Camponeses Medievais no Feudalismo


camponeses medievais no feudalismo

Os camponeses medievais no feudalismo tinham uma concepção bastante peculiar quanto ao tempo. Era desconhecida a idéia de progresso, compreendido como uma evolução da sociedade no tempo. Ao contrário: considerava-se o tempo como algo cíclico, que se repetia sempre da mesma maneira, como as estações do ano e as atividades que propiciavam

Segundo alguns historiadores, os personagens conhecidos da história medieval, ou seja, os poderosos (imperadores, reis, papas, bispos, condes, abades, cavaleiros, cruzados, grandes comerciantes e famosos guerreiros), não ultrapassavam 5% da população total da Europa.



Os outros 95% eram o povo, a massa anônima, que praticamente significava os camponeses. Pode-se dizer que até o século XVIII os lavradores representaram a base material, o fundamento da economia e da civilização europeias. A atividade dos comerciantes e artesãos tornou prósperas as cidades medievais, mas eram os camponeses que alimentavam os centros urbanos com os frutos do seu trabalho.

Tratava-se de um trabalho pesado, obscuro mas organizado, que permitiu à Europa sobreviver e prosperar. Efetivamente, durante séculos esses personagens desconhecidos fizeram história.

Camponeses: os servos da terra

Os camponeses, os servos da gleba, ou seja, da terra cultivada, eram parte integrante dela, sendo juntamente com ela vendidos, trocados e herdados, como os animais do estábulo ou do curral. O filho de camponês já sabia de antemão seu futuro: camponês, como seus pais e avós e como, certamente, seriam seus tilhos e netos. Pode-se dizer que a servidão era um tipo particular da escravidão.



Como a Igreja ensinava que todos os homens são filhos de Deus, era proibido escravizar uma pessoa que tivesse sido batizada. Mas também não se pode afirmar que os servos fossem livres. A condição de servo por um lado assemelhava-se à dos antigos escravos e por outro diferia profundamente dela, ou seja: os servos estavam vinculados ao senhor por um estatuto de dependência que implicava obrigações e direitos recíprocos.

Os servos eram pessoas, não coisas ou “instrumentos de trabalho vivos”, de acordo com a antiga definição grega de escravo. Não existia nenhuma lei que os obrigasse a permanecer vinculados à terra, e que pudesse impedi-los de ir embora, após terem cumprido suas obrigações para com o seu senhor. Um historiador da época chegou a escrever: “Os servos desfrutam o privilégio de não poderem ser expulsos da terra”. Estranho “privilégio”.

 

A EUROPA FEITA A MÃO

Extensas florestas e pântanos em lugar de campos bem cultivados; rios caudalosos ainda não disciplinados por diques, canais, eclusas; aldeias encostadas ao rústico castelo senhorial. Assim era a Europa medieval: selvagem e rude. Foi graças ao trabalho de milhões de mãos camponesas que esse continente se transformou no ambiente civilizado dos dias atuais. Essa paisagem, porém, foi totalmente feita a mão.

As obrigações do servo

Em troca dessas “facilidades”, o camponês devia entregar parte (geralmente a metade) do que produzia ao senhor (talha), além de pagar uma infinidade de taxas (banalidades) e conceder dois ou três dias de trabalho ao senhor (corvéia). Os servos tinham ainda a obrigação de limpar a terra, ará-la, semeá-la e realizar a colheita no manso senhorial em benefício exclusivo do seu senhor.

O restante dos trabalhos era feito por camponeses assalariados. Além disso, os servos tinham que se encarregar do transporte dos produtos do senhor do castelo ao mercado e vice-versa, servir de mensageiros quando necessário, e participar de trabalhos extras como, por exemplo, construir estradas, pontes, escavar poços e consertar os muros do castelo.

O sistema  dos camponeses medievais no feudalismo

Desde a Antiguidade, os camponeses sabiam que determinadas culturas, sobretudo os cereais como o trigo, empobrecem o solo, enquanto outras o enriquecem, como é o caso, por exemplo, das favas e das ervilhas, alimentos básicos do camponês medieval. Para evitar que o solo empobrecesse até se tornar estéril, os lavradores antigos usavam o sistema de rotatividade bienal da lavoura: a cada ano, alternadamente, um campo era cultivado e outro ficava descansando para poder recuperar a sua fertilidade.

Os camponeses medievais no feudalismo introduziram o sistema dos três campos, ou se- ja, a rotação trienal. Com esse novo sistema, a terra arável dividia-se em três campos: um era semeado com plantas de colheita retardada (plantações de inverno, empobrecedoras do solo) e o outro com plantas de colheita adiantada (plantações de primavera, enriquecedoras do solo), ficando vago o terceiro, cujo solo estivesse empobrecido. Depois de um ano de descanso, esse solo voltava a ficar fértil, entrando no rodízio de culturas.



Por esse sistema, o lavrador passou a contar com duas colheitas anuais: uma no princípio do verão e outra no outono. Considerando que a plantação da primavera enriquecia o solo, além de fornecer produtos fundamentais na alimentação, calcula-se que o aumento da produtividade agrícola tenha superado os 50%. Isso significou mais alimentos, melhores condições de vida, maiores possibilidades de acumular excedentes que pudessem ser comercializados no mercado.

Ou seja, uma qualidade de vida incomparavelmente superior à dos primeiros séculos da Idade Média. Mas a expansão do comércio logo iria fortalecer uma nova classe social: a burguesia urbana (comerciantes e donos de bancos e manufaturas), que apoiaria o Estado centralizado e se rebelaria contra os privilégios dos donos de terra. Nos séculos XIV e XV, o progresso da burguesia irá marcar o fim da Idade Média.

 

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