Celtas – Tudo sobre, Quem Foram e Origem


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Os celtas têm fornecido matéria para muitas histórias, mas nenhuma é tão popular quanto a de Asterix e Obelix. Cercados de romanos por todos os lados, eles vivem numa aldeia que representa o último reduto de resistência, na Gdlia, contra a ocupação romana.

Júlio César exaspera-se e, a cada aventura vivida pios heróis, lança mão de novos artifícios com o fim de fazê-los capitular. Tudo é inútil. A poção mágica preparada pelo druida Panoramix torna-os quase invencíveis.



As aventuras de Asterix vingam, de certa forma, a verdadeira história dos gauleses – os celtas da Gália, que, comandados por Vercingetórix, resistiram com grande bravura aos romanos.

Em 52 a. C., porém, sem quaisquer condições de prosseguir na luta, Vercingetórix rendeu-se, lançando suas armas ao chão, como cabia a um chefe. Levado para Roma, foi exibido como troféu de guerra do perseverante César.

Com ele, caiu também toda a Gália, onde Júlio César viveu sua mais árdua campanha, segundo ele próprio narra em De Belio Gailico (Sobre a Guerra da Gália).



Tribos Celtas

A fixação inicial dos celtas na Europa ocorreu entre os rios Reno e Danúbio, a sudoeste da atual Alemanha, no fim do período de Bronze (2500-1900 a.C.). Nos séculos seguintes, aquelas várias tribos provenientes do mar Cáspio espalharamse por toda a Europa, atingindo também as ilhas Britânicas.

Coube aos celtas o importante papel de difundir em diversas regiões a cultura de Hallstat (entre 1000 e 600 a.C.), oriunda da Europa central: foi a primeira cultura metalúrgica, hábil na construção de armas de feno (espadas, punhais, lanças).

Por volta de 500 a.C., enquanto a cultura de Hallstat se esgotava na Europa centro-oriental, mais para o ocidente, numa região localizada na Suíça atual (Nêuchatel), desenvolvia-se e propagava-se a cultura de La Téne (500-0 a.C.).

Dispunha de elaborada metalurgia, mais refinada que a de Hallstat e, conforme os estudiosos, constituiu uma civilização essencialmente céltica.

A homogeneidade dos túmulos, ornamentos e armas indica ter sido comum a todas as regiões europeias que conheceram o domínio celta antes da conquista romana. Nesse período, verificaram-se novas migrações. A rapidez de sua expansão pode ser explicada pela qualidade das suas armas de feno.

Breno, terror da Europa

Breno é um nome conhecido na história de Roma mas, ao contrário do que se imagina, não é um nome de pessoa, e sim um título semelhante a “rei-chefe militar”. Por volta de 400 a.C., Breno conduziu diversas tribos, num total de 200 000 pessoas, para além dos Alpes, na planície do Pó.

Em 279 a.C., outro breno, comandando 300 000 guerreiros, invadiu a Macedônia e a Grécia e tentou saquear o tesouro do santuário de Delfos. Os celtas foram repelidos e esse chefe suicidou-se, envergonhado pela derrota.

Os sobreviventes passaram para a Ásia Menor semeando o pânico e o terror nas comunidades helênicas. Após anos de saques e devastações, os gregos da Ásia compraram os invasores e persuadiram-nos a se retirar para a Trácia, os Bálcãs e o norte da Frigia onde os celtas fundaram a Galácia, Estado que só perdeu a independência na época de Augusto, em 25 a.C. Entre os séculos VI e V a.C.



Os celtas invadiram a península Ibérica e se fundiram às populações nativas, dando origem aos celtiberos. Introduziram o ferro na Galiza (noroeste da Espanha) e no norte de Portugal, onde surgiu a cultura das citânias galaico-portuguesas, centros fortificados, construídos no topo das elevações. Suas ruínas ainda podem ser vistas na região do Minho, em Portugal.

A Civilização Celta

De 700 a 200 a.C. as tribos celtas dominaram o continente europeu, mas não se constituíram nunca em Estados. Essa fragmentação favoreceu sua derrota: no século 1 a.C., todos os domínios celtas – exceto a Irlanda e a Escócia estavam submetidos a Roma.

