Carlos Magno – Quem foi? Feitos e História


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A crônica da coroação de Carlos Magno foi registrada nos Anais Reais dos Francos (Annali Reali Franchi) por um monge que assistiu pessoalmente ao acontecimento.

O próprio Leão III declarara que Carlos fora ”coroado por Deus”. A aliança entre a mais importante potência política -o Reino dos Francos – e a máxima potência espiritual – a Igreja – prometia um futuro de paz e progresso para toda a Europa.



Quem foi Carlos Magno

Carlos Magno era um homem bastante alto, robusto e vigoroso. Segundo os cronistas, impunha respeito aos inimigos não apenas pela inteligência tática, como também pela imponência física. Foi um homem de guerra, embora desejasse ser um homem de paz.

Combateu nos quatro cantos da Europa, mostrando-se particularmente severo com os bárbaros germânicos, que submeteu definitivamente.

Era, porém, um homem muito religioso e estava convencido de que o próprio Deus ordenara aos francos, e portanto a si próprio, a tarefa de propagar e defender a fé cristã.



Capaz de ver mais longe do que seus contemporâneos, lutou a vida inteira por um objetivo: estabelecer a paz numa Europa cristã e civilizada. Por isso foi chamado de Pater Europae – o “Pai da Europa”.

Feitos

Carlos tivera que enfrentar e submeter os principados rebeldes da Saxônia, que representavam uma ameaça junto às fronteiras da Austrásia (veja o mapa desta página).

Após as primeiras vitórias dos francos, parte da nobreza saxônica aceitou converter-se ao cristianismo, incorporando-se ao Reino Carolíngio. Mas, em 779. um grupo de camponeses, liderados pelo príncipe Widukind, opôs forte resistência às pretensões do monarca franco.

Sucederam-se diversas campanhas militares, marcadas pela violência dos choques e pela crueldade com que as sublevações foram debeladas.

Só em 782, cerca de 4 500 rebeldes foram entregues à nobreza saxônica cristianizada, para serem massacrados. Após esse incidente, chamado de Jornada de Verden, registrou-se uma nova revolta (783-785). Em 785, Carlos conseguiu vencer a resistência de Widukind, obrigando-o a aceitar a capitulação e o batismo.

Esse fato, porém, não fez cessar as rebeliões. Entre os anos de 792 e 799, os camponeses voltaram a sublevar-se, contra a cobrança do dizimo, uma espécie de taxa eclesiástica aplicada às populações cristianizadas.

Carlos Magno impôs então à Saxônia um estado de sitio permanente e, para obsequiar o clero, promoveu a transferência maciça de saxões para o Reino Franco, doando à Igreja as terras que iam sendo desocupadas.

A saxônia é Submetida

Os saxões só se submeteram definitivamente a Carlos Magno em 804, graças à Lei Sanonum (Lei Saxônica), implantada em 802, que efetuou a fusão do código franco (Lei Repuaria) com o velho direito popular saxõnico. Essa lei passou a regular a vida dos novos súditos de Carlos Magno.



Nos anos sucessivos guerreiros francos foram nomeados para exercer a administração e controlar politicamente a população submetida, tendo sido auxiliados nessa tarefa por uma legião de padres, monges, missionários e bispos. que catequizaram a região.

A Organização do Império

As instituições do Império Carolíngio permaneceram essencialmente as mesmas do Reino dos Francos. Carlos Magno continuou a tradição merovíngia do poder absoluto, inspirada no Império Romano.

O palácio real era, ao mesmo tempo, residência do soberano e sede da corte e da administração, embora não houvesse propriamente uma capital do império: pode-se mesmo dizer que o governo de Carlos Magno era itinerante, pois durante anos ele se deslocou de um lado para o outro levando consigo, além da numerosa família, toda a sua corte (conselheiros, dignitários, servos e milícias imperiais).

Só nos últimos anos de seu reinado, Carlos Magno demonstrou preferência por Aquisgrana (Aix-la-Chapelle), pois as águas termais da cidade aliviavam sua gota e seu reumatismo.

As Guerras

A guerra, na época de Carlos Magno, era um fenômeno corriqueiro. Combatia-se praticamente todos os anos, entre maio e outubro, no período mais quente.

As tropas, totalmente equipadas e conduzidas pelo seu comandante (o conde ou marquês), compareciam anualmente ao Campo de Maio para serem submetidas à revista pelo imperador.

Simultaneamente, o Campo de Maio era também uma assembléia dos chefes militares, na qual se decidiam as próximas operações de guerra.

A herança de Carlos Magno

Com a morte de Carlos Magno, em 814, Luís, o Piedoso – seu único filho vivo -, herdou todos os poderes imperiais. Mais conhecido por sua religiosidade do que por suas qualidades de governante, Luís dividiu o império entre seus filhos Lotário, Pepino, Luís e Carlos.

Ao morrer, em 840, as agudas rivalidades entre os irmãos explodiram numa guerra generalizada. Em 843, os quatro herdeiros firmaram o Tratado de Verdum, que pôs fim ao conflito, dividindo o antigo império carolíngio em unidades independentes: o Reino Franco do Oeste, o Reino Franco do Leste e um Estado intermediário, que se estendia do mar do Norte ao sul da Itália.

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Imagem- heroismedievais.blogspot.com.br