Civilização do Açúcar, Monocultura, latifúndio e escravismo

civilizacao-do-acucar

Graças à produção açucareiro, o Brasil deixou de ser um simples local de passagem e os portugueses enfim fixaram-se na nova terra. A civilização do açúcar, porém, foi marcada pelo abismo da sociedade escravista. De um lado, o poder e a riqueza dos senhores de engenho. De outro, a miséria dos negros.

Civilização do Açúcar

Quando Martim Afonso de Sousa plantou no litoral de São Vicente os primeiros canaviais, o açúcar era uma das mercadorias mais caras do mundo.

Artigo de luxo, vendido em grãos nas farmácias, custava seu peso em ouro e integrava testamentos de reis. Os portugueses haviam aprendido a produzi-lo nas ilhas da Madeira e dos Açores, de onde abasteciam a Europa com o produto. A implantação da agroindústria açucareira no Brasil foi uma decorrência dessa experiência acumulada.

Brasil e a Economia Açucareira

Apesar do pioneirismo de São Vicente, foi em Pernambuco que a cana encontrou o rico solo de massapê e o clima ideal para se desenvolver. A menor distância em relação a Portugal e o regime de ventos, favorável à navegação, também ajudaram a transformar Pernambuco na capitania do açúcar.

O primeiro engenho pernambucano começou a funcionar em 1542; nos quarenta anos seguintes, outros 65 foram instalados.

No comércio açucareiro, Portugal tinha os Países Baixos como parceiros. Senhores de vasta rede bancária e de uma poderosa frota mercantil, os flamengos e holandeses foram criando um mercado amplo para o açúcar brasileiro, desembarcado na Flandres para, depois, ser distribuído por toda a Europa.

Esse esquema comercial já fora usado com sucesso para o escoamento do açúcar dás ilhas da Madeira e dos Açores. No caso do produto brasileiro, porém, os holandeses passaram até mesmo a financiar a produção, fornecendo capital para a compra e montagem de engenhos. No final do século XVI, o açúcar brasileiro já dominava o mercado mundial.

O crescimento da produção pernambucana havia coincidido com a descoberta de grandes quantidades de ouro e prata nos domínios espanhóis da América.

A Europa se via invadida por enormes quantidades de metais preciosos, o que aumentou a circulação monetária e possibilitou a mais pessoas a compra de açúcar e outros produtos de luxo.

Paralelamente, o ouro fez com que a Espanha perdesse o interesse pela lavoura açucareira implantada no Haiti, em Cuba, e Porto Rico. Quanto à ilha da Madeira, a Coroa limitou sua produção em favor do açúcar brasileiro.

Monocultura, latifúndio, escravismo

A ampliação do mercado e os bons preços pagos pelo produto fizeram com que os portugueses do Brasil se especializassem cada vez mais na produção, assim tendo a Civilização do Açúcar.

Plantar e moer cana passou a ser a – atividade dominante’ das grandes fazendas do Nordeste: todo o resto girava em, torno disso. Desde o início, portanto, a monocultura foi uma das características da lavoura canavieira. Outra característica foi o latifúndio, que tem sua origem na agricultura predatória praticada no Brasil.

No cultivo da cana não havia o menor cuidado com o solo, o que, em poucos anos, provocava a erosão e o cansaço da terra. Era necessário, então, abandonar o lote inicial e retomar mais adiante o mesmo trabalho destruidor. Assim, a lavoura canavieira necessitava ser praticada em grandes propriedades, latifúndios a perder de vista, para que sempre houvesse terras em reserva.

Num país da extensão do Brasil não era difícil consegui-Ias. A Coroa portuguesa fazia doações, sob a forma de sesmarias; particularmente no Nordeste, formaram-se enormes propriedades, maiores até que o atual Estado de Sergipe. A terceira característica da lavoura canavieira era o escravismo.

Realmente, os portugueses que vinham para o Brasil eram movidos pela ambição de riqueza e poder. Não estava em seus planos trabalhar de enxada na mão.

Assim, a Colônia só pôde prosperar depois de resolvido o problema de mão-de-obra, primeiro com a escravização dos índios e depois com a dos negros africanos.

Entretanto, havia alguns empregos para trabalhadores assalariados. Nessa categoria estava o mestre da Civilização do Açúcar, que atuava como uma espécie de engenheiro de produção, acompanhando todas as fases de fabricação.

Também eram assalariados o feitor e os capatazes, responsáveis pela disciplina dos escravos, alguns artesãos mais especializados e os barqueiros e carreiros, que transportavam o produto para os portos de embarque.

A fabricação do açúcar

Engenho era o nome que se dava a toda a propriedade voltada para a Civilização do Açúcar. O termo designava não apenas as instalações agroindustriais (engenho propriamente dito), mas também as demais construções e as terras onde era cultivada a cana. O núcleo central de um engenho era o chamado “quadrilátero do açúcar”.

Trata-se de uma série de construções, dispostas de modo mais ou menos quadrangular, onde se incluía a casa-grande (moradia do proprietário), a capela, a senzala, algumas casas de trabalhadores assalariados e as instalações industriais (casa da moenda, casa da fornalha, casa de purgar etc.).

Na casa da moenda, a cana era esmagada entre dois cilindros movidos por animais ou pela força de uma queda-d’água. Assim se obtinha o caldo, que passava para a casa da fornalha, onde era cozido em grandes tachos de cobre,

Depois de vários cozimentos, o caldo era colocado para esfriar em fôrmas especiais, passando para a casa de purgar. Ali ficava em repouso por vários dias, enquanto ocorria a separação natural entre o melaço e os cristais de açúcar.

Por último, era separada a parte mal purgada, cortando-se com uma faca o chamado açúcar mascavo, de qualidade inferior. O produto final era quebrado em torrões e colocado ao sol para secar.

A seguir, era reduzido a pó e acondicionado em caixas de até cinqüenta arrobas (cerca de 750 kg), nas quais seguia para os mercados europeus.

Gostou deste artigo sobre a Civilização do Açúcar? compartilhe!

Imagem- pportodosmuseus.pt

 

Add a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *