Café no Brasil – Ferrovias, Visconde de Mauá e Importância

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A enorme expansão dos cafezais logo evidenciou a precariedade do sistema de transportes do Império. Essa seria só mais uma das importâncias do  café no Brasil.

Expansão do Café e Visconde de Mauá

A enorme expansão do café no Brasil logo evidenciou a precariedade do sistema de transportes do Império. Em 1854, Irineu Evangelista de Sousa, visconde de Mauá, iniciava a construção do primeiro trecho ferroviário do Brasil entre Porto Mauá, na baía da Guanabara, e a encosta da serra da Estrela, obra interrompida em 1856.

Nesse ano começou a ser organizada a companhia que construiria, entre 1871 e 1875, com capitais e técnicos ingleses, a Estrada de Ferro Dom Pedro II, mais tarde denominada Central do Brasil. Com ramais para São Paulo e Minas, a ferrovia era responsável pelo escoamento da enorme produção cafeeira da região fluminense de Vassouras. Contribuindo para o café no Brasil.

Inaugurada em 1867, a E.F. Santos a Jundiaí também surgiu para atender aos interesses do café. Reunindo capitais britânicos e nacionais (inclusive do visconde de Mauá), tomou-se rapidamente a mais lucrativa ferrovia inglesa na América Latina, quebrando a barreira da serra do Mar e avançando para oeste.

Seguiram-se a Companhia Paulista, que estendeu os trilhos até Campinas, e, a partir de 1870, a Ituana, a Sorocabana e a Mogiana.

Importância para o centro Urbano

Em outro nível, o café implicava desenvolvimento urbano acelerado. Nos portos, onde funcionavam os armazéns e firmas exportadoras, o capital acumulado com os lucros do café era investido numa série de atividades econômicas especificamente urbanas: comércio, transportes, pequenas indústrias, bancos e serviços diversos.

Em 1846, Mauá lançou uma indústria de fundição e construção naval na Ponta da Areia, em Niterói; sua iniciativa pioneira teve seguidores. Sob o amparo das chamadas “tarifas Alves Branco” (entre 30 e 60% sobre os produtos estrangeiros chegados ao Brasil, os percentuais mais altos recaindo sobre produtos com similar nacional) foram dados, entre 1844 e 1860, os primeiros passos da industrialização brasileira.

O resultado é que, entre 1872 e 1890, os 275 000 habitantes da capital brasileira tomaram-se 522 000; no mesmo período, a população de São Paulo aumentou de 31 000 para quase 65 000.

Estes novos setores urbanos, continuamente reforçados pela chegada de imigrantes, tinham exigências a que as estruturas políticas e sociais do Segundo Reinado não conseguiam atender.

O resultado, no plano político, foi uma série de cisões nos partidos tradicionais de clientela – entre os conservadores, divididos em “ortodoxos e moderados”; entre os liberais, que perderam o importante grupamento dos “liberais-radicais”.

Estas cisões ocorreram durante a década de 1860 e representaram tentativas de buscar respostas para novos problemas, como os colocados pela industrialização incipiente, nos quadros do regime. Após a Guerra do Paraguai, o cenário político social receberia um novo ator, consciente da importância que conquistara nos campos de batalha.

O Exército brasileiro rompia com o papel subordinado que fora o seu desde o período regencial e, ao lado dos movimentos abolicionista e republicano, transformava-se em um novo e decisivo elemento na crise generalizada do Segundo Reinado.

Café no Brasil

Desde a segunda metade do século XIX, os grandes fazendeiros do café determinaram os principais rumos políticos do Brasil.

O regime imperial subsistiu enquanto eles se conservaram fiéis à monarquia, e teve sua decadência acelerada à medida que a empresa cafeicultora transferia seu apoio para o movimento republicano, diante da impossibilidade de encontrar uma resposta, nos quadros do regime, para o problema do incentivo ao trabalho livre do imigrante europeu.

Por volta de 1840, o café do Sudeste estendia-se por uma faixa litorânea correspondente à metade da velha capitania de São Vicente: ia do norte de São Paulo, de São Sebastião e Taubaté, às imediações da cidade do Rio de Janeiro. Entre 1840 e 1865, porém, os cafezais avançaram até Ribeirão Preto, Campinas e Sorocaba, para o sul, penetraram até Minas Gerais e cobriram todo o Rio de Janeiro e boa parte do Espírito Santo.

Nos anos seguintes, quando as primeiras lavouras fluminenses já davam sinais de esgotamento, o café ganhou as terras de Araraquara e Rio Preto, deslocando definitivamente para São Paulo a hegemonia política e econômica entre as províncias do Sudeste.

Em boa medida, tal expansão foi alimentada pelos capitais liberados pela extinção do tráfico negreiro, em 1850. Paralelamente, as lavouras conquistaram terras antes cobertas de canaviais e mobilizaram escravos que a decadência do açúcar e da mineração deixara subutilizados.

Essa transferência de capitais e braços refletiu-se no brusco salto do valor percentual do café no conjunto das exportações brasileiras: de 41,4% na década de 1840 para 48,8% na década seguinte.

Apesar da plena utilização da mão-de- obra escrava – cujo preço de mercado triplicou em dez anos -, a derrubada de mentalidade empresarial e fortes ligações aos grupos exportadores britânicos.

Refletindo a crescente supremacia deste último setor, em 1871 a Câmara de São Paulo autorizou o Governo da província a emitir apólices para financiar a vinda de trabalhadores europeus.

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Imagem-  resumoescolar.com.br

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