanha e três anos depois foi coroado rei da Itália e imperador do Sacro Império.

Pelo lado paterno era um Hohenstaufen, da Suábia, portanto um gibelino; pelo lado materno, descendia dos Guelfos, da Baviera. Eram qualidades suficientes para que fosse saudado como Ó príncipe da paz e, portanto, tinha condições para fortalecer novamente o poder imperial. Um dos obstáculos que se antepunham a esse objetivo eram as comunas.

A questão das “regalias”

a vontade do imperador, mas na prática a realidade era outra. As cidades não pagavam as taxas ao império e se tinham apropriado do que os juristas da época chamavam regalia, ou seja, os direitos do monarca, como o direito de cunhar moedas, nomear administradores, recolher impostos e armar exércitos.

Em 1154, Frederico 1 partiu para a Itália para socorrer o papa, contra o qual a população de Roma se havia rebelado, e a pedido dos senhores feudais de Monferrato, que reclamavam da agressividade da comuna de Asti.

A questão de Roma, provocada pela pregação de um monge, Arnaldo de Bréscia, que condenava o luxo do papado, contrário à pobreza evangélica, foi resolvida rapidamente pelo imperador: Arnaldo de Bréscia acabou na fogueira como herege.

Entretanto, o imperador não se sentiu seguro para enfrentar as poderosas comunas italianas. Quatro anos depois, mais forte, partiu novamente para a Itália para uma ação decisiva sobre a questão das regalia, disposto a restabelecer os privilégios do império.

Milão é destruída

As comunas do vale do rio Pó estavam subordinadas a Milão, a mais rica e agressiva, que já havia submetido pela força a cidade de Lodi e preparava-se para subjugar outras. Com o pretexto de defender as comunas menores, Frederico 1 fez valer o seu direito de intervir.

Em 1158, convocou a Dieta de Roncaglia, ou seja, uma assembléia de autoridades leigas e eclesiásticas, que proclamou o imperador como a única fonte da lei.

Barba Roxa fez publicar uma constituição que conferiu à coroa todos os direitos reais (regalia iura), como a administração da Justiça, a cunhagem de moedas, a imposição de tributos e pedágios. Isso equivalia a colocar fora da lei a maior parte das comunas que havia mais de meio século se tinham apropriado desses privilégios reais.

Mas Milão e sua aliada, Crema, não aceitaram as novas resoluções. Crema foi sitiada durante sete meses, e finalmente assaltada e arrasada.

Milão opôs tenaz resistência, mas Frederico 1 contou, para vencê-la, com o apoio das comunas Pavia, Lodi, Cremona, Nova ra, Verceili e Asti, além das tropas dos grandes senhores feudais, como o marquês de Monferrato. Por dois anos Milão resistiu ao cerco.

Ao fim, pressionada pela fome, capitulou. Sua sorte, porém, foi decidida pelos representantes das cidades italianas, outrora suas vítimas: Milão devia ser arrasada.

A resistência de Alexandria

Alexandria, assim batizada em homena- gem ao papa Alexandre III, era uma ci- dade construída pela Liga Lombarda, para servir de baluarte de defesa contra o marquês de Monferrato, o mais temível dos aliados italianos de Frederico I.

Decidido a atacar a Liga, Barba Roxa invadiu a Itália em 1174 atravessando a Savóia, ou seja, a vertente francesa dos Alpes. Na passagem atacou e destruiu a comuna de Asti e seguiu para Alexandria, imaginando que fosse fácil arrasá-la.

Afinal, a cidade era chamada de “Alexandria da palha”, pois os telhados das casas eram cobertos de palha, material altamente inflamável.

No entanto, Alexandria resistiu por muitos meses e, quando recebeu reforços, rechaçou os invasores. A luta entre o império e as comunas durou dois anos e só se resolveu na batalha de Legnano.

As comunas germânicas

Em 1247 formou-se a Liga Renana, composta pelas cidades que se localizavam junto ao Reno, rio que cone dos Alpes para o mar do Norte.

Na mesma época surgiu a primeira liga de cidades marítimas: Hamburgo, Bremen e outras obtiveram o monopólio do comércio no mar Báltico e mar do Norte; foi o primeiro núcleo da Liga Hanseática, que dominou durante séculos o norte da Europa.

Em 1273, quando os príncipes eleitores alemães chegaram a um acordo e elegeram imperador Rodolfo de Habsburgo, controlar a Alemanha era uma missão praticamente impossível.

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Imagem:  olhandodocampus.wordpress.com

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