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Uma sociedade de classes

A organização social e política dos celtas pode ser estudada através das culturas irlandesa, escocesa e galesa, que se conservaram isentas de influências estrangeiras durante muitos séculos.

Os celtas radicados na Irlanda dividiam-se em cinco classes: nobres, sacerdotes ou druidas, livres, não-livres e escravos.

A maioria era formada pelos livres, geralmente proprietários ou artesãos especializados. Os não-livres arrendavam terras e exerciam funções consideradas inferiores.

Os nobres possuíam grandes extensões de terra e eram fornecedores de mão-de-obra, gado, mantimentos e ajuda militar ao rei.

De modo geral, nas comunidades celtas os homens livres eram reconhecidos pelos torques, colares de metal retorcido.

Os celtas irlandeses organizaram-se em pequenos Estados, cada um dos quais com um núcleo, o túath, onde se realizavam as assembleias populares dirigidas pelo rei.

Este exercia também as funções de juiz e chefe militar. Era eleito por uma cúria ou senado composto de nobres, mas a eleição era submetida à apreciação popular. Todos os homens livres participavam e as mulheres também podiam votar.

O clã: a unidade básica

A propriedade da terra pertencia não a um indivíduo, mas à família, e não podia ser alienada. A base de organização, que subsistiu na Irlanda e Escócia até o século XVII, era o clã – tribos compostas por pessoas de ascendentes comuns.

A monogamia só surgiu após as populações celtas serem cristianizadas. Até então o casamento só se efetivava após sete anos de vida conjugal, e antes que se cumprisse esse prazo ele podia ser dissolvido. Os filhos legítimos e ilegítimos eram reconhecidos.

Os gauleses No tempo de Júlio César (século 1 a.C.), os gauleses viviam em aglomerados urbanos, muitos dos quais fortificados (oppidum). Dedicavam-se à criação de gado, ovelhas, porcos e cavalos. Trabalhavam em cerâmica, metalurgia e tecelagem.

Viviam em cabanas de madeira ou de caniços trançados firmados com argila pintadas com cores vivas. Junto à morada dos chefes de clã eram cavados buracos que, revestidos de palha, eram destinados ao armazenamento de grãos de trigo e cevada necessários à sobrevivência da tribo.

A floresta: o templo dos celtas

Os celtas não construíam templos para realizar o culto religioso. A maior parte das cerimônias era celebrada nas florestas, lugares preferidos devido ao significado que tinham para a vida cotidiana: nelas se encontravam as fontes, se coletavam os frutos e se recolhia a lenha.

As árvores, sobretudo, revestiam-se de caráter sagrado: eram as formas que as divindades assumiam para se revelar aos homens.

As reminiscências desse culto permanecem até nossos dias, em aldeias da Irlanda, da França e de Portugal, onde se celebram festas em homenagem à “árvore de maio”. Os aldeões cantam e dançam ao redor de uma árvore, enfeitando-a com guirlandas.

Os druidas

O sacerdócio era exercido pelos druidas, em geral escolhidos na classe aristocrática. Seu nome significa “consciência do carvalho”, a árvore sagrada dos celtas. Desde crianças, submetiam-se a intenso aprendizado de religião, ciência, filosofia, poesia e tradição, junto dos joalheiros Celtas.

Esses ensinamentos eram transmitidos oralmente, pois os celtas não tinham escrita própria. Escreviam apenas para documentar seus negócios públicos, utilizando caracteres gregos. Os druidas, além de sacerdotes, eram professores, médicos e primeiros ministros, exercendo uma grande ascendência sobre o rei.

Viviam integrados na comunidade, casavam-se e podiam mudar-se de um lugar para outro. Eram apenas excluídos das funções militares. Doutrinavam fiéis, ensinando-os a cultuar os deuses, combater o mal e praticar bravuras.

Bravos guerreiros

Os guerreiros celtas lutavam nus, tendo como proteção um escudo de madeira reforçado com bronze, a espada e sua coragem.

Para eles, um herói não morria; a morte era só “um ponto no meio da estrada” – entre a vida terrena, com os humanos, e o além, com os deuses.

Mas nem a sua coragem nem as suas enormes armas de ferro impediram que fossem vencidos pelas legiões romanas, mais disciplinadas e portadoras de armas leves e manejáveis.

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Imagem- povosdaantiguidade.blogspot.com.br             homoliteratus.com