Legnano e as Batalhas das Comunas

batalha-de-legnano-comunas-em-batalhas

Neste artigo falaremos sobre Legnano e as Comunas em Batalhas e as Comunas em batalhas. A noroeste de Milão, na planície lombarda, ambos os exércitos – o das comunas e o imperial – mediram suas forças, procurando desferir o ataque apenas quando julgassem estar em superioridade de posição.

As tropas comunais enviaram, sem cobertura, um contingente de cavaleiros. Seu exército estava colocado em tomo do Carroccio (uma “carroça gigante”), símbolo da liberdade das comunas e poflto de referência para os soldados da liga.

A Batalha de Legnano

Na ala direita investia a vanguarda de trezentos cavaleiros que Alberto de Giussano recrutara para constituir a Companhia da Morte, assim chamada pelo juramento feito de vencer ou morrer. Ao avistar o contingente imperial, os cavaleiros comunais recuaram em galope.

Por sua vez, pensando num confronto isolado, a vanguarda imperial perseguiu a vanguarda das comunas, enquanto a ala direita da formação de Barba Roxa, convencida de que acabaria rapidamente com aqueles cavaleiros comunais, também os seguiu.

Conta-se que o próprio imperador gritava desesperado aos seus comandados para não irem atrás do que lhe parecia ser claramente uma armadilha. De fato, a vanguarda comunal fingiu refugiar-se  dentro do próprio contingente, e ao se sentirem seguros, os cavaleiros voltaram-se para atacar o contingente da tropa imperial que os havia seguido.

A Companhia da Morte e a ala esquerda das comunas fechou num espigão as forças imperiais. Os experimentados soldados e cavaleiros do império, assediados, tentaram romper o cerco dirigindo-se contra o Carroccio.

A resistência dos comunais, porém, foi violentíssima, e o golpe decisivo foi dado pelos cavaleiros sobreviventes de Alberto de Giussano: chegando pela retaguarda do exército imperial, fecharam-no numa armadilha.

Paz e acordo com as comunas

As perdas do exército imperial na realidade não tinham sido muito grandes, mas a batalha de Legnano (26 de maio de 1176) foi de tal modo encarniçada e confusa que o próprio imperador havia sido dado como morto. De fato, Frederico 1, tendo perdido o cavalo, havia conseguido salvar-se por milagre.

Só três dias mais tarde, coberto de lama, pôde voltar a Pavia, onde encontrou a corte chorando a sua morte. Entretanto, vendo a inutilidade do prosseguimento da luta armada, Barba Roxa tentou resolver a questão por vias pacíficas recorrendo para isso à mediação do papa. A reconciliação foi em Veneza.

Onde Frederico foi reconhecido pela Santa Sé como legítimo imperador e este reconheceu Alexandre III como Sumo Pontífice. Em troca ta paz entre império e papado, estabeleceu-se uma trégua de seis anos entre império e comunas.

Finalmente, em 1183, foi assinado em Constança, na Suíça, um tratado de paz pelo qual as comunas reconheciam a autoridade do imperador e se declaravam súditos devotos; em troca conservavam os direitos de autonomia que Barba Roxa lutara inutilmente para recuperar.

Mas o Privilégio de Constança, que selou a paz entre ambas as partes, marcou definitivamente o triunfo das comunas, livres para crescer e florescer com o consentimento do imperador.

O ÚLTIMO ATAQUE

Por diversas vezes Frederico 1 marchara contra a Itália chefiando um exército de homens e máquinas de guerra, com trompas e tambores incitando os soldados à luta. Três anos após a paz de Constança, Frederico partiu mais uma vez para a Itália, mas, então, seu séquito era esperado e até desejado.

Cortesões e damas substituíram os soldados; citaras e flautas, os tambores militares; flores e presentes, as máquinas de guerra.

Barba Roxa seguiu para a Itália devido às núpcias de seu filho, uma verdadeira obra-prima política, cujo desenvolvimento ele não viveu para ver.

O neto de Barba Roxa não escondia de ninguém que pretendia a unificação do império sob seu domínio. O aviso era válido não apenas para os senhores feu- dais da Alemanha, mau sobretudo para as comunas.

Como Frederico II residia

a maior pane do tempo no sul da Itália, as comunas, temendo medidas hostis devido à proximidade do imperador, reforçaram a Liga Lombarda e prepararamse para um novo confronto com o império. Em 1237, Frederico II conseguiu vencer as forças comunais na batalha de Cortenova, próximo de Bérgamo.

Para afirmar a superioridade do exército imperial, Frederico II celebrou a vitória segundo a tradição militar da antiga Roma: desfilou pelas estradas da Lombardia à frente de um grande cortejo, do qual fazia parte como presa de guerra o famoso Carroccio, símbolo da vitória das comunas em Legnano; no carro, algemado, estava o prefeito de Milão.

Terminada a festa, tão amarga para os lombardos, o Carroccio foi enviado a Roma, para o Capitólio.
A reviravolta O Carroccio em Roma foi uma humilhação, mas também um incentivo à resistência das comunas contra o império. A tática, no entanto, tinha que ser outra. As cidades decidiram não mais afrontar diretamente as milícias do império num confronto em campo aberto.

Dispostas a enfraquecer as tropas de Frederico II, criaram condições para que elas fizessem longos cercos, muito mais cansativos para os que assediavam do que para os cidadãos atacados. Enquanto isso, o papa Gregório IX empenhava-se em combater tenazmente o imperador, exco- mungando-o e desobrigando os súditos

O fim do império

Não houve vitórias ou derrotas decisivas na luta entre comunas e império; assim, o conflito continuou ainda por muitos anos, mesmo após a prematura morte de Frederico li, em 1250. O imperador não conseguira concretizar sonho de unificar a Itália e fortalecer o poder imperial.

No entanto, por essa causa, enfrentara, ao longo de trinta anos, o papado e as comunas, dois inimigos que, unidos, revelaram uma força extraordinária. Frederico II, chamado por volta de 1240 de “Assombro do Mundo”, graças às suas façanhas militares, era tido pela Igreja como um verdadeiro Anticristo.

Até mesmo seu excepcional triunfo diplomático, que devolveu Jerusalém à Cristandade (ideal supremo da Idade Média, em virtude do qual se fizeram as Cruzadas), foi minimizado pela Igreja. Com a morte de Frederico II desagregou-se o Império Germânico.

Na Alemanha, os grandes feudos ganharam força e autoridade, e as comunas, a exemplo das italianas, também se uniram em ligas ou hansas, que conquistaram e mantiveram sua autonomia.

Gostou deste artigo sobre Legnano e as Comunas em Batalhas Então Compartilhe!

Imagem- hugovogado.blogspot.com.br

Add a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *