Revoltas: Cabanagem, Sabinada e Balaiada

O auge das rebeliões foi de 1834 a 1838, ou seja, o período compreendido entre a promulgação do Ato Adicional e a queda de Feijó, substituído por Araújo Lima. Assim, neste tempo correram as revoltas: Cabanagem, Sabinada e Balaiada.

A Cabanagem

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Quando chegaram a Belém as notícias da abdicação de Dom Pedro I, as elites paraenses depuseram o governo da província. Só no final de 1833 foi que a Regência procurou restabelecer sua autoridade, nomeando Bernardo Lobo de Sousa para a presidência do Pará.

Sob a liderança de Eduardo Angelim e dos irmãos Vinagre, os cabanos organizaram grupos armados e partiram para a ofensiva.

No dia 7 de janeiro de 1835, os rebeldes tomaram Belém, mataram Lobo de Sousa e libertaram os presos políticos. Imediatamente foi constituído um novo governo, presidido por Félix Antônio Clemente Malcher, um proprietário rural.

Em julho chegava uma esquadra trazendo um novo presidente nomeado pela Regência: Manuel Jorge Rodrigues. Francisco Vinagre, sem condições de resistir, entregou-lhe o poder. Angelim e Antônio Vinagre, porém, refugiaram-se no interior para continuar a revolta.

A 14 de agosto de 1835, à frente de 3 000 cabanos, os dois atacaram Belém, tomando a cidade após dez dias de combate. No poder, Angelim proclamou a República Independente do Pará.

Foram cinco anos de impiedosa caça aos cabanos, período em que vários vilarejos praticamente desapareceram do mapa. Em 1840, o Governo central declarou a província “pacificada”. A reanexação do Pará havia custado cerca de 40 000 vidas, 40% da população local. Assim foi a Cabanagem.

A Sabinada

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Os liberais de Salvador estavam agrupados em torno do Novo Diário da Bahia, jornal editado por Francisco Sabino Alvares da Rocha Vieira. Ali se originaram as idéias que iriam desembocar na rebelião conhecida como Sabinada. Em setembro de 1837, com a queda de Feijó, a Regência entrava em uma nova fase.

O repressivo governo de Araújo Lima, porém, encontraria a resistência dos liberais baianos. A 7 de novembro, Sabino e seus companheiros sublevaram o forte de São Pedro e outras unidades militares.

Logo em seguida, o presidente da província fugia de Salvador e os rebeldes declaravam a Bahia separada do Brasil até “a maioridade de dezoito anos de Sua Majestade o Imperador Senhor Dom Pedro li”. Empossado no cargo de presidente da nova República, Inocêncio da Rocha Galvão não conseguiu estender a revolta ao interior da província.

Para isso seda necessário mobilizar a população pobre, incorporar ao movimento os negros e mulatos. Os “liberais”, temendo uma explosão semelhante à Revolta dos Malês, recusavam-se a ir tão longe. Assim, permaneceram encurralados em Salvador.

No início de 1838, tropas fiéis ao Governo central invadiram a cidade e, após dois dias de combates, dominaram os insurretos. Para julgá-los foi formado um tribunal, que, por sua ferocidade, ficaria conhecido como “júri de sangue”.

Francisco Sabino Vieira foi deportado para Mato Grosso, onde morreu. Outros rebeldes foram condenados ao calabouço e às galés, penas que raramente se aplicavam a uma rebelião das elites. No entanto, depois da Revolta dos Malês, o Governo central decidiu ensinar os liberais baianos a não “brincar com fogo”. Assim foi a revolta de  Sabinada.

A Balaiada

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Por essa época, armava-se no Maranhão uma verdadeira revolta popular, que mobilizaria milhares de vaqueiros e escravos. A província atravessava uma fase de grave crise econômica.

A decadência da cultura algodoeira condenara à miséria e à fome 90 000 escravos. Bastaria um pequeno incidente para que a rebelião explodisse.

Foi o que aconteceu. Em dezembro de 1838, o vaqueiro Raimundo Gomes assaltou a cadeia de Vila do Manga para libertar seu irmão, preso por homicídio. A ele juntaram-se centenas de sertanejos, entre os quais Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, conhecido como Balaio, por ser fabricante de cestos.

Daí a origem do termo balaiada. Vagando pelo interior, os balaios passaram a atacar fazendas, facilitando a fuga de escravos, que se organizaram em quilombos. O maior deles chegou a reunir 3 000 escravos sob a liderança de um negro chamado Cosme.

A rebelião generalizava-se, sucedendo-se os levantes de escravos e vaqueiros. Procurando utilizar o movimento em sua revolta contra os conservadores, os liberais maranhenses, passaram a apoiar os balaios, fornecendo-lhes armas e dando uma certa unidade à insurreição.

Assim, em julho de 1839, os rebeldes ocuparam Caxias, segunda cidade da província, onde formaram um governo bem-te-vi. Em 1840, Líís Alves de Lima e Silva assumia os cargos de presidente e comandante das Armas do Maranhão.

Com 8 000 homens, divididos em três colunas, o novo governo retomou a ofensiva. Os liberais retiraram-se da revolta, enquanto os balaios sofriam derrotas sucessivas, até que Raimundo Gomes caiu preso. Em agosto de 1840, o Governo concedeu anistia aos rebeldes, mas nem todos concordaram em depor as armas.

Cosme, um dos que insistiam em manter a revolta, foi preso e condenado à forca. A rebelião só se extinguiu inteiramente em 1841. Como recompensa por seu trabalho, Luís Alves de Lima e Silva recebeu o título de barão de Caxias. Assim foi a revolta da balaiada.

